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Mãe de irmãos mortos em 2016 em Maceió pede condenação de PM acusado: 'Que pague'

Josivaldo Ferreira Aleixo e Josenildo Ferreira Aleixo foram mortos pela Polícia em 2016 — Foto: Reprodução TV Gazeta de Alagoas

Josivaldo Ferreira Aleixo e Josenildo Ferreira Aleixo foram mortos pela Polícia em 2016 — Foto: Reprodução TV Gazeta de Alagoas

“Ele que pague e que fique lá [na prisão] por um bom tempo que é para não fazer mais isso com os filhos de ninguém”. Esse é o desejo de Maria de Fátima, mãe de Josivaldo Ferreira Aleixo e Josenildo Ferreira Aleixo, mortos em 2016. O cabo da Polícia Militar Johnerson Simões Marcelino é julgado nesta quinta-feira (25) pelo crime em Maceió.

Maria de Fátima relembra a dor de, sozinha, ter que fazer o reconhecimento dos corpos dos filhos. “Uma mãe entrar no IML para ver o filho todo ensanguentado na pedra, o outro na gaveta, para reconhecer os corpos e sem a família estar por perto… foi muito difícil”, descreveu.

Ela recordou que os filhos tinham deficiência intelectual e que o pedreiro Reinaldo da Silva Ferreira foi morto no mesmo dia por tentar defendê-los.

“Fico olhando assim a capacidade que ele teve, com duas crianças especiais, e matar outro rapaz porque os defendeu… não era para ele ter feito aquilo. Ainda pegou meus filhos, cada um com uma carteira no bolso, e levou para o IML como indigente”, afirmou a mãe.

Na época do crime, a polícia informou que os irmãos teriam trocado tiros com os militares e que estavam armado, mas para Maria de Fátima, os policiais forjaram a cena do crime colocando armas e munições nos pertences de Josivaldo e Josenildo.

“Essa é a versão deles, né? Que, graças a Deus, eu sou pobre, não tenho leitura, estou começando a estudar agora, mas nunca os ensinei a ser bandidos e nem traficantes. [As armas] foram plantadas. Foram eles [os policiais] que botaram”, garante a mulher.

Hoje, a saudade é uma dolorosa lembrança da perda dos meninos e do marido, que morreu um tempo depois. Para suportar, Maria de Fátima tem tomado remédios diariamente.

“Eram minha companhia. Eles dois, que o outro [filho] já morava em São Paulo. Era eu, eles e o pai do meninos. Para mim, ficou difícil, porque perdi eles, depois perdi o pai deles e hoje eu sou sozinha aqui dentro de casa. Tomando remédio controlado de manhã e a noite e ainda tem dias que estou descontrolado, boto pra chorar”, disse.

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O julgamento do PM Johnerson Simões Marcelino

O julgamento começou por volta das 9h30. De acordo com a assessoria de comunicação do Tribunal de Justiça de Alagoas, o júri deverá emitir a decisão sobre o caso ainda nesta quinta-feira.

Para o advogado de acusação, Arthur Lira, a condenação do militar irá confortar do Maria de Fátima. “Entendemos que é necessário a condenação como medida de justiça, para que fatos como esse não venham a acontecer e para a decisão conforte a família das vítimas”, pontuou.

O advogado Thiago Marques Luz, que atua na defesa do militar, afirma que a defesa será realizada com base em provas técnicas. “Vários depoimentos foram colhidos, diversas perícias realizadas, reprodução simulada dos fatos. A defesa tratará o caso de forma simples, clara, para que ao final o corpo de jurados possa chegar a uma decisão justa e embasada, sobretudo, com o que consta no processo a título de prova”, explicou Marques Luz.

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