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Adolescentes completam 2 meses perdidos em floresta no AP; mãe gasta R$ 800 por semana para manter buscas

Fabrício Oliveira Barbosa e Renato Siqueira de Jesus estão desaparecidos — Foto: Reprodução

Fabrício Oliveira Barbosa e Renato Siqueira de Jesus estão desaparecidos — Foto: Reprodução

Nesta terça-feira (8), completam-se dois meses do desaparecimento dos adolescentes de 13 e 14 anos que se perderam numa floresta no Norte do Amapá. A mãe de um deles conta que gasta R$ 800 por semana para manter as buscas pela dupla no município de Calçoene.

Renato Siqueira de Jesus, de 13 anos, e Fabrício Barbosa, de 14, não foram mais vistos depois que eles saíram para apanhar açaí, prática comum na região. Eles se conheceram no dia em que sumiram. Renato não conhecia a área, segundo a mãe Edneide Siqueira de Jesus, de 32 anos.

Ela descreve que a família conta com doações para comprar alimentos, combustível e equipamentos, e assim manter as buscas feitas por mateiros, que são moradores da região com experiência na mata. A região é de difícil acesso para quem não conhece a área.

"Financeiramente é muito pesado manter os mateiros dentro do mato. Por semana é quase R$ 800, porque a gente gasta com alimentação, combustível. Esse dinheiro vem de doações, são poucos [doadores] mas ainda estão nos apoiando", contou.

Grupo de 'mateiros' antes de entrarem na mata em uma das buscas, em Calçoene — Foto: Edineide Siqueira/Arquivo Pessoal

Grupo de 'mateiros' antes de entrarem na mata em uma das buscas, em Calçoene — Foto: Edineide Siqueira/Arquivo Pessoal

Ainda de acordo com Edineide, devido aos custos, o número de mateiros fazendo as buscas, que antes era de 30, diminuiu para 15. O grupo passa de 3 a 5 dias dentro da mata antes de voltar para a base do acampamento na área de assentamento rural.

A mãe de Renato vai da sede de Calçoene até o acampamento de 3 em 3 dias para receber notícias das buscas. No sábado (5), um dos mateiros relatou à ela que foram encontradas pegadas na floresta.

Esse tipo de achado já foi relatado em outros momentos do trabalho, mas ainda não foi possível encontrar nenhum dos dois adolescentes.

"A última notícia que nós tivemos foi de pegadas. Eles voltaram a achar pegadas, só que ainda não é muita coisa pra gente. A gente precisa de muito mais. A gente está correndo atrás da possibilidade de achar eles", relatou.

Vegetação foi encontrada e, para os mateiros, indica vestígios de presença de alguém na região que não é habitada — Foto: Arquivo Pessoal

Vegetação foi encontrada e, para os mateiros, indica vestígios de presença de alguém na região que não é habitada — Foto: Arquivo Pessoal

Segundo o Corpo de Bombeiros Militar (CBM), que retomou a operação de buscas pela 3ª vez no dia 15 de maio e ainda permanece com equipe no local, a floresta densa é um dos fatores que dificultam a ação das equipes, por conta das grandes áreas de mata fechada, pouca habitação, pontos alagados e diversos rios.

Edineide reafirmou que não pensa em paralisar as buscas dos mateiros e acredita que os meninos logo serão encontrados para felicidade da família e das pessoas que apoiam com doações.

"Eu tenho certeza que logo logo a gente vai dar uma resposta não só para minha família, mas também para todo mundo que está nos apoiando e está acreditando na gente. Eu creio muito em Deus que a gente vai finalizar essa história bem", afirmou.

O G1 não conseguiu conversar com os familiares de Fabrício Oliveira Barbosa, mas eles também acompanham as buscas.

No dia 27 de maio, um grupo de 27 indígenas também se juntou para auxiliar no trabalho. O sumiço é investigado pela Polícia Civil, que aguarda novidades em relação às buscas. O órgão pontuou que, por enquanto, não há indícios de crime.

Desaparecimento sem indícios

Área onde os adolescentes sumiram em Calçoene é de difícil acesso — Foto: CBM-AP/Divulgação

Área onde os adolescentes sumiram em Calçoene é de difícil acesso — Foto: CBM-AP/Divulgação

Com cerca de 11 mil habitantes, Calçoene é uma pequena cidade do norte do Amapá com acesso pela BR-156. Localizada em meio à floresta amazônica, o município fica a 374 quilômetros da capital Macapá.

Antes de sumirem, os adolescentes estavam acampados com suas respectivas famílias numa área de assentamento rural para trabalhadores temporários.

Buscas por adolescentes desaprecidos em Calçoene — Foto: COE-Bope/Divulgação

Buscas por adolescentes desaprecidos em Calçoene — Foto: COE-Bope/Divulgação

As buscas oficiais por terra, rios e pelo ar iniciaram 2 dias depois do sumiço, e ao longo de 16 dias mobilizou mais de 50 homens de forma simultânea das forças de segurança, entre elas, Bombeiros, Guarda Florestal, Polícia Militar (PM), Polícia Civil, Companhia de Operações Especiais (COE), Exército Brasileiro e Grupamento Tático Aéreo (GTA).

Após esse período inicial sem sucesso, a operação foi paralisada em 26 de abril. Acionadas pela Polícia Civil, as equipes do Corpo de Bombeiros voltaram ao local em 8 de maio após receberem e informações e pistas.

Porém, quatro dias depois o trabalho foi novamente suspenso e retomado no dia 15 de maio, motivado por novos indícios do paradeiro dos meninos.

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