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Até o fim - Prisma - R7 Conversa de Repórter

Parece que foi ontem, mas já se passaram três anos. Junho é o mês que marca o início da minha trajetória na Record, em São Paulo. Eu me lembro que foi tudo tão rápido, que demorei um tempo pra assimilar a mudança. Saí de Bauru, no interior paulista, e vim tentar a vida na maior cidade do País. Me joguei no desafio.

Um mês antes, vim pra capital sem nenhuma garantia. Vim numa espécie de intercâmbio. A Record, em Bauru, me "emprestou" por algum tempo pra que eu pudesse trabalhar em São Paulo. É super comum repórteres de algumas regiões do Brasil virem pra cá pra ter essa experiência. Fui chamado para a estreia do novo 'SP no Ar', apresentado, na época, pelo competente André Azeredo.

Vim sem nem saber se ia dar certo, se iam gostar de mim, se eu iria me adaptar. Apenas vim. A única coisa da qual eu tinha certeza era de que me esforçaria, ao máximo, pra entregar o melhor de mim. Passado o período de teste, voltei pro interior e fiquei por lá por mais uns 20 dias. Depois, fui chamado pra retornar, em definitivo, pra São Paulo. 

Abaixo, minha despedida da Record TV Paulista, em Bauru, no Balanço Geral

Pisquei e, de lá pra cá, já são três anos vivendo o maior desafio da minha carreira até aqui. Foram muitos sonhos realizados e outros tantos que tenho alimentado, buscando alcançá-los. Aos 30 anos de idade, já pude participar de tantas coberturas marcantes, que, às vezes, nem eu acredito. É algo surreal poder, vez ou outra, cruzar nos corredores com repórteres e apresentadores que, até pouco tempo, eu só admirava pela TV. Também é muito gratificante trabalhar com cinegrafistas, auxiliares e operadores tão parceiros e dedicados.

Estar aqui, na Record, é uma honra. Viver em São Paulo, onde tudo acontece, é o ápice. É bem mais do que pedi a Deus. Mas nem tudo é tão fácil. Aqui, posso escrever como ser humano e deixar o lado jornalista um pouco de lado. Todos os dias é uma verdadeira batalha contra a saudade do que precisei deixar pra trás. Sinto falta da minha família, das minhas raízes, das minhas origens. Às vezes, aperta o coração pensar que não estou vendo, de perto, meus pais envelhecendo. Eles sabem que não é descaso. Eu também sei. Mas nem sempre é possível pensar com a cabeça. Às vezes, a emoção é quem grita dentro da gente.

Aprendi, na prática, que cada escolha exige uma renúncia. Nem sempre uma renúncia definitiva, mas necessária quando se busca algo importante na vida. Se eu não tivesse arriscado lá atrás, hoje não teria tanta história legal pra contar. Não teria evoluído tanto. Não teria errado, muito menos, acertado. Não teria vivido fora da caixa.

Sempre existirão prós e contras e cada qual vai pesar mais num determinado momento da trajetória. O importante é que o caminho seja percorrido. Todos os dias, levanto cedo inspirado, mesmo sabendo que nem sempre o trabalho vai ser tranquilo. Há dias em que o jornalismo, ao vivo, é estressante. Há momentos de raiva, nervoso, dúvidas, angústias. Há desentendimentos, brigas, discussões. Há muita pressão, cobrança, busca por resultados. Quem dera fosse tudo fácil. Quem dera fosse só glamour, como muitos pensam.

No meu caso, quando tudo isso acontece, depois de respirar e colocar as ideias em ordem, o que me faz continuar levando meu trabalho como uma missão de vida é lembrar do que passei pra chegar até aqui. Você pode até achar que estou tentando romantizar minha profissão, mas garanto que não. Falei há pouco de tantos dissabores que existem nela, às vezes. O que estou querendo dizer é que, pra mim, cada aniversário de empresa, vivendo na maior metrópole do País, é uma etapa concluída dando espaço pra uma nova. É seguir acreditando no que faço. É olhar pra frente e dizer: não vim aqui pra desistir agora.


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