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Unicamp aposta em terceirização de anestesistas pela 1ª vez diante de déficit e alta em demanda no HC

Fachada do HC da Unicamp, em Campinas — Foto: Antoninho Perri/Unicamp

Fachada do HC da Unicamp, em Campinas — Foto: Antoninho Perri/Unicamp

Em meio à demanda reprimida de cirurgias eletivas decorrente da pandemia, a Unicamp decidiu apostar pela primeira vez em uma ação focada na terceirização dos médicos anestesistas para suprir o déficit de profissionais e, ao mesmo tempo, diminuir a fila de pacientes em espera. Atualmente, o Hospital de Clínicas (HC) tem 21 concursados nesta especialidade, mas estima necessidade de chegar a 38 para manutenção de atividades, o que resultou na busca por credenciamento.

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"A expectativa da Unicamp com a contratação emergencial destes colaboradores é retornar aos níveis de produção históricos e atender ao crescimento da demanda acarretado pela redução e represamento causados pela pandemia", diz nota da universidade, ao destacar situação excepcional, após questionamentos do g1 via Lei de Acesso à Informação (LAI). Veja abaixo detalhes da ação e o que diz o sindicato dos servidores (STU), contrário à iniciativa.

Quadro insuficiente

Coordenadora de assistência no HC, a professora e cirurgiã Elaine Cristina de Ataide, que no fim deste mês tomará posse como primeira mulher eleita para a superintendência do hospital, explicou que em maio a Unicamp começou a trabalhar com terceirizações de anestesistas porque os concursos, mesmo abertos, têm sido insuficientes para a unidade completar as lacunas do quadro.

O HC da Unicamp, localizado em Campinas (SP), é referência para 6,5 milhões de habitantes em 86 cidades. Desde maio, o hospital solicitou 22 anestesistas, dos quais 15 chegaram a ser credenciados. Nesta semana, contudo, a unidade conta com 11 profissionais nesta modalidade.

Elaine ressaltou que a medida é complementar aos concursos, não visa uma substituição, e tem amparo legal justamente porque a universidade não tem conseguido alcançar preenchimento integral nos processos seletivos, o que atrasa a vazão dos procedimentos cirúrgicos.

A fila total de cirurgias previstas não foi confirmada, mas um levantamento recente do hospital indicou pelo menos 100 pessoas à espera de implante coclear (dispositivo para recuperação auditiva) e aproximadamente 1 mil que necessitam de algum procedimento ortopédico. Neste caso, diz o HC, as pessoas são convocadas para reavaliação porque parte fez em outro local ou houve piora do quadro.

"A gente tem um histórico com pelo menos nove processos seletivos sem conseguir o preenchimento em dez anos. Isso [contratações] foi feito por intermédio da reitoria, envolvendo a procuradoria. Existe a possibilidade de colocar o auxílio de um profissional jurídico [PJ] quando os concursos, em vigência ou até iminência, não conseguem suprir o quadro. É de bom tom que a gente mantenha concursos", ponderou. A coordenadora lembrou que em 2021 um processo seletivo teve apenas dois inscritos, e um mais recente, realizado neste ano, contabilizou seis interessados que foram homologados.

A médica e professora Elaine de Ataide, do HC da Unicamp — Foto: Antonio Scarpinetti/Unicamp

A médica e professora Elaine de Ataide, do HC da Unicamp — Foto: Antonio Scarpinetti/Unicamp

Diferenças e outras áreas com déficit

Elaine explicou que os concursados atuam em regime de 24 horas, enquanto os terceirizados trabalham em escala de seis a 12 horas, uma vez que geralmente já têm outros compromissos profissionais previstos. Para ela, o baixo interesse nos concursos ocorre por conta da proximidade com São Paulo, e pelo fato de que unidades particulares oferecem condições financeiras superiores.

"Isso [quantidade de credenciamentos] muda mês a mês. Hoje, o aproveitamento do centro cirúrgico está em 57%. São 12 salas em que ocorrem dois procedimentos cedo e dois à tarde, e mais três salas de urgência, geralmente com mais duas cirurgias por período, cedo, à tarde e à noite", frisou.

Segundo ela, outras duas áreas do hospital contam com terceirizados desde a pandemia, por conta da necessidade de contratações em caráter emergencial. A continuidade, explicou, também ocorreu por conta de aumento em demandas e impossibilidade de preenchimento do quadro só com concursos.

"São os intensivistas e emergencistas na porta do pronto-socorro, plantonistas [...] Isso se agravou no momento da pandemia, várias pessoas pediram demissão, se afastaram, agora que retomamos as cirurgias eletivas a gente busca a recomposição", falou Elaine sem estimar o déficit total no HC, mas com a ressalva de que o hospital enfrenta a mesma dificuldade para preencher os postos.

Detalhes sobre concursos em andamento na Unicamp podem ser conferidos na página da Diretoria Geral de Recursos Humanos e no site da Funcamp (Fundação de Desenvolvimento da Unicamp).

Sindicato se opõe

Conselheira universitária e diretora do sindicato que representa os servidores (STU), Gabriela Barros afirmou que a entidade é contrária à terceirização. "O sindicato se opõe às contratações temporárias e terceirizadas. Defendemos contratações por concursos públicos e investimento nas universidades", frisou ao mencionar que em períodos anteriores já ocorreram terceirizações de contratações, via Funcamp, e há um acordo antigo que limitaria a quantidade em até 30% nos hospitais.

"Na pandemia, com essas contratações emergenciais, essa porcentagem foi desequilibrada. Será corrigida aos poucos com as futuras contratações já aprovadas no Consu [Conselho Universitário]."

Elaine, contudo, defendeu que o processo tem sido conduzido de maneira tranquila. "É uma medida para ajudar os pacientes. A gente tem deficiência no quadro e continuamos com os concursos".

Em nota, a Unicamp também mencionou que ainda não tem uma avaliação qualitativa sobre a terceirização dos anestesistas até o momento.

"Não temos ainda uma avaliação sobre a efetividade deste modelo de contratação, tanto pelo pouco tempo em que está sendo aplicado como pela excepcionalidade de sua utilização. A experiência de outras unidades de saúde do município e do estado de que temos conhecimento sinaliza para um bom grau de satisfação, seja pelos serviços contratantes assim como pelos profissionais contratados."

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