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SP tem queda de até 34% em procedimentos para diagnóstico e tratamento precoce de câncer de mama e colo de útero, diz estudo

Exame de mamografia— Foto: Cristine Rochol/PMPA

Exame de mamografia — Foto: Cristine Rochol/PMPA

Uma pesquisa da Unicamp apontou que três procedimentos para diagnóstico ou tratamento precoce de cânceres de colo uterino e de mama (papanicolau, mamografia e conização) tiveram redução de até 34% no estado de São Paulo durante a pandemia.

Ao mesmo tempo, o estudo constatou aumento nos tratamentos de doenças avançadas de câncer de colo de útero - o que pode indicar que há mais casos de diagnósticos tardios - e diminuição de tratamentos de cânceres mais precoces de mama.

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A pesquisa, feita em parceria com a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e publicada em revista científica nesta semana, fez uma análise estatística para projetar o número de procedimentos que teriam sido feitos entre 2020 e novembro 2021 sem as restrições impostas para tentar conter a Covid-19 - veja abaixo.

Número de procedimentos feitos e esperados no estado de SP
Pesquisadores utilizaram análise chamada série interrompida para projetar dados esperados
Fonte: Estudo da Unicamp

"Usamos uma análise estatística que chama série interrompida. A gente calcula como se tivesse continuado o previsto nos últimos anos. Aí a gente faz essa previsão do que seria e o que aconteceu de fato, e foi isso que a gente viu, uma redução desse porte", explicou o professor associado da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, José Barreto Campello Carvalheira.

A base de dados usada pelos pesquisadores foi o DataSUS, o Sistema de Informação Ambulatorial (SIA) e o Sistema de Informações Hospitalares (SIH), todos do Ministério da Saúde.

Projeção de mais mortes

Carvalheira alerta para uma projeção da Organização Mundial de Saúde (OMS) que aponta redução de 10% a 40% nos diagnósticos de câncer em países em desenvolvimento durante a pandemia, o que vai causar aumento de mortes pela doença em 10 anos.

Os números da OMS se relacionam com a pesquisa que analisou os dados do estado, explica o professor. "A gente vê que já tem um aumento no número de tratamento para doenças avançadas de câncer de colo de útero. (...) Resultado da ausência de diagnóstico na pandemia".

Usado para detectar câncer de colo do útero, o exame de papanicolau teve redução de 31,9% na pandemia. Já as mamografias, feitas para diagnóstico do câncer de mama, caíram 34,9%, indica a projeção.

Já o número as conizações - procedimento para tratamento de câncer inicial de colo uterino - reduziram 30,2%, segundo o estudo.

Retomada nos diagnósticos

O professor da FCM analisa que é preciso que o poder público invista de forma incisiva no diagnóstico e tratamento precoce dos dois tipos de cânceres. Segundo ele, os números de procedimentos estão sendo normalizados a partir de 2022, mas ainda há um caminho a percorrer.

"São um conjunto de medidas. O estado está fazendo mutirões de cirurgias para reduzir a fila de pacientes que ficaram sem fazer. [É preciso] mutirões de diagnóstico... A gente já vivia na corda bamba, chegou na pandemia e teve muita dificuldade", analisou o professor.

Em nota conjunta, os pesquisadores também avaliaram a necessidade de políticas que estimulem que as mulheres busquem atendimento para realizar exames regulares.

"No Brasil, a busca pelos serviços de rastreamento acontece de forma espontânea, enquanto em países mais desenvolvidos existem sistemas de lembrete e rastreamento. Na Austrália e na Nova Zelândia foram feitos esforços simultâneos para controlar a Covid-19 e mitigar seus efeitos sobre o tratamento do câncer, o que resultou na rápida taxa de recuperação da triagem".

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