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Fertilizantes organominerais e sua aplicação na agricultura

 — Foto: Divulgação: AgroCP

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Atualmente, muito se tem dito sobre a real eficiência dos fertilizantes organominerais e qual a sua correta recomendação para aplicação no campo. Com intuito de responder algumas destas perguntas e esclarecer estes pontos com pesquisas científicas fundamentadas, elaborou-se o comunicado técnico abaixo sobre este tema.

Diferentemente do que alguns técnicos dizem o fertilizante organomineral não é uma simples mistura entre um fertilizante orgânico e um mineral sem nenhum critério para produção. Para fabricação de um fertilizante organomineral é necessário que o fabricante estabeleça processos produtivos delimitados para tal fim e siga a Instrução Normativa nº 25, de 23 de julho de 2009, exigida pelo MAPA, como: 1) Compostagem assistida da matéria orgânica utilizada para produção; 2) Garantias mínimas de quantidade de carbono orgânico (mínimo de 8%) - o que proporciona um teor de aproximadamente 40% de matéria orgânica compostada adicionada no processo produtivo e 60% de fertilizante mineral. 3) As garantias de nutrientes devem estar declaradas no rótulo e baseadas nos teores solúveis e totais. Deste modo, no processo produtivo de fertilizantes organominerais sólidos é permitido a adição de fosfatos, termofosfatos ou outras fontes parcialmente solúveis, porém os teores de fósforo declarados na etiqueta dos fertilizantes organominerais são baseados nos teores solúveis em ácido cítrico ou CNA + água, oferecendo assim ao produtor uma clara informação da concentração dos teores solúveis e quais matérias primas foram utilizadas na produção do fertilizante.

 — Foto: Divulgação: AgroCP

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Os fertilizantes organominerais além de levar a fração mineral, carregam também a fração orgânica em sua composição. Essa fração orgânica é responsável pela melhoria in loco sobre os parâmetros físicos (aumento na disponibilidade de água, formação de agregados, melhoria na porosidade e aeração, diminui a densidade do solo), químicos (aumento da CTC na rizosfera, fornecimento de ácido húmico, fúlvico e aminoácidos) e biológicos do solo

(aumenta a proliferação e biodiversidade de microrganismos benéficos na região da rizosfera). Proporciona, também, benefícios no metabolismo das plantas (favorece produção de auxinas nas raízes, maior crescimento radicular, diminui efeitos de estresses bióticos e abióticos e melhora a qualidade final do produto). Além disso, a proteção da matéria orgânica presente nos organominerais, reduz perdas por lixiviação, volatilização e fixação dos nutrientes após a sua aplicação no campo. Essas vantagens são devido à composição do organomineral que possui: carbono orgânico, ácido húmico, ácido fúlvico, aminoácidos, hormônios vegetais, microrganismos e outros elementos acompanhantes, como N, P, K, Ca, Mg, B, Si, Ni, Cu, Mn, Co, Mo, Fe, Zn e Cl. Como exemplo, algumas análises feitas em laboratórios demonstram que os fertilizantes organominerais tem em média 1,94% de aminoácidos, 8,8% de ácidos fúlvicos e 11,1 % de ácido húmico em sua composição, o que demonstra seu grande potencial para melhoria das características fisiológicas e fotossintéticas das plantas.

 — Foto: Divulgação: AgroCP

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E nem todos os fertilizantes organominerais são iguais. A generalização sobre o termo organomineral (OM) é muito comum e é preciso ter cuidado com esse fato. Assim como muitos produtos presentes no mercado, os fertilizantes organominerais também possuem variações em sua composição e forma. Os principais tipos de fertilizantes organominerais encontradas no mercado são: OM Peletizado, OM granulado e OM farelado, sendo que estes podem variar em fertilizantes OMs advindos de misturas de grânulos ou ainda de fertilizantes OMs que contenham NKP no mesmo grânulo. Portanto, ao se adquirir um fertilizante organomineral, o produtor deve sempre buscar informações sobre qual seu aspecto físico e qual seu modo de produção, pois certamente estes aspectos impactam a eficiência final do fertilizante e a recomendação do produto no campo. Vale ressaltar também que o cálculo da adubação sempre deve ser feito levando em conta a equação baseada no fator de eficiência dos fertilizantes utilizados: ADUBAÇÃO = (PLANTA – SOLO) x f (fator de eficiência)

Existem inúmeras pesquisas que mostram o fator de eficiência dos fertilizantes organominerais. Estas pesquisas são por sua vez baseadas na redução dos fatores de perda advindos da aplicação dos fertilizantes organominerais e no cálculo dos fatores de eficiência destes produtos quando comparado ao fertilizante mineral. Com isso, atualmente temos dados significativos, comprovando que a adequação de dose pode ser utilizada como uma ferramenta na aplicação do fertilizante organomineral no campo mantendo a fertilidade dos solos e ainda trazendo ganhos de produtividade.

 — Foto: Divulgação: AgroCP

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Como exemplo, trabalhos conduzidos por Machado (2015) avaliando a volatilização de NH3 em diferentes tecnologias de fertilizantes, concluiu que os organominerais reduziram a volatilização N-NH3 quando comparado com fontes exclusivamente minerais. Souza et al. (2013) constataram que o fósforo oriundo do fertilizante organomineral ficou mais disponível no solo que a fonte mineral (Superfosfato Triplo). Em pesquisa conduzida por Moreira (2018) foi verificado que fontes organominerais possibilitam relações de bases mais equilibradas no solo, além de reduzir a saturação por alumínio.

Analisando somente a adubação é possível afirmar que a utilização de fertilizantes especiais, neste caso os organominerais, pode ser uma excelente ferramenta para aumento da produtividade, além de ser uma forma de fertilização mais sustentável do solo. Somado aos benefícios como condicionador do solo, os fertilizantes organominerais reutilizam e aproveitam no seu processo produtivo, resíduos que inicialmente poderiam permanecer como passíveis ambientais, bem como fomentam a economia e agrega valor aos fertilizantes minerais. Muitas pesquisas vêm demonstrando a capacidade de aumento de produtividade proporcionada pelos fertilizantes organominerais em relação ao fertilizante mineral convencional em várias culturas, dentre elas:

  • Milho (Lana et al., 2019; Nunes et al.,2015);
  • soja (Duarte et al., 2013; Alane, 2015; Almeida Júnior, 2017);
  • batata (Cardoso et al., 2017);
  • tomate (Caixeta, 2015, Almeida, 2017);
  • alho (Justino Neto; 2018);
  • cebola (Luz et al.; 2018);
  • alface (Zandonadi et al., 2018);
  • capim-marandu (Resende Júnior et al., 2016);
  • café (Carmo et al., 2014; Costa et al.; 2015;);
  • cana-deaçúcar (Ramos, 2013; Teixeira, 2013; Souza, 2014), dentre outras.

 — Foto: Divulgação: AgroCP

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Autores: Regina Maria Quintão Lana (Professora de Fertilidade e Nutrição de Plantas - UFU), Miguel Henrique Rosa Franco (Doutor em Agronomia - UFU), Mara Lúcia Martins Magela (Doutoranda em Agronomia - UFU) e Danyela Cristina Marques Pires (Doutoranda em Agronomia - UFU).

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