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Nobel de Economia estudou disparidade salarial e racial no Brasil

Um dos três premiados com o Nobel de Economia analisou recentemente os salários e a desigualdade racial no Brasil. David Card é parte do grupo de quatro pesquisadores que fez uma avaliação nada positiva sobre a nossa realidade: brasileiros não brancos têm trabalho em empresas que pagam salários menores, e, dentro de cada companhia, a renda desse grupo é mais baixa que a dos brancos nas mesmas funções. Para resolver o problema, os pesquisadores sugerem reduzir a disparidade educacional no país e dentro das próprias empresas.

O estudo “Combinação sortida ou contratação excludente? O impacto das políticas empresariais nas diferenças raciais dos salários no Brasil” foi publicado em 2018 pelo NBER, o Bureau Nacional de Pesquisa Econômica dos Estados Unidos.

A pesquisa é assinada pelo Nobel de Economia e também pelos pesquisadores da Universidade de Columbia François Gerard e Lorenzo Lagos, e por Edson Severnini, pesquisador da Universidade Carnegie Mellon e economista formado com especialização na USP (Universidade de São Paulo) e PUC-RJ.

A pesquisa mapeou a disparidade salarial entre raças no Brasil e avaliou que as próprias empresas podem potencializar esse problema. Os pesquisadores avaliaram que há menor probabilidade de que não brancos trabalhem com empregadores que pagam os maiores salários e, dentro das empresas que pagam salários mais baixos, os não brancos tendem a ter salários inferiores na comparação com brancos.

O estudo do Nobel de Economia diz que a disparidade salarial e racial no Brasil é “particularmente grave para os não brancos no topo das carreiras”. E essa sub-representação é especialmente maior no setor bancário e financeiro.

Para tentar contornar a situação, os pesquisadores destacam a importância dos investimentos para reduzir a disparidade educacional que prejudica principalmente trabalhadores negros. Outra observação é que as empresas precisam ter cuidado com os treinamentos e a orientação dada aos próprios empregados, porque, segundo o estudo, isso pode favorecer brancos e piorar ainda mais essa disparidade.

O estudo nota ainda que, apesar das medidas para a entrada no ensino superior, o Brasil não tem políticas afirmativas que levem em consideração a raça para a contratação no setor privado. Esse tipo de estratégia, lembra a pesquisa, acontece com empresas com contratos públicos nos Estados Unidos e apresenta resultados positivos. “No entanto, ainda não se sabe quais seriam os efeitos de políticas semelhantes para a qualidade geral da combinação de não brancos no mercado de trabalho e se esses efeitos se generalizariam para um contexto latino-americano”.


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