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Ministério Público denuncia servidora do DER e empresário de Guarapuava por corrupção

Contratos do DER com a empresa Dalba Engenharia integram investigação; servidora e marido são suspeitos de receber propina — Foto: RPC

Contratos do DER com a empresa Dalba Engenharia integram investigação; servidora e marido são suspeitos de receber propina — Foto: RPC

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) denunciou três pessoas por corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro em um caso envolvendo irregularidades na execução de contratos entre uma construtora com sede em Guarapuava, na região central, e o Departamento de Estradas de Rodagens (DER).

Os denunciados são o empresário Luciano Daleffe, dono da empresa Dalba Engenharia; a servidora pública Lucileia Galdino Moreno, que está desde 2011 no DER, e o marido dela, Ademir Rumin Moreno Júnior. As defesas negam os crimes e dizem que se manifestarão nos autos. Leia mais abaixo.

Em julho, os investigados foram alvos de uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Uma das suspeitas é de que a construtora pagasse propina a Lucileia e Ademir para que a Dalba não fosse incomodada caso não cumprisse obrigações de contratos de obras e outros serviços.

Os três denunciados chegaram a ser presos no fim de julho, mas foram soltos por dois habeas corpus concedidos pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR).

Relembre:

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Segundo a denúncia do MP, as investigações se concentraram em um dos contratos da Dalba Engenharia com o DER, assinado em 2012, ano seguinte ao da entrada de Lucileia no departamento.

O documento previa a conservação de rotina da faixa de domínio de estradas da malha rodoviária estadual na superintendência dos Campos Gerais, em uma extensão de 277 quilômetros.

O contrato terminou em 2018. Entre os valores previstos na versão inicial e os quatro aditivos, o DER pagou mais de R$ 9 milhões à Dalba.

Escritório Regional do DER em Guarapuava — Foto: RPC

Escritório Regional do DER em Guarapuava — Foto: RPC

O esquema investigado

Documentos apreendidos nas sedes da empresa e do DER durante as investigações apontaram que Lucileia era a responsável pela gerência da execução do principal contrato investigado.

Quando operação do Gaeco foi deflagrada, quatro pessoas foram presas — Foto: William Batista/RPC

Quando operação do Gaeco foi deflagrada, quatro pessoas foram presas — Foto: William Batista/RPC

Com as quebras do sigilo bancário autorizas pela Justiça, os promotores identificaram, entre janeiro de 2017 e dezembro de 2018, 63 transferências bancárias. Oito delas, segundo o MP, partiram da conta da Dalba e tiveram como destino a conta corrente da empresa Moreno Júnior & CIA Limitada.

Segundo os promotores, Moreno Júnior & CIA é controlada pela servidora do DER e pelo marido dela.

Em outras 55 transferências, o MP-PR concluiu que o dinheiro saiu da conta pessoal do empresário denunciado, Luciano Daleffe, e entrou na conta da empresa Moreno Júnior & CIA.

De acordo com o MP, somadas, as transferências totalizaram R$ 1,19 milhão. Em valores atualizados, ultrapassam R$ 2,1 milhões.

"As investigações continuam. Nós ainda temos um grande arca bolso de provas para analisar, então é possível que novos elementos surjam", disse a promotora Leandra Flores.

Sede

As investigações também indicaram que a Moreno Júnior & CIA nunca possuiu sede própria, já que no contrato social tem, como endereço, a residência dos sogros da funcionária do DER. Segundo o MP, o sogro de Lucileia chegou a ser ouvido, mas pareceu desconhecer que uma empresa funcionava no endereço dele.

Os promotores afirmam, ainda, que não há qualquer indício de que a empresa que recebeu o dinheiro tivesse outra fonte de renda que não fossem os repasses da Dalba e Daleffe, que estão sob a suspeita.

Aplicação

Os promotores sustentam que o dinheiro das transferências foi usado na compra de imóveis e, também, transferido para outras contas bancárias da família, em uma tentativa de ocultar a origem.

O que dizem os citados

O DER disse que afastou, por cautela, Lucileia Moreno do Escritório Regional. Disse, ainda, que instaurou uma sindicância para apurar possíveis irregularidades.

A defesa da Dalba e Daleffe disse que a denúncia "se trata de procedimento criminal em fase embrionária e que, no momento oportuno e em juízo, será demonstrada a inexistência de qualquer delito ou irregularidade nos contratos em questão".

A defesa de Lucileia e Ademir afirmou que está analisando a denúncia e que vai se manifestar sobre as supostas acusações nos autos criminais.

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