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Prática de garimpo ilegal por balsas e dragas pode causar poluição do Rio Madeira no AM, explica especialista

Dragas atracam no Rio Madeira, próximo ao município de Autazes. — Foto: Silas Laurentino

Dragas atracam no Rio Madeira, próximo ao município de Autazes. — Foto: Silas Laurentino

A prática de garimpo ilegal feita em centenas de balsas e dragas no Rio Madeira, no interior do Amazonas, pode refletir em problemas ambientais para a região. Segundo o coordenador do mapeamento de mineração do MapBiomas, Pedro Waldir, garimpeiros usam substâncias químicas e metais pesados para extração de ouro, como mercúrio, que poluem as águas do rio.

As embarcações atracaram no meio do rio, nas proximidades da cidade de Autazes, distante 113 Km de Manaus, há cerca de 15 dias, para exploração ilegal de ouro.

  • FOTOS: Centenas de balsas e dragas bloqueiam trecho do Rio Madeira para garimpo ilegal
  • VÍDEO: Ipaam apura garimpo ilegal na região; Greenpeace contabiliza 300 embarcações
  • PREOCUPAÇÃO: Ativista critica atividade ilegal no Rio Madeira

O especialista explicou que a região do Rio Madeira drena uma área rica em metais. Com isso, sedimentos de ouro ficam entre as areias no fundo do rio e pessoas acabam cometendo a prática de garimpo ilegal para extrair o ouro.

Para o processo de extração de ouro do fundo do rio, Waldir explicou que os garimpeiros costumam usar substâncias que podem poluir as águas e gerar um grande impacto ambiental. O mercúrio é uma das substâncias que são usadas para separar o ouro de outros sedimentos, segundo ele.

O coordenador do mapeamento de mineração do MapBiomas explicou ainda que os garimpeiros colocam as dragas que vão até o fundo do rio e trazem os sedimentos para a superfície, onde o ouro é separado da areia e coletado em seguida.

Dezenas de balsas de garimpo ilegal atracam no Rio Madeira no AM

Dezenas de balsas de garimpo ilegal atracam no Rio Madeira no AM

"Eles acabam lançando esses elementos químicos para fazer a separação do ouro no próprio rio. Isso causa a poluição química dos rios da Amazônia que, até então, ainda são considerados uns dos rios mais conservados do planeta. O grande problema dessa prática é a questão do lançamento de metais pesados, principalmente o mercúrio, na água", explicou Waldir.

Waldir comentou que, pela característica do Rio Madeira em concentrar uma área rica em metais, a prática de mineração na região já costuma acontecer há décadas. Inicialmente, ele citou que costumava acontecer por balsas isoladas e, atualmente, é feito em comboio com diversas embarcações e dragas.

Vídeos mostram atividade de garimpeiros

Garimpeiros que estão em embarcações e postaram vídeos em um grupo de uma rede social em que mostram a chegada na área do rio onde estão localizados, as estruturas das embarcações e até pesando o ouro extraído.

Os registros foram publicados por diferentes pessoas, durante os últimos dias. Em uma das publicações, é possível ver a estrutura de algumas das dragas onde os garimpeiros estão e o processo de separação do ouro.

Garimpeiros mostram funcionamento das dragas e o ouro extraído no Rio Madeira, no AM

Garimpeiros mostram funcionamento das dragas e o ouro extraído no Rio Madeira, no AM

Fiscalização do garimpo

Ainda segundo Waldir, o órgão que concede licença para a prática da atividade é a Agência Nacional de Mineração. Ele afirma que a situação das balsas e dragas que estão no Rio Madeira devem ser vistoriadas e suspensas por órgãos, caso não tenham a licença devida.

"Se esses garimpeiros não têm autorização para praticar isso, cabe então aos órgãos fiscalizadores suspenderem essa atividade, seja por apreensão do material ou com o aparato jurídico que existe para evitar", comentou Waldir.

Presença de garimpeiros assustou moradores de comunidade no rio Madeira, no Amazonas. — Foto: REUTERS/Bruno Kelly

Presença de garimpeiros assustou moradores de comunidade no rio Madeira, no Amazonas. — Foto: REUTERS/Bruno Kelly

Órgãos investigam atividade

O Ministério Público Federal (MPF) expediu uma recomendação, na quarta-feira (24), pedindo a adoção emergencial de ações para retirada dos garimpeiros ilegais que se instalaram na região do Rio Madeira. O MPF cobra uma atuação integrada de órgãos e autarquias federais e estaduais competentes, no prazo de 30 dias.

Em nota, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) confirmou a movimentação anormal de dragas e informou que será feito um diagnóstico apurando a real situação no local. O texto informa, também, que atividades de exploração mineral naquela região não estão licenciadas, portanto, se existindo de fato, são irregulares.

Além da mineração, o Ipaam destaca em nota que pode haver outras possíveis ilegalidades que devem ser investigadas, tais como: mão de obra escrava, tráfico, contrabando e problemas com a capitania dos portos.

Garimpeiros instalaram centenas de dragas e balsas nos últimos 15 dias no rio Madeira, no Amazonas. — Foto: REUTERS/Bruno Kelly

Garimpeiros instalaram centenas de dragas e balsas nos últimos 15 dias no rio Madeira, no Amazonas. — Foto: REUTERS/Bruno Kelly

O Ipaam ainda diz que está buscando informações, com intuito de planejar e realizar as devidas ações no âmbito de sua competência, integrado aos demais órgãos estaduais e federais, e informou que comunicaria o fato ao comando da Segurança Pública do Amazonas (SSP), além de pedir apoio federal para apurar a ocorrência.

Em nota, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informa que teve ciência do caso e, nesta terça-feira (23), reuniu-se com o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) para alinhar as informações, a fim de tomar as devidas providências e coordenar uma fiscalização de garimpo na região.

Também em nota, a Polícia Federal informou que tomou conhecimento das atividades ilícitas que estão ocorrendo no Rio Madeira, e "juntamente com outras instituições, estabelecerá as melhores estratégias para o enfrentamento do problema e interrupção dos danos ambientais".

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