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'Pokémons' do Brasil: ilustrador desenvolve personagens inspirados na natureza e na cultura do país

Cerca de 70 espécies da fauna serviram de inspiração para os personagens — Foto: Bágdex/Divulgação

Cerca de 70 espécies da fauna serviram de inspiração para os personagens — Foto: Bágdex/Divulgação

A fauna e a flora brasileira ganharam novas 'versões' digitais: o ilustrador e designer gráfico, Wagner Janelli, conhecido como Bág, desenvolveu personagens animados, parecidos com os famosos 'Pokémons', inspirados em espécies do Brasil.

'Bágmon' (nome que faz referência ao apelido do artista e aos Pokémons) foi o título escolhido para os 'monstrinhos'. "Atualmente existem mais ou menos 23 Bágamons que referenciam a flora brasileira e cerca de 70 inspirados na fauna. O restante está distribuído em cultura, mitos, lendas e comidas típicas do país, além de memes do Brasil", conta.

Espécies da fauna e da flora do Brasil serviram de inspiração para os personagens — Foto: Bágdex/Divulgação

Espécies da fauna e da flora do Brasil serviram de inspiração para os personagens — Foto: Bágdex/Divulgação

O início: bem-te-vi, memes e pokémons

Em oito meses de projeto 151 Bágmons foram desenvolvidos pelo ilustrador, que começou com o hobby há 20 anos, quando assistia ao desenho dos Pokémons na televisão. "Eu sentava e desenhava os 151 monstrinhos em cartolina. Fiz isso incontáveis vezes até que, em 2021, quando o meme do bem-te-vi estourou na internet, tive a ideia de desenhá-lo como Pokémon, já que é um animal com nome onomatopeico e essa é uma característica dos personagens no anime", lembra.

"Desenhei ele com mais duas evoluções e o vídeo viralizou, com mais de um milhão de visualizações. Nos comentários começaram a surgir pedidos de mais personagens, foi quando percebi que seria uma oportunidade de investir nesse projeto autoral, agora de forma mais 'séria' e com as habilidades de ilustração que desenvolvi ao longo do tempo", completa 'Bág', que encontrou na prática uma chance de divulgar ciência e conhecimento. "No começo eu fazia puramente por diversão, mas logo depois de um tempo percebi o poder de divulgação científica e cultural do projeto. Hoje o principal objetivo é enaltecer a fauna, a flora e a cultura do nosso país de forma lúdica e divertida".

As animações são compartilhadas nas redes sociais do ilustrador, mas já existem planos para que os desenhos tenham novas funções. "Eu e mais dois amigos estamos desenvolvendo um aplicativo e um jogo de cartas. Pretendemos também desenvolver um jogo mais elaborado e expandir para histórias em quadrinhos e produtos diversos. Algumas pessoas do ramo educacional mandaram mensagens informando que estão usando os Bágmon em sala de aula para ensinar sobrea a fauna e a flora brasileiras às crianças; isso é engrandecedor demais para o projeto", completa.

Eu não imaginava nem de longe a repercussão que o projeto está tomando. Comecei ele como um hobby, e hoje é o projeto mais importante da minha vida. Diante dessa repercussão, eu mal sei como reagir apropriadamente, pois é algo muito grande. Eu gostaria de agradecer a cada um pessoalmente, mas infelizmente (ou felizmente no ponto de vista do projeto) isso já começou a ficar inviável
— Wagner Janelli, ilustrador e designer gráfico
O ilustrador leva de 3 a 4 horas para desenvolver o personagem, desde o esboço até a postagem oficial — Foto: Bágdex/Divulgação

O ilustrador leva de 3 a 4 horas para desenvolver o personagem, desde o esboço até a postagem oficial — Foto: Bágdex/Divulgação

Inspiração na natureza

Entre tantas espécies típicas do Brasil fica difícil escolher quais serão representadas nos personagens, por isso 'Bág' usou alguns critérios: optou por ilustrar animais comuns do país, assim como espécies ameaçadas de extinção. "Acho muito importante que o projeto também tenha um teor de conscientização sobre nossas espécies. No aplicativo que estamos desenvolvendo haverá um espaço para deixar isso em evidência, além de outras informações relevantes sobre a inspiração do Bágmon em questão", conta.

"Outro critério extremamente importante para a escolha é a exclusividade do animal: meu foco é trazer coisas totalmente brasileiras", diz.

Resolvi focar na natureza, pois o Brasil é um país imenso, com umas das maiores florestas tropicais do mundo. Nossa diversidade animal e de plantas é sem igual, e muitas pessoas não fazem ideia disso. Eu, inclusive, aprendi muitas coisas e conheci muitas espécies em minhas pesquisas para a Bágdex, e isso se expandiu com o público, recebi muitos comentários do tipo “não sabia que tínhamos isso no Brasil” ou “não conhecia essa espécie”
— Wagner Janelli, ilustrador e designer gráfico
Mico-leão-dourado foi batizado de Douraleão — Foto: Bágdex/Divulgação

Mico-leão-dourado foi batizado de Douraleão — Foto: Bágdex/Divulgação

Para desenvolver os personagens inspirados na biodiversidade 'Bág' contou com a ajuda de biólogos, cientistas e pesquisadores que compartilharam sugestões específicas de animais, plantas e cultura. "Além disso, eu busco informações em sites especializados. Como a ideia é passar informação, o embasamento teórico é muito importante", conta o ilustrador, que nas criações traz lembranças da infância e da adolescência vividas no sítio, onde teve contato com a natureza. "Para mim é extremamente prazeroso passar horas fazendo pesquisas, aprendendo e traduzindo tudo isso para o projeto", completa.

Na lista dos desenhos mais desafiadores o personagem inspirado na araucária se destaca. "Porque é uma árvore enorme, e eu queria representar isso no Bágmon. Levou um tempo e foram necessários vários testes até encontrar as formas ideais para os três personagens que fiz", conta o ilustrador, que lembra também do desafio de personificar o lobo-guará e a onça-pintada. "Precisava demonstrar toda a majestade desses animais nos desenhos, então foi um pouco mais difícil que os demais".

Ilustrador e designer, 'Bág' começou com o projeto como um hobby — Foto: Wagner Ariey Janelli Tamborin

Ilustrador e designer, 'Bág' começou com o projeto como um hobby — Foto: Wagner Ariey Janelli Tamborin

Conheca os 'Bágmons'

Wagner explica que para escolher os nomes de cada um dos personagens usou critérios diferentes. "O primeiro critério era ver se o nome científico poderia ser interessante para o nome do Bágmon. Também avaliava o nome de referência escrito de forma embaralhada, como é o caso do Iaçá (açaí ao contrário) e varacapi (capivara meio embaralhado)", conta.

"Referências com nomes compostos também viraram um nome só, como o mico-leão-dourado, que se tornou 'Douraleão'. Em alguns busquei inspiração na língua tupi-guarani, como a onça-pintada, cujo nome é Îagûara. Evitei fazer nomes em inglês e trocadilhos com outras línguas, pois o objetivo é manter o mais brasileiro possível".

Características da espécie inspiram os "poderes" de cada personagem — Foto: Bágdex/Divulgação

Características da espécie inspiram os "poderes" de cada personagem — Foto: Bágdex/Divulgação

Spoiler: vem mais Bágmon por aí!

O ilustrador revelou para a reportagem do Terra da Gente que o projeto está longe de acabar: a segunda temporada está prevista, com mais 200 personagens. "Antes de começar essa etapa vou focar no desenvolvimento do material de expansão do projeto, isso inclui o aplicativo, um jogo de cartas, produtos e, se tudo der certo, um jogo completo à longo prazo. Estamos fazendo tudo com muita calma para ficar bem bacana, e porque é um projeto que eu (e agora os demais envolvidos) só podem botar a mão depois do expediente", finaliza.

As ilustrações eram feitas a lápis, inspiradas na animação Pokémon — Foto: Wagner Ariey Janelli Tamborin

As ilustrações eram feitas a lápis, inspiradas na animação Pokémon — Foto: Wagner Ariey Janelli Tamborin


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