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Inflação para despesas no lar cai em abril, após 14 meses de alta

A pressão inflacionária nos custos com o lar caiu 1,14% em abril deste ano, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado nesta quarta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Foi a primeira retração do indicador para o segmento desde fevereiro de 2021, depois de emplacar 14 altas consecutivas. Dados do IBGE ainda apontam que o setor de habitação foi o único segmento que apresentou deflação em abril.

A queda nos custos mensais dos imóveis brasileiros foi puxada principalmente pela redução no preço da energia elétrica residencial, que caiu 6,2% neste mês. No acumulado de 2021, segundo o IPCA, impactada pela pior crise energética dos últimos 90 anos, a conta de luz registrou um aumento superior a 20%.

De acordo com o economista André Braz, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a queda é reflexo do fim da bandeira tarifária de escassez hídrica. Ele destaca que, no IPCA do mês de maio, a energia elétrica deve continuar em baixa, mas que esses resultados não serão definitivos.

“Pelas nossas contas, a deflação da energia nesses dois meses vai ser de 12%, mas a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) tem autorizado alguns reajustes em torno de 20% nos principais estados do país. Com isso, a gente calcula que a energia vai ter variação positiva entre 8 ou 10% em 2022”, afirma.

Para André Braz, o grupo de habitação não terá um saldo negativo por muito tempo, já que além dos reajustes praticados pelas distribuidoras de energia, variáveis climáticas também influenciam na geração de energia no Brasil. “Dependendo de como será o outono e o inverno, com menos ou mais chuvas, pode ser que no fim do ano tenhamos uma energia com bandeira amarela ainda”, completa.

Ainda segundo a divulgação do IBGE, na categoria de habitação, o subgrupo que apresentou maior aumento em abril foi o carvão vegetal, como combustível doméstico. Na comparação com o mês anterior, o carvão apresentou alta de 4,62%.

Para André Braz, essa alta acontece por conta do crescimento do preço do gás de cozinha, que faz as famílias recorrerem a outras fontes de energia para preparação de comida.

“É um retrato da pobreza, a medida que a renda é corroída pela inflação, as famílias começam a optar por energéticos mais baratos. O problema é que isso representa um risco de incêndio, tanto o carvão como o uso de outros combustíveis, como álcool”, avalia.

O custo do botijão para o consumidor já registra, em pouco menos de três anos, aumento de 64%, ou R$ 45 a mais, no orçamento de 98% das famílias brasileiras, que usam o combustível para cozinhar.

IPCA mantêm alta inflação para quase todos os segmentos

Divulgado nesta quarta-feira (11), o IPCA, que mede a inflação oficial do país, desacelerou para 1,06% em abril na comparação com o mês anterior. No entanto, esse foi o maior resultado para o mês de abril desde 1996 (1,26%). Em março, o índice havia ficado em 1,62%.

No acumulado do ano, a inflação teve uma alta de 4,29%. Já nos últimos 12 meses, o índice apresenta um valor de 12,13%, acima dos 11,30% observados nos 12 meses imediatamente anteriores.

Enquanto os gastos com habitação apresentaram queda, as categorias de alimentação e bebidas e dos transportes ‘pesaram’ no IPCA de abril. Juntos, os dois grupos contribuíram com cerca de 80% do índice.

Em alimentos e bebidas, a alta foi puxada pela elevação dos preços dos alimentos para consumo no domicílio (2,59%). No caso dos transportes, a alta foi impulsionada, principalmente, pelo aumento nos preços dos combustíveis, assim como no mês anterior, com destaque para gasolina, com alta de 2,48%.


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