Carregando...

Adolescente guia grupos de observação de aves e sonha em ser biólogo

Guto começou a passarinhar com nove anos e hoje em dia ensina crianças sobre a prática. — Foto: Osvaldo Fernandez

Guto começou a passarinhar com nove anos e hoje em dia ensina crianças sobre a prática. — Foto: Osvaldo Fernandez

“Quando ele tinha apenas quatro anos a professora do jardim me chamou e disse que imaginava ele, quando crescesse, fazendo documentários no meio do mato, explicando tudo sobre os animais”, conta Vanessa Canabarro, mãe do Augusto Pötter, hoje com 15.

Filho de dois advogados, a paixão pela natureza simplesmente parece ter nascido com o menino, que desde muito pequeno tinha dois hobbys preferidos: visitar o jardim botânico de Porto Alegre e passar horas e horas nas livrarias pedindo para os pais lerem livros sobre a natureza e, tempos depois, lendo com os próprios olhos.

“Nunca fui popular, sempre preferi estar no mato e aprendendo mais sobre os bichos em programas de televisão e em livros, mas foi com oito ou nove anos que encontrei o COA-POA (Clube de Observadores de Aves de Porto Alegre) e me encantei mais especificamente pelas aves. Comecei a sair para observar as espécies e nunca mais parei”, diz Augusto, ou Guto, como é conhecido.

O encontro com o crejoá (Cotinga-maculata) na Bahia está entre os favoritos do adolescente, já que a ave é considerada extremamente rara. — Foto: Augusto Pötter

O encontro com o crejoá (Cotinga-maculata) na Bahia está entre os favoritos do adolescente, já que a ave é considerada extremamente rara. — Foto: Augusto Pötter

Encontrar o grupo foi um divisor de águas. “Como mãe eu senti que trouxe para a nossa família uma maior segurança nos passeios pela mata, mas também que fez emergir no Guto um sentimento de pertencimento, ele encontrou pessoas que falavam a língua dele, que gostavam das mesmas coisas, foi e é algo incrível”.

Em um dos passeios com os outros observadores o registro favorito aconteceu. Apesar de preferir observar e não fotografar as aves, Guto utiliza uma câmera P-900 que pegou do pai para flagrar alguns momentos. “Mesmo antes de começar a observar aves eu já queria ver uma águia-cinzenta, porque lia sobre ela nos livros. Em um dia de trilha pela cidade de São Francisco de Paula consegui ver a espécie voando com toda aquela elegância e imponência. Nunca vou me esquecer da sensação que senti, foi demais”.

Tendo como mentores ornitólogos experientes, Guto já soma um currículo impressionante: mais de seis anos de experiência em campo com as aves, foi selecionado para o evento "Young Birders 2020", proporcionado pela Universidade de Cornell de Nova Iorque, onde também faz o curso "Birds of the World" através de uma plataforma digital. Além disso tem uma conta no e-Bird, onde reúnem seus registros.

O encontro com uma águia-cinzenta (Harpyialiaetus-coronatus) é o mais marcante e o favorito na vida do Guto. — Foto: Augusto Pötter

O encontro com uma águia-cinzenta (Harpyialiaetus-coronatus) é o mais marcante e o favorito na vida do Guto. — Foto: Augusto Pötter

Essa paixão pelos animais e pela natureza é algo que vem dele, não dá para explicar. Desde muito novo ele pedia os mais diferentes aniversários. Com 10 anos, por exemplo, ele mesmo descobriu uma pousada no meio da Amazônia e pediu para irmos até lá.
— Vanessa Canabarro

"Meu sonho é ser biólogo, me especializar em aves me tornando ornitólogo e escrever um artigo científico. Na verdade já até comecei a minha pesquisa, já que estou observando todo o processo reprodutivo do veste-amarela e entendendo melhor toda questão do dimorfismo sexual da espécie", esclarece Guto.

Com toda experiência, o adolescente já guia grupos de observação, como em um evento realizado recentemente no Jardim Botânico. "Faço palestras há algum tempo sobre observação de aves para crianças menores da minha escola que estão aprendendo sobre esses animais. Elas têm a idade que eu tinha quando comecei de fato a passarinhar. Por isso decidi fazer uma saída com elas e com os pais pelo parque. Conseguimos ver diversas aves e foi super bacana", acrescenta.

Um projeto especial também está sendo desenvolvido: levar para passarinhar crianças da cidade de Porto Alegre que foram acolhidas pelo Ministério Público e se encontram em abrigos. Escola, palestras, projetos, pesquisas científicas, saídas guiadas, muita leitura. Dá para perceber que as aves consomem quase todo tempo de Augusto, que parece não se importar: "observar aves e estudar sobre elas é a minha vida, é o que me motiva a acordar cedo e ir para a mata, é o que me desestressa, é meu hobby que um dia eu espero que se torne profissão", finaliza.

Guto estuda atualmente o veste-amarela (Xanthopsar-flavus). — Foto: Augusto Pötter

Guto estuda atualmente o veste-amarela (Xanthopsar-flavus). — Foto: Augusto Pötter

Confira outros registros

De acordo com Guto, o cardeal-do-banhado (Amblyramphus-holosericeus) foi o destaque da primeira foto boa que conseguiu.A — Foto: Augusto Pötter

De acordo com Guto, o cardeal-do-banhado (Amblyramphus-holosericeus) foi o destaque da primeira foto boa que conseguiu.A — Foto: Augusto Pötter

O aracuã-escamoso (Ortalis-squamata) também é destaque no acervo. — Foto: Augusto Pötter

O aracuã-escamoso (Ortalis-squamata) também é destaque no acervo. — Foto: Augusto Pötter

A mocho-diabo (Asio-stygius) vive em áreas de cerrado e em florestas artificiais de pinheiros, na Amazônia, Centro-oeste, Sudeste e Sul. — Foto: Augusto Pötter

A mocho-diabo (Asio-stygius) vive em áreas de cerrado e em florestas artificiais de pinheiros, na Amazônia, Centro-oeste, Sudeste e Sul. — Foto: Augusto Pötter

A ema também é conhecida como nandu, nhandu, guaripé e xuri em algumas partes do Brasil. — Foto: Augusto Pötter

A ema também é conhecida como nandu, nhandu, guaripé e xuri em algumas partes do Brasil. — Foto: Augusto Pötter

O papa-piri (Tachuris-rubrigastra) se alimenta principalmente de insetos. — Foto: Augusto Pötter

O papa-piri (Tachuris-rubrigastra) se alimenta principalmente de insetos. — Foto: Augusto Pötter


Deixe uma resposta

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados*