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Com novo caso, Campinas chega a 17 moradores infectados com varíola dos macacos

Varíola dos macacos tem mais de 1 mil casos em SP — Foto: JN

Varíola dos macacos tem mais de 1 mil casos em SP — Foto: JN

Boletim desta quinta-feira (4) do governo estadual indicou um novo caso de varíola dos macacos em Campinas (SP). Com isso, a metrópole chegou a 17 moradores infectados pelo vírus monkeypox.

O balanço estadual aponta ainda que Indaiatuba e Paulínia seguem com dois casos, enquanto Vinhedo e Americana continuam com um infectado. As cidades não tiveram alteração. Os outros 26 municípios da área de cobertura do g1 Campinas não possuem confirmações.

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Avanço exponencial em Campinas

A coceira da varíola dos macacos passa por diferentes estágios até a formação de lesões de pele — Foto: UKHSA

A coceira da varíola dos macacos passa por diferentes estágios até a formação de lesões de pele — Foto: UKHSA

O 1º caso na metrópole foi divulgado em 15 de julho. Uma semana depois, o total subiu para 3. Os registros se tornaram mais frequentes desde então, e só na última semana mais nove pessoas pegaram a doença do vírus monkeypox. Veja a evolução no gráfico abaixo.

A principal forma de transmissão tem sido via contato sexual. Em entrevista ao g1 na quarta-feira (3), quando Campinas chegou a 16 casos, a infectologista da UnicampRaquel Stucchi avaliou que houve uma falha na comunicação dos riscos aos grupos mais expostos.

"Continuaremos tendo ainda um crescimento exponencial porque falhamos muito na comunicação com os grupos que têm maior risco de exposição e adoecimento. Falhamos nas orientações para divulgar quem são esses grupos e o que eles devem fazer para diminuir o risco de adoecimento, o que eles devem fazer para não transmitir".

"Ainda teremos um aumento importante do número de casos, que logo logo pode ser que não se restrinjam mais ao grupo que hoje representa mais de 90% dos casos, que são homens que fazem sexo com homens e bissexuais, completou.

Infectologista Raquel Stucchi, da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp,— Foto: Ricardo Lima

Infectologista Raquel Stucchi, da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, — Foto: Ricardo Lima

Até quarta, a Prefeitura de Campinas afirmava que todos os que pegaram a varíola dos macacos estavam em bom estado de saúde. Eram 15 homens e uma mulher, que têm idades entre 23 e 41 anos.

A médica Raquel Stucchi ainda ressaltou que o período de incubação desta doença é muito longo, de 5 a 21 dias.

"Pode ter pessoas que foram expostas há três semanas e agora estão apresentando os sintomas".

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Até o último sábado, a Região Metropolitana de Campinas (RMC) somava 19 casos de varíola dos macacos em seis cidades - além das 5, Santa Bárbara d'Oeste -, e as prefeituras sinalizaram as ações para investir no reconhecimento dos sintomas e na análise do histórico de pacientes 21 dias antes do aparecimento das lesões.

Lesões e histórico sexual

A doença se apresenta com uma única lesão ou várias na pele, e o histórico sexual tem sido um dos critérios para o diagnóstico. Na maioria dos casos, as feridas aparecem na região genital e perianal - ao redor do ânus - nesses grupos de maior risco, segundo Raquel Stucchi.

"Neste momento, as lesões, particularmente, que aparecem em região genital ou perianal e que tenham possibilidade de exposição epidemiológica, contato sexual com pessoas desconhecidas, mesmo que de sexos diferentes, implicariam, sim, na investigação de monkeypox".

O boletim mais recente divulgado pelo Ministério da Saúde sobre o vírus monkeypox, de número 06, tem a exposição em contato íntimo com desconhecidos e/ou parceiros casuais como primeiro item na lista de vínculos a serem investigados. O vírus pode ficar incubado por até 21 dias.

Como se dá a verificação de casos suspeitos

  • Paciente deve observar:
  • aparecimento súbito de erupção cutânea única ou múltipla, em qualquer parte do corpo;
  • pode ter ou não febre;
  • pode ter ou não crescimento dos gânglios (linfonodos);
  • apuração de vínculos: contato íntimo ou contato com sintomáticos de monkeypox ou histórico de viagem para país com casos positivos ou contato com pessoas que estiveram em país com infectados.
  • No atendimento médico:
  • procurar quando notar a lesão no corpo;
  • o profissional de saúde deve levantar a suspeita já na triagem;
  • paciente passa por avaliação médica;
  • colhe amostras para exame, enviado ao Instituto Adolfo Lutz em SP;
  • Vigilância Sanitária é comunicada;
  • apuração sobre contatos conhecidos do paciente;
  • paciente recebe orientações sobre isolamento e segue em acompanhamento.
  • Se for necessário, é internado em isolamento.

Além do contato sexual, o Ministério da Saúde informa sobre transmissão do vírus por meio de secreções respiratórias e objetos recentemente contaminados. O período de infecção só termina quando as lesões em forma de crostas desaparecem da pele, que volta a ficar íntegra.

Ainda não há previsão para vacinação contra a varíola dos macacos.

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