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Filha de aposentado vítima de descarga elétrica ao pintar casa no Ceará ainda aguarda julgamento e indenização um ano após morte

Ahil Gentil Moura teve cerca de 85% do corpo queimado após incidente.— Foto: Arquivo Pessoal

Ahil Gentil Moura teve cerca de 85% do corpo queimado após incidente. — Foto: Arquivo Pessoal

O aposentado Ahil Gentil Moura, de 83 anos, faleceu de forma trágica em janeiro de 2020, após ser vítima de uma descarga elétrica de um poste enquanto fazia uma pintura em casa, em Fortaleza. Um ano depois da morte, a filha do idoso, a cabeleireira Aline Ramos, de 38 anos, ainda aguarda que o caso seja encaminhado à Justiça e que haja uma indenização por parte da distribuidora de energia do estado.

Ahil realizava reparos na laje da residência quando sofreu uma descarga elétrica originada em um poste instalado a cerca de um metro da parede do imóvel. "Queimou 85% do corpo dele. No momento, ele conseguiu se levantar ainda, ficou atordoado, não sabia o que tinha acontecido", relembra Aline. Depois de passar cinco dias internado, o aposentado teve uma parada cardiorrespiratório e morreu no dia 13 de janeiro do ano passado.

Poste foi retirado a pedido da família

De acordo com Aline, após o ocorrido, a família solicitou à Justiça a retirada do poste de alta tensão que causou o incidente, pedido acatado pela Enel Distribuição Ceará em 2020. Apesar disso, a cabeleireira afirmou que ainda espera uma indenização da companhia.

"O único contato que a gente teve foi pela imprensa, e eles disseram que meu pai não deveria estar lá, que estava errado. Como uma pessoa não pode estar na casa dele, né? A gente pediu (a indenização) até para concluir o sonho do nosso pai. Ela vai ser empregada no sonho do nosso pai, no qual ele morreu dando a vida dele", afirmou Aline.

 Poste de alta tensão ficava a poucos metros da parede do imóvel.— Foto: Arquivo Pessoal

Poste de alta tensão ficava a poucos metros da parede do imóvel. — Foto: Arquivo Pessoal

Padrões estavam de acordo com as normas, alega empresa

Em nota, a Enel informou que "a rede de alta tensão próxima da casa foi construída e energizada em 2016 e não havia o último pavimento do prédio, onde aconteceu o acidente". A empresa afirmou ainda que os padrões da rede elétrica do local estavam de acordo com as normas técnicas e de segurança, mas fez a realocação da estrutura no último mês de novembro.

A companhia também alegou que "na época, a obra de extensão da rede de alta tensão foi devidamente autorizada pela Prefeitura de Fortaleza, que deve ser informada sobre qualquer tipo de intervenção urbana na cidade". Em relação ao processo judicial, a empresa informou que ele está em andamento e aguarda julgamento.

Aline nega os argumentos da empresa. Segundo a cabeleireira, a estrutura final do prédio foi concluída antes da instalação do poste, a qual teria ocorrido sem autorização da família. Ela alega ainda que os fios deveriam ter recebido dispositivos de segurança, como mantas para cobertura de cabos elétricos, o que não aconteceu, como relata.

"Eu espero que a Justiça seja feita, que eles arquem com as consequências, pois o meu pai foi tirado da gente de uma forma muito trágica, foi muito traumático para toda a família. Todos nós estamos passando por um processo com psicólogos. Porque ver o seu pai em carne viva, com a pele no chão e olhando para você e perguntando 'o que foi que aconteceu comigo, minha filha?' É a perda e o trauma que ficou em nós", afirmou Aline.

Inquérito policial aberto

O Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE) informou em nota que no caso não há indiciado pois está na fase de inquérito policial e é investigado pela Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE).

"Os autos estão na Delegacia para o cumprimento de diligências no prazo de 90 dias a contar do dia 20 de novembro de 2020. Após a conclusão do inquérito, o Ministério Público poderá ofertar ou não a denúncia. Se ofertada, a Justiça pode aceitá-la ou não. Em caso de aceitação, dá-se prosseguimento para processar e julgar o feito", informou o TJCE.

A Polícia Civil afirmou que inquérito policial continua com diligências em andamento e que "aguarda respostas de ofícios enviados à concessionária de energia elétrica. Com a conclusão das diligências, o caso será remetido ao Poder Judiciário".


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