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Integrantes do Ilê Aiyê, parentes e amigos fazem homenagem para mulheres mortas em operação no bairro do Curuzu

Moradores fazem homenagem a mulheres mortas após ação policial no Curuzu

Moradores fazem homenagem a mulheres mortas após ação policial no Curuzu

Integrantes do bloco afro Ilê Aiyê, parentes e amigos das duas mulheres mortas em uma operação policial no bairro do Curuzu, em Salvador, fizeram um ato na tarde desta terça-feira (8) em homenagem às vítimas.

O grupo se reuniu para uma oração no mesmo local e horário em que o crime aconteceu. Eles também acenderam velas e espalharam cartazes e flores pela rua Contenda, onde ocorreu o crime.

Maria Célia, de 73 anos, e Viviane Soares, de 40, estavam na porta de casa quando policiais em perseguição a um bandido, chegaram atirando e balearam as duas.

Integrantes do Ilê Aiyê, parentes e amigos fazem homenagem para mulheres mortas em operação policial no bairro do Curuzu — Foto: Redes Sociais

Integrantes do Ilê Aiyê, parentes e amigos fazem homenagem para mulheres mortas em operação policial no bairro do Curuzu — Foto: Redes Sociais

Maria Célia foi atingida na cabeça e morreu na hora. Já Viviane Soares foi atingida na costela, levada para o Hospital Ernesto Simões Filho, mas não resistiu aos ferimentos.

A Polícia Militar afirma que equipes da operação Apolo foram acionadas para verificar um carro que foi roubado no bairro de Nazaré e que estaria no Curuzu. De acordo com a PM, durante buscas na região, os policiais encontraram duas mulheres baleadas e levaram as vítimas ao Hospital Geral Ernesto Simões Filho.

Três policiais suspeitos de envolvidos nas mortes das duas mulheres já prestaram depoimento. No inquérito policial, também constam relatos de três testemunhas. O caso é investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa e as informações são da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA).

Segundo a SSP, de acordo com a versão apresentada pela guarnição, a equipe foi verificar uma denúncia de veículo com restrição de roubo, mas o suspeito, que estava dentro do veículo, tentou fugir e atirou. Segundo o relato dos policiais, nesse momento houve o revide. O homem não foi encontrado.

Enterro de mulher morta no Curuzu — Foto: Reprodução/TV Bahia

Enterro de mulher morta no Curuzu — Foto: Reprodução/TV Bahia

As mulheres foram enterradas no sábado (5). No mesmo dia o bloco afro Ilê Aiyê se manifestou sobre o fato nas redes sociais, lamentando as mortes.

"Esse comportamento policial nos nossos bairros precisa acabar. Queremos poder conversar com os nossos vizinhos em nossas portas, sem ter que morrer por isso", disse o Ilê Aiyê, em nota.

Viviane e Maria Célia morreram após ser baleadas no Curuzu — Foto: Arquivo pessoal/Arte G1

Viviane e Maria Célia morreram após ser baleadas no Curuzu — Foto: Arquivo pessoal/Arte G1

Ainda de acordo com a nota, Maria Célia fazia parte da agremiação desde a infância, e era carinhosamente chamada na comunidade de "Morena". Já Viviane participou Banda Erê, projeto social do Ilê Aiyê, que atende crianças carentes.

Viviane também era tia de um menino de 7 anos que morreu em novembro de 2020, em circunstâncias semelhantes. O menino Railan Santos da Silva foi morto a tiros, enquanto acompanhava uma partida de futebol no bairro.

Viviane e Railan, sobrinho dela, morto no Curuzu em novembro de 2020 — Foto: Arte/G1

Viviane e Railan, sobrinho dela, morto no Curuzu em novembro de 2020 — Foto: Arte/G1

A Polícia Civil informou que a 3ª DH/BTS investiga as mortes de Viviane e Maria Célia, e que o veículo roubado foi periciado, capsulas foram coletadas no local e outras perícias foram solicitadas. Guias de remoção também foram expedidas.

Sobre o caso de Railan, a Polícia Civil disse que o procedimento foi finalizado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e encaminhado para a Justiça, mas que não possuem mais detalhes.

'Não vai trazer a vida da minha filha', diz pai de Viviane

“As corporações estão cheias de despreparados, atirando de tudo quanto é jeito. E agora? Como fica essa vida que se foi? Duas vidas que se foram". Odesabafo emocionado é de Jair Pedreiro, pai de Viviane.

Jair questionou a atuação dos policiais militares, durante perseguição a suspeito, e afirmou que registrará queixa na corregedoria da corporação.

"Vou na corregedoria para ver como vai ficar. Não vai trazer a vida da minha filha, não. Minha filha não me deu desgosto. Minha filha corria atrás: trabalhava, fazia unha, fazia faxina. E agora, como é que fica essa situação?”, falou.

“Eles acabaram atingindo as duas, pela falta de preparo deles. Porque não havia nenhum motivo, porque era apenas um bandido, segundo eles. E eles dispararam sem ter para quê. A gente está bastante incomodado, porque o tempo todo os bairros periféricos sofrem esse tipo de abuso policial. Sempre fica impune”, falou um morador que não quis se identificar.

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