Carregando...

Quedas de energia quase diárias em bairros e cidades no Amapá deixam moradores em 'eterno apagão'

Mãe e filha iluminadas por luz de velas durante apagão em 2020 — Foto: Albenir Sousa/Rede Amazônica

Mãe e filha iluminadas por luz de velas durante apagão em 2020 — Foto: Albenir Sousa/Rede Amazônica

Nas matérias jornalísticas e quem sabe um dia nos livros de história, o apagão no fornecimento do energia elétrica no Amapá será lembrado pelo período entre 3 e 22 de novembro. Nessas 3 semanas, 13 dos 16 municípios sofreram com blecaute total e depois com o fornecimento de luz através de rodízio. Mas, em vários locais no estado, muitos moradores podem dizer que o "apagão" acontece desde antes e deve continuar, na previsão mais otimista, por muito mais tempo.

São localidades, bairros e até municípios inteiros que vivem episódios recorrentes de oscilação de energia causada pelos mais diversos problemas: quedas de vegetação sobre a rede, fortes chuvas e precariedade da rede de distribuição.

  • Apagão no Amapá completa 1 ano e expõe fragilidades no acesso a energia elétrica no estado
  • De prejuízos financeiros a parto no escuro: G1 reencontra entrevistados na época do apagão
  • Veja como funciona a produção e transmissão da energia no estado

Moradora durante apagão no Amapá — Foto: Rede Amazônica/Reprodução

Moradora durante apagão no Amapá — Foto: Rede Amazônica/Reprodução

Áreas onde é comum conviver com as quedas de energia e também com os prejuízos pela queima ou danos em equipamentos elétricos, gerando uma cadeia que vai desde a perda de alimentos por falta de conservação até a dificuldade de comunicação.

Nem morando a menos de 5 quilômetros da subestação Macapá, que distribui toda a energia vinda do Linhão de Tucuruí para o estado, a rotina da atendente de caixa Mayra Cordeiro, de 29 anos, é a mesma compartilhada com a dos moradores do bairro Parque dos Buritis, na Zona Norte: a falta de recorrente de energia.

"Queda de energia no meu bairro são quase constantes. Sempre no mesmo horário, por volta de 10 da noite, fica cerca de 1 hora sem energia. Para quem volta para casa à noite é perigoso, porque as ruas ficam sem energia ", lamenta.

1 ano de apagão no Amapá: relembre a série de falhas que levaram ao blecaute total

1 ano de apagão no Amapá: relembre a série de falhas que levaram ao blecaute total

Mãe de duas crianças, ela relata que quase diariamente acontecem oscilações na rede, causando em alguns casos o blecaute. Diz ainda que acontece sem qualquer aviso e retorna no modo "pisca-pisca".

"Os moradores até se programam sabendo que a energia vai faltar esse horário, é frequente, quase todo dia acontece a mesma coisa", reitera.

O g1 solicitou da Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA) o total de registros de quedas de energia ocorridas no estado desde o início do apagão e o locais dos blecautes.

A estatal, porém, informou apenas os números de registros de ocorrências feitas pelos consumidores por meio de chamadas para o número 116, disponibilizado pela empresa para notificações sobre quedas de luz e outros problemas na distribuição.

Apagão Amapá atingiu 13 dos 16 municípios — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Apagão Amapá atingiu 13 dos 16 municípios — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Mesmo assim, os dados impressionam. Foram 37.020 acionamentos de consumidores entre janeiro e outubro de 2020 para relatar problemas na distribuição, uma média de 123 ligações por dia.

Boa parte dessas ligações partiu da Zona Norte de Macapá, região onde os relatos de quedas de energia são quase diários, segundo moradores, e impactam na rotina de trabalhadores e comerciantes que dizem "contar" com os blecautes.

“Muito prejudicado. A gente não sabe a hora [que a luz vai embora]. À noite, teve um dia que faltou quatro vezes. Comprei um gerador na época do apagão, mas aqui no bairro quase ninguém tem. Já queimou motor de balcão meu, equipamento que faz filmagem”, conta comerciante Edmário Rocha, do bairro Infraero 2.

Edmário Rocha, comerciante, contabiliza prejuízos — Foto: Rede Amazônica/Reprodução

Edmário Rocha, comerciante, contabiliza prejuízos — Foto: Rede Amazônica/Reprodução

Sobre as quedas, a CEA informou através de nota que tem ocorrido problemas com os alimentadores e transformadores que fazem o atendimento na capital e no município de Santana.

As razões para esses eventos têm relação com a limitação do sistema para suprir uma grande demanda de consumidores, como também, o próprio aumento do consumo de energia neste período de altas temperaturas, em que são utilizados com mais frequência central de ar e ar-condicionado.

A instabilidade ocorre principalmente em horários de pico. As ocorrências se intensificaram ao longo do mês de outubro, considerado pela meteorologia o mês mais quente do ano no estado.

“Toda noite falta energia, é esse sufoco, queima equipamento. Quem vai pagar o nosso prejuízo? Ninguém. Para mim é difícil, chego do trabalho quero tomar uma água gelada e não tem porque a falta acaba queimando o nosso aparelho”, lamenta a doméstica Eliete Pantoja.

Eliete Pantoja, doméstica, fala sobre rotina afetada pelas quedas — Foto: Rede Amazônica/Reprodução

Eliete Pantoja, doméstica, fala sobre rotina afetada pelas quedas — Foto: Rede Amazônica/Reprodução

Isolamento

Maior arquipélago do estado, cercado pelo Rio Amazonas e distante 12 horas de barco partindo da capital, o Bailique sofre há vários anos com a precariedade na oferta de energia elétrica.

A extensão da rede elétrica meio a mata fechada sofre constantemente com as quedas de árvores e outros elementos da natureza, prejudicando de forma substancial a vida no distrito.

Os comerciantes da região, únicos responsáveis pela venda regular de alimentos para as quase 50 comunidades espalhadas por 8 ilhas do arquipélago, contabilizam prejuízos com a falta de luz.

Fenômeno das 'terras caídas' atinge o arquipélago do Bailique e derruba postes— Foto: John Pacheco/G1

Fenômeno das 'terras caídas' atinge o arquipélago do Bailique e derruba postes — Foto: John Pacheco/G1

O problema é antigo. Em 2015, o g1foi até a região e os relatos eram os mesmos, sempre seguidos de incontáveis perdas financeiras.

Seis anos depois, a região que hoje sofre com a salinização da água do Rio Amazonas, também é alvo de outro fenômeno, o das terras caídas. A força da água causou nos últimos períodos chuvosos, a erosão das margens das ilhas, onde estava fincada grande parte dos postes que fornecem energia aos moradores do Bailique.

Fiação elétrica quase sobre a água do Rio Amazonas, no Bailique — Foto: John Pacheco/G1

Fiação elétrica quase sobre a água do Rio Amazonas, no Bailique — Foto: John Pacheco/G1

Veja o plantão de últimas notícias do G1 Amapá

ASSISTA abaixo o que foi destaque no AP:

200 vídeos


Deixe uma resposta

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados*