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Família do boxeador Hebert Conceição vibra após classificação do baiano nas Olimpíadas: 'Emoção demais'

Hebert Conceição venceu o chinês Erbieke Tuoheta e é mais um brasileiro classificado para as quartas de final do boxe nas Olímpiadas de Tóquio. — Foto: Reprodução / Redes Sociais

Hebert Conceição venceu o chinês Erbieke Tuoheta e é mais um brasileiro classificado para as quartas de final do boxe nas Olímpiadas de Tóquio. — Foto: Reprodução / Redes Sociais

O relógio não apontava nem 5h desta sexta-feira (29), mas a família do boxeador baiano Hebert Conceição, de 23 anos, já vibrava no bairro de Pau da Lima, em Salvador. O peso médio venceu o chinês Erbieke Tuoheta e é mais um brasileiro classificado para as quartas de final do boxe nas Olímpiadas de Tóquio.

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Ao G1, a irmã de Hebert, Nayrã Conceição, de 27 anos, contou que diferente do irmão, que conseguiu o objetivo e segue na luta pela medalha nas Olimpíadas, a família do baiano não conseguiu evitar a gritaria e acordou os vizinhos.

“Olhe, você não me pergunte não viu, homem? Que aqui foi uma agonia a manhã toda, o vizinho de baixo acordou, porque a gente não segurou a emoção, uma amiga minha veio dormir aqui, o sobrinho do meu marido...", disse a irmã de Hebert Conceição.

"Foi uma agonia, emoção do início ao fim, na verdade a gente nem dormiu”.

Família de Hebert Conceição se 'fardou' para torcer pelo boxeador — Foto: Arquivo Pessoal

Família de Hebert Conceição se 'fardou' para torcer pelo boxeador — Foto: Arquivo Pessoal

Mais de dez horas depois do baiano comemorar o avanço de fase em Tóquio, Nayrã continua assistindo os vídeos da luta contra o chinês.

“Eu estou aqui de virote, a gente não dormiu, mas foi emoção demais. Até agora eu dou replay na luta e fico assistindo. Foi muito emocionante e que bom que o resultado foi satisfatório”, contou.

Hebert Conceição e a irmã Nayrã— Foto: Arquivo Pessoal

Hebert Conceição e a irmã Nayrã — Foto: Arquivo Pessoal

A família de Hebert Conceição mora no bairro de Pau da Lima, em Salvador. O boxeador é o único filho de Ieda Conceição e irmão caçula de três mulheres.

Antes de se tornar boxeador, tentou ser jogador de futebol, lutador de jiu-jitsu e capoeirista. No entanto, foi nos ringues de boxe que ele se encontrou.

“Ele sempre disse que essa seria dele, que seria o destino dele”, disse Nayrã Conceição.

O baiano já ganhou uma medalha de bronze no Campeonato Mundial de 2019 e uma de prata no Pan-Americano de Lima, no Peru, no mesmo ano.

Hebert Conceição tem 23 anos e disputa primeira olimpíadas — Foto: Reprodução / Redes Sociais

Hebert Conceição tem 23 anos e disputa primeira olimpíadas — Foto: Reprodução / Redes Sociais

Brincalhão

Um dos momentos preferidos de Hebert Conceição é assistir aos jogos do Bahia com os amigos — Foto: Arquivo Pessoal

Um dos momentos preferidos de Hebert Conceição é assistir aos jogos do Bahia com os amigos — Foto: Arquivo Pessoal

Hebert Conceição foi definido como um "menino brincalhão", de "coração maravilhoso" e que está está sempre disponível para ajudar as pessoas.

Desde novo, apaixonado por esportes. Nayrã Conceição lembra de dividir momentos com o irmão, no sofá da sala, assistindo Copas do Mundo, Olimpíadas e outros campeonatos.

“A gente sempre acompanhava, eu estava falando com ele: ‘É, um dia desses a gente era criança, fazia pipoca para ficar assistindo Copa do Mundo, campeonatos, olimpíadas...”, disse.

“Todas as modalidades do esporte ele sabe todas as regras, ele sempre foi muito ligado ao esporte, sempre quis isso para ele”, afirmou a irmã de Hebert.

Hebert e Nayrã sempre acompanharam esportes juntos — Foto: Arquivo Pessoal

Hebert e Nayrã sempre acompanharam esportes juntos — Foto: Arquivo Pessoal

Ainda segundo Nayrã Conceição, o boxeador tenta ajudar garotos que têm o mesmo sonho dele, mas enfrentam dificuldades para se afirmar no esporte.

“As vezes têm uns meninos que têm um sonho de lutar boxe e não têm recursos e ele faz um esforço, tenta acreditar nos sonhos das pessoas. Ele é um menino que tem um coração muito bom, só quem conhece ele de verdade, sabe como ele é”.

Surpreendido ao som de 'Baêa'

Família de Hebert foi à Aracaju para torcer pelo baiano — Foto: Arquivo Pessoal

Família de Hebert foi à Aracaju para torcer pelo baiano — Foto: Arquivo Pessoal

Em 2015, Hebert Conceição já estava acostumado a colocar medalhas no pescoço após lutar contra os adversários. Durante a disputa de um Campeonato Brasileiro, na cidade de Aracaju, ele foi surpreendido pela família.

“Ele ia lutar a final em Aracaju, estava todo mundo sozinho, sem a família, a gente falou um dia antes de noite: ‘Iai? Amanhã de manhã, vamos pintar lá? Vamos!’”, contou Nayrã.

Foi assim que a irmã de Hebert, o cunhado, a mãe e uma amiga dele, decidiram ir até o ringue e fazer uma grande festa.

“Saímos aqui de Salvador, eu, meu marido, minha mãe e uma amiga nossa, que também foi parceira dele no começo de tudo. A gente acordou cedo, pegou um ônibus e ficamos na torcida, na arquibancada e ele não sabia", disse.

Hebert Souza com o pai Jorge e a madrasta — Foto: Arquivo Pessoal

Hebert Souza com o pai Jorge e a madrasta — Foto: Arquivo Pessoal

Na chega ao ginásio, a surpresa de Hebert Conceição. Ele olhou para a arquibancada e com certeza criou forças para ganhar mais uma disputa.

"Quando ele entraram no ginásio, que ele olhou para a arquibancada, a gente gritando: ‘Baaaaaêaaa’. Ele olhou e ficou sem acreditar: ‘Rapaz, eu não acredito, vocês são demais’", lembrou.

A volta do quarteto para para Salvador foi de muito festejo, junto com a delegação.

“Ele sempre é campeão, modéstia à parte, dá licença”, brincou.

“Todo mundo brincou, ele foi campeão nesse ano, acho que foi em 2015. Nós acabamos voltando no ônibus da delegação, todo mundo amontoado, os atletas cansados e a família de Hebert lá fazendo uma bagunça, foi muito legal”, disse Nayrã.

Torcida da mãe é aliada de orações

Léo Bahia, amigo de Hebert, tirou foto com Ieda concentrada — Foto: Arquivo Pessoal

Léo Bahia, amigo de Hebert, tirou foto com Ieda concentrada — Foto: Arquivo Pessoal

Se for dia luta de Hebert Conceição, é certo que a mãe dele, Ieda, vai pegar a imagem de Nossa Senhora e vai se preparar para torcer.

“Quem tem muita superstição é minha mãe, ela é cheia de oração, cheia de imagens de Nossa Senhora, cheia de terço. Ela sempre dá para ele terços para ele orar, ela é muita católica”, contou a mãe.

Nessa quinta-feira, o "ritual" se manteve e o baiano conseguiu a vitória. O momento foi registrado pelo amigo da família, Léo Bahia.

Hebert e a mãe Ieda — Foto: Arquivo Pessoal

Hebert e a mãe Ieda — Foto: Arquivo Pessoal

Mas a superstição de Hebert Conceição é ficar perto da família. Mesmo de longe, em Tóquio, ele procurou formas para manter a tradição e ligou para os familiares.

“Ele sempre fica: “Está bom, mãe, reza aí”. Ele sempre faz questão de falar com todo mundo da família, com a namorada, com a gente, sempre que vai lutar”, revelou a irmã do baiano.

Classificação para quartas

Hebert Conceição estreou com vitória no torneio de boxe dos Jogos Olímpicos de Tóquio, nesta quinta-feira, ao vencer o chinês Erbieke Tuoheta, por pontos, em decisão dividida dos jurados, por 3 a 2.

Dois juízes deram pontuação a favor do brasileiro (30 a 27 e 29 a 28 duas vezes), enquanto outros dois apontaram o adversário como vencedor (29 a 28).

Hebert Conceição volta a lutar no domingo (1°), diante de Abilkhan Amankul, do Cazaquistão. Uma nova vitória garante ao baiano pelo menos a medalha de bronze.

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