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Enfermeira faz desabafo na web e posta foto após ser agredida pelo marido: 'Último olho roxo que ele deixou'

Mulher postou a foto das marcas das agressões que sofreu em dezembro do ano passado — Foto: Arquivo pessoal

Mulher postou a foto das marcas das agressões que sofreu em dezembro do ano passado — Foto: Arquivo pessoal

Uma enfermeira de 37 anos fez uma postagem nas redes sociais para denunciar as agressões que sofria do marido em Marília (SP). Junto com a mensagem publicada no último sábado (5), a mulher postou uma foto da última agressão que sofreu, que mostra um dos olhos roxo.

"Nenhuma mulher mais, independente de qualquer circunstância ou ameaça, ficará calada enquanto houver outras violentadas. Violeta é a cor que marca a luta de resistência ao último roxo que ele deixou”, diz na mensagem.

O marido, de 38 anos, chegou a ser preso no sábado após a vítima registrar um boletim de ocorrência por ameaça. Mas foi liberado no dia seguinte após a audiência de custódia e concessão da medida protetiva.

Em entrevista ao G1, a enfermeira, que pediu para não ser identificada, contou que foi casada por 14 anos e durante todo esse período sofreu vários tipos de violência e ameaças. A foto que faz parte da postagem foi tirada em dezembro do ano passado quando ela foi agredida no local de trabalho.

"Foi a última vez que ele me agrediu fisicamente, por isso coloquei a foto para mostrar que estava dando um basta e aquela tinha sido a última vez. Foram vários ciclos durante esses 14 anos de relacionamento e sofri agressões muito mais graves. Tive um traumatismo craniano, ele me queimou com cigarro depois de 13 dias da cesárea, eu com minha filha no colo."

"O olho roxo foi a última vez para mostrar que estava dando um basta. É muito difícil sair de uma situação abusiva, mas, temos que fechar o ciclo, se livrar desse círculo vicioso."

Na época ela chegou a registrar boletim de ocorrência e saiu de casa por 5 dias, mas como os três filhos do casal, um menino de 10 anos e duas meninas de 5 e 3 anos, ficaram com o marido, a enfermeira acabou voltando e retirou a queixa.

"Muitas pessoas ao redor da gente não sabiam de toda a situação porque só duas amigas minhas sabiam um pouco do que acontecia, das agressões, porque eu mesma minimiza as coisas. Começaram a falar que ele estava mal, que nunca tinham visto ele daquela forma e eu acabei me sensibilizando. Pensei em mim, se eu gostaria de ter mais uma chance e acabei cedendo. É uma situação complicada, uma dependência emocional que precisa ser quebrada. Você tem que sair de um círculo vicioso."

Novas ameaças

Ao longo de seis meses, desde que voltou para casa, várias situações ocorreram que culminaram na ameaça do último sábado, quando a mulher decidiu procurar a polícia para denunciar a violência que sofria.

"O mês de janeiro, quando voltei, foi o melhor dos 14 anos de casamento, mas aos poucos ele foi voltando ao que sempre foi. Ele podia não me bater mais, mas a violência psicológica e emocional é o que dói mais. Eu tenho o meu trabalho, minha empresa e minha independência financeira, mas eu num tinha minha independência dentro da minha própria casa."

Segundo a enfermeira, as filhas foram um dos principais motivos para denunciar a situação e dar um basta no relacionamento.

"Eu pensei nas minhas filhas, eu não queria ser esse exemplo de mulher, que as minhas filhas cresçam achando que isso é amor, que pode bater, que é normal porque com a minha mãe é assim. Quando no sábado, na oração que fazemos antes de comer, minha filha pediu a Deus que eu e meu marido não brigássemos mais. Aquilo me motivou, porque elas presenciaram muita coisa e esse não é um futuro que eu quero para elas."

Pela medida protetiva expedida pela Justiça, o marido não pode se aproximar dela e nem de familiares, porém a enfermeira busca a extensão da medida para o local de trabalho.

"Como ele é sócio na empresa, a medida não se estende para o local de trabalho, então corro risco de encontrá-lo na empresa, então ainda é muito falho. Nós temos essa proteção que nos dá certa segurança, mas a gente fica engessado sem saber o que fazer porque envolve várias questões burocráticas, como o divórcio, as crianças, o trabalho. Apesar da existência da rede de apoio para mulheres nessa situação, não tem ainda como atender todas as demandas", desabafa.

Apoio nas redes

Mulher usou as redes sociais para denunciar as agressões do marido em Marília — Foto: Facebook/ Reprodução

Mulher usou as redes sociais para denunciar as agressões do marido em Marília — Foto: Facebook/ Reprodução

No entanto, ela ressalta que tem recebido muito apoio de amigos e familiares e, por causa da postagem, muitas pessoas até então desconhecidas se sensibilizaram com a situação.

"Eu achei que ia sofrer muitas retaliações, porque as pessoas muitas vezes julgam, não entendem como a gente pode aceitar esse tipo de situação por tanto anos, mas foi o contrário, eu me senti muita acolhida, abraçada mesmo por essas pessoas que me enviaram mensagens de apoio, pessoas que eu nem conhecia e me apoiaram. A maioria mulheres, 95% das pessoas, mas alguns homens também ficaram perplexos com a atitude dele."

"Foi um misto de sentimentos que me fez fazer a postagem. Eu queria dizer que dei um basta, que nunca mais eu passaria por aquela situação, mas eu expus também porque queria que ele se sentisse envergonhado pelo o que ele fez, que uma outra pessoa falando ele ia ver que isso não é amor, porque era assim que ele justificava, que ele estava me corrigindo, porque me amava. Mas isso num é amor."

Para a enfermeira, compartilhar a história também é uma forma de encorajar outras mulheres que estão presas em relacionamento abusivos.

"É início também do meu processo de cura, vai ser sofrido e demorado, mas eu vou colher meus caquinhos e recomeçar. Tudo que eu tive que passar para me afastar dessa pessoa que era tóxica para mim e agora eu sinto que vou poder viver, viver a minha vida, sem manipulações".

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