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Setor de cruzeiros estima que temporada 2022/23 terá 43% a mais de passageiros

A próxima temporada de cruzeiros no Brasil poderá ter recorde de passageiros, de acordo com estimativas da Associação Brasileira de Navios Cruzeiros – braço nacional da Cruise Lines Internacional Association (CLIA). Na temporada 2022/2023, que vai de 29 de outubro deste ano a 20 de abril de 2023, oito navios irão levar 674 mil passageiros para destinos dentro e fora do país.

As estimativas para este ano ultrapassam os patamares da temporada 2019/2020, última antes da pandemia, quando foram 470 mil passageiros. A alta, na comparação, é de 43,4%. Para o presidente da CLIA Brasil, Marco Ferraz, os números de 2022 são um indício da retomada dos investimentos das empresas no Brasil.

“Temos uma quantidade enorme de turistas com vontade represada de viajar e isso está tendo um reflexo positivo para o Brasil. E esse ano, diferente do ano passado, vamos voltar a receber os navios internacionais. Ou seja, o Brasil volta para a rota das companhias marítimas mais importantes”, afirma Ferraz.

Além das oito embarcações de cabotagem, que ficam mais de um mês atracadas, o país vai receber também 35 embarcações de longo curso, que saem de destinos internacionais, param no Brasil e seguem seus itinerários. Elas farão 309 paradas em 45 destinos, como Amazonas, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul, com grande expectativa de impacto econômico local.

Já os navios de cabotagem partirão dos portos de Itajaí, em Santa Catarina, Maceió, em Alagoas, Rio de Janeiro, Salvador, na Bahia, e Santos, em São Paulo. As embarcações percorrerão 160 roteiros e 486 escalas em 17 destinos; 14 nacionais e três fora do país – Buenos Aires, na Argentina, e Montevidéu e Punta del Este, no Uruguai.

Impacto na economia

O presidente da CLIA Brasil, Marco Ferraz, destaca que os ganhos gerados pela circulação dos navios de cabotagem serão próximos de R$ 350 milhões, com 50 a 100 mil passageiros durante a temporada. Estudos calculam que o impacto diário de um turista no país é de R$ 557 e a cada 13 passageiros, é criado um emprego.

Ferraz explica que mais de 95% dos passageiros dos navios de longo curso são estrangeiros e que, em média, os gastos desse público são maiores do que os dos brasileiros, por volta de 100 a 150 euros, cerca de R$ 830. Apesar da retomada, Ferraz afirma que o Brasil ainda tem um grande potencial turístico a ser explorado.

“Por melhor que seja esse dado de crescimento dos passageiros, o Brasil ainda tem muito para crescer. Se dividimos esses 600 mil cruzeiristas pela população do país, vemos que não representam nem 0,5% do total. Ou seja, é uma penetração muito baixa ainda. Nos Estados Unidos, por exemplo, esse número chega a 4%, nas Austrália, 6%. Se aqui nós chegarmos a 2%, já teremos cerca de 4 milhões de passageiros”, afirma o presidente da CLIA Brasil.

Para o economista da PUC-Rio Roberto Simonard, toda a logística de apoio aos navios impacta de forma positiva a economia brasileira porque gera emprego e renda no país.

Já Gilberto Braga, economista do Ibmec RJ, lembrou que o turismo foi um dos setores mais prejudicados pela pandemia, o que gerou uma demanda reprimida por esse tipo de viagem.

“O aumento da demanda tem a ver com essa privação que as pessoas passaram e a rota de turismo dos cruzeiros se encaixa exatamente nisso. Logo, é uma grande receita para as cidades litorâneas que são servidas por esses roteiros”, afirma o economista.

Retomada das viagens paralisação pela pandemia

Em 2022, a temporada de cruzeiros foi retomada no dia 5 de março, devido à melhora do cenário epidemiológico no país. A volta das viagens aconteceu após seguidas suspensões. No dia 31 de dezembro de 2021, a Anvisa recomendou a suspensão temporária dos cruzeiros, com previsão inicial de retomada para o 21 de janeiro de 2022.

Já no dia 12 de janeiro, a agência de saúde recomendou ao Ministério da Saúde e à Casa Civil da Presidência da República a suspensão definitiva da temporada de cruzeiros por conta da evolução dos casos de Covid e, em especial, ao “aumento vertiginoso do número de casos em embarcações”.

A suspensão foi estendida voluntariamente pelas companhias para o dia 4 de fevereiro, depois para o dia 18 do mesmo mês, e enfim, para o dia 4 de março.


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