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Preço e crise: estamos consumindo sobras da indústria leiteira

Foto: CanvaPro

Recentemente, manchetes e comentários nas redes sociais escancararam as alterações nos produtos a base de leite, sobretudo ultraprocessados. Dentro de um cenário de exploração e desigualdade, pensamos sobre o quanto a desigualdade social faz com que comunidades desprovidas de grana sofram na mão da indústria alimentícia e como os animais são completamente ignorados nos debates.

É óbvio e já está batido que consumir produtos in natura e frescos é o ideal, é a opção mais adequada para a saúde e para o planeta. Contudo, a maioria da população sofre com a inflação e com as questões econômicas e políticas do país e, não conseguem ter acesso nem ao básico.

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O fato é que poucas pessoas se alimentam mal e fazem más escolhas por mera opção, a população mais vulnerável é completamente condicionada pelo contexto em que está inserida e influenciada pelas circunstâncias econômicas e políticas. Portanto, é fundamental politizar o debate sobre alimentação e evidenciar questões como assistência social e políticas públicas.

Alimentos populares no Brasil como o leite moça, iogurtes, leite integral e até o queijo ralado sofreram alterações importantes nas fórmulas nos últimos meses, essas alterações tornam a questão da má alimentação ainda pior, pois o povo sem condições de se alimentar bem, acaba sendo obrigado a consumir um alimento ruim que foi piorado.

Alguns produtos já carregam em seus rótulos "mistura de creme de leite" ao invés de ''creme de leite''. O queijo ralado, por exemplo, em algumas embalagens já está aparecendo como "mistura alimentícia com queijo ralado".

Essa alteração nos produtos lácteos ultraprocessados tornam os alimentos ainda mais nocivos e menos nutritivos, como é o exemplo do uso constante do soro de leite (subproduto) sendo composto de água, só que com menos carboidrato e proteína.

As alterações em alimentos lácteos ultraprocessados não podem passar batido, pois o futuro que vislumbramos não pode ser a base de produtos insustentáveis, em todos os sentidos, porque o consumo de lácteos e ultraprocessados é prejudicial para a maioria da população e para os animais que são altamente explorados no processo de produção.

Estamos completamente dependentes de alimentos prejudiciais e pouco nutritivos, isso por uma série de questões relacionadas a hábitos, cultura e, principalmente, economia, e mais do que nunca, precisamos questionar e refletir sobre isso.

Para além da fome e da miséria, que assola um país tão rico como o Brasil, dentro desse debate esquecemos que quem fornece produtos lácteos não são máquinas, mas sim animais sencientes e inteligentes, capazes de sentir tudo o que nós humanos sentimos.

As vacas leiteiras tão exploradas na indústria do leite, nunca entram nos debates, ficam à margem como se fossem lixos descartáveis e esse assunto se torna um sub-conteúdo nos debates.

Tratando vacas e demais animais como meros produtos, estamos causando um imenso desconforto físico como também, estresse social e frustração psicológica, ignorando completamente a ética perante ao sofrimento animal.

Foto: CanvaPro

Além do consumo de ultraprocessados ser completamente prejudicial para a população, esses produtos são frutos de exploração e crueldade animal. As pessoas estão se alimentando pior, os animais estão sendo absurdamente explorados, enquanto a indústria continua enriquecendo e acumulando cada vez mais capital.

É necessário refletir com base numa visão sistêmica de exploração, que os únicos que se beneficiam são os grandes empresários e políticos tradicionais da bancada institucional.

Tirando a camada mais sabotada da sociedade, que vive na dependência de sobras e doações, boa parte de nós humanos, passamos da fase de que necessitamos de leite de outros animais para sobreviver.

O veganismo popular contribui para refletirmos sobre o futuro da humanidade, da ecologia e dos animais. Pois não dá mais para viver em um sistema desigual, que estimula o consumo de produtos ultraprocessados, mantém a população na miséria, enriquece poucos, destrói o meio ambiente e populações nativas e não se preocupa com outras espécies.

O resumo de tudo é que a classe trabalhadora sai perdendo muito, pois é uma vítima completa desse sistema (fome, miséria, dificuldade financeira) e os animais são explorados, usados e mortos sem precedentes, e no fim das contas os únicos que se beneficiam são os multimilionários.

Sabemos que não existem soluções prontas, mas temos certeza que o caminho não é o subproduto da indústria animal.

Não tem solução fácil para os problemas atuais, por isso, é preciso muita coletividade, informação e uma luta conjunta para mudar problemas que são estruturais. Além disso, cabe a nós que temos informação e condições mínimas se informar e ter ações práticas, que vão na contramão do que criticamos.

 

Se liga:

O debate sobre o consumo de alimentos sem nada de origem animal ou uma alimentação saudável não deve negligenciar questões éticas, culturais, ambientais, econômicas e nutricionais (pensando na maior parte da população).

Aqui estamos falando de produtos ultraprocessados e comprovadamente nocivos à saúde humana. Não queremos e não estamos utilizando a situação dramática do país como argumento para consumir ou não consumir tais alimentos.

 


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