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Secretário de Saúde do AM diz que Governo Federal analisa amostras de pacientes com Covid em busca de variante encontrada no Japão

Marcellus Campêlo disse que conversou com titular da Secretaria de Vigilância em Saúde, órgão ligado ao Ministério da Saúde.— Foto: Divulgação/Secom

Marcellus Campêlo disse que conversou com titular da Secretaria de Vigilância em Saúde, órgão ligado ao Ministério da Saúde. — Foto: Divulgação/Secom

O secretário da Saúde do Amazonas, Marcellus Campêlo, disse nesta segunda-feira (11) que a Secretaria de Vigilância em Saúde, órgão ligado ao Ministério da Saúde, pediu ao Laboratório Central do Estado (Lacen-AM) 200 amostras de pacientes com Covid-19 para investigar uma nova variação do coronavírus. Essa nova cepa foi encontrada no Japão, em pessoas que estiveram no estado.

O governo japonês anunciou nesse domingo (10) que as autoridades de saúde do país encontraram a nova variante do coronavírus em quatro viajantes que estiveram no Brasile voltaram ao Japão em 2 de janeiro. De acordo com o Ministério da Saúde do Japão, os quatro infectados estiveram no Amazonas — não há detalhes sobre as cidades por onde eles passaram.

Os pacientes apresentaram uma variante semelhante às que se disseminaram rapidamente no Reino Unido e na África do Sul e que preocupam pela maior capacidade de contágio. Até o domingo, 213.961 casos da doença já foram confirmados no Amazonas.

"Não tivemos nenhuma comunicação do governo japonês. O que teve foi um alerta da Secretaria de Vigilância e Saúde. Ontem [domingo] nós conversamos com o secretário Arnaldo [Medeiros], que disse que, por precaução, fez o alerta em virtude da informação do Japão e que está fazendo uma análise de 200 amostras que solicitou do Lacen para serem enviadas imediatamente para estudos. Com essas amostras, ele vai ter uma amostragem significativa para tirar uma conclusão".

O dirigente disse ainda que a secretaria não confirmou e nem descartou a possibilidade da nova variante. No entanto, solicitou as amostras para poder analisar melhor a situação.

"São amostras aqui de Manaus e serão levadas para fora [do Estado], onde se consegue fazer mais rapidamente essa análise nos laboratórios principalmente da Fiocruz", disse Campêlo.

Governo japonês anunciou nesse domingo (10) que as autoridades de saúde do país encontraram a nova variante do coronavírus em quatro viajantes que estiveram no Brasil— Foto: Hiro Komae/AP

Governo japonês anunciou nesse domingo (10) que as autoridades de saúde do país encontraram a nova variante do coronavírus em quatro viajantes que estiveram no Brasil — Foto: Hiro Komae/AP

Campêlo ressaltou que, até o momento, pesquisadores da própria Fiocruz Amazônia e da Fundação de Vigilância e Saúde do Estado (FVS-AM) já identificaram 11 variações do vírus em todo o Amazonas.

"Existe uma linhagem que predomina mais aqui e outras que, como nós chamamos, são eventuais. Umas concentradas e outras não", declarou.

O G1 entrou em contato com a Secretaria de Vigilância em Saúde para saber mais sobre a análise das amostras, e aguarda o posicionamento.

Variante mais contagiosa

Reprodução em 3D do modelo do novo coronavírus (Sars-CoV-2) criada pela Visual Science. Dentro do verde mais claro, as bolinhas vermelhas representam o 'centro' do vírus, o genoma de RNA; as bolinhas verdes são proteínas 'especiais', que protegem esse material genético. Ao redor do verde, o vermelho mais fraco é a 'casca', feita de uma membrana retirada da célula hospedeira. O vermelho mais vivo são as proteínas 'matrizes' codificadas pelo vírus. As 'pontas' que saem do vírus são as 'lanças de proteínas', que o vírus usa para se conectar às células hospedeiras e infectá-las.— Foto: Reprodução/Visual Science

Reprodução em 3D do modelo do novo coronavírus (Sars-CoV-2) criada pela Visual Science. Dentro do verde mais claro, as bolinhas vermelhas representam o 'centro' do vírus, o genoma de RNA; as bolinhas verdes são proteínas 'especiais', que protegem esse material genético. Ao redor do verde, o vermelho mais fraco é a 'casca', feita de uma membrana retirada da célula hospedeira. O vermelho mais vivo são as proteínas 'matrizes' codificadas pelo vírus. As 'pontas' que saem do vírus são as 'lanças de proteínas', que o vírus usa para se conectar às células hospedeiras e infectá-las. — Foto: Reprodução/Visual Science

O Instituto Nacional de Doenças Infecciosas (NIID, na sigla em inglês), ligado ao governo japonês, explica que a variante detectada nos viajantes que estiveram no Brasil é a B1.1.248 com 12 mutações na proteína spike, que conecta o patógeno à célula infectada.

Com algumas diferenças, essa variante é semelhante aos vírus encontrados na África do Sul e que geraram preocupação por parte de autoridades de saúde pela alta capacidade de disseminação. Porém, o diretor do NIID, Takaji Wakita, disse em coletiva de imprensa neste domingo que ainda não há como confirmar essa maior capacidade de contágio nos patógenos que chegaram pelo Brasil.

No comunicado, o NIID alerta que uma dessas mutações sofridas pela variante brasileira é a E484, que preocupa por afetar a capacidade de anticorpos monoclonais neutralizarem a infecção por coronavírus nas células.

"Existe a preocupação de que a imunidade convencional contra o vírus possa ser menos eficaz contra vírus com a mutação E484", diz o órgão de saúde japonês.

Do ponto de vista clínico, no entanto, não há até o momento indícios de que essas novas variantes causem sintomas mais graves da Covid-19 ou tornem a doença mais letal. Uma variante semelhante a essa causou, em Salvador, um dos poucos casos de reinfecção da Covid-19 no Brasil confirmados até agora.


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