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Aos haters, com carinho  - Prisma - R7 Conversa de Repórter

Sinceramente, pensei em nem voltar no assunto. Tanto que até desisti de gravar um vídeo que estava planejando pra hoje, aqui no Conversa. Mas ontem, eu mudei de ideia. Ter sido atacado com ovos durante uma transmissão, ao vivo, no Balanço Geral Manhã, da Record, me aproximou de algo que, até então, eu não tinha experimentado: o ódio de quem se esconde atrás de uma tela.

Há quem tenha coragem de agredir um jornalista – seja lá da forma que for – porque há, também, uma legião de pessoas apoiando esse tipo de "manifestação" – manifestação entre aspas, mesmo. A chuva de ovos daquele dia só não foi maior do que a tempestade de comentários maldosos dos valentões da internet.

Pra quem, talvez, tenha perdido o fio da meada, estávamos em frente ao casarão de Higienópolis, onde vive Margarida Bonetti, a "mulher da casa abandonada", quando algum vizinho, incomodado, decidiu desperdiçar pelo menos quatro ovos na nossa direção. O episódio viralizou e repercutiu muito mais do que eu imaginava.

Por incrível que pareça, a maioria dos comentários na internet era a favor da violência contra a equipe de reportagem. Muitos internautas, que nem me seguem nas redes sociais, fizeram questão de procurar minha conta pra destilar veneno. Outros vomitaram palavras horríveis em posts replicados de sites que noticiaram o episódio.

Entendo a revolta de quem jogou os ovos, mas não consigo justificar a agressão. Serei menos compreensivo com quem usa as redes sociais pra ofender, difamar e desejar o pior a quem só estava trabalhando. Sabe, é chato ter que ficar explicando o óbvio. Mas o cinegrafista, Daniel Macedo, e eu estávamos, apenas, trabalhando. Você, que me lê ou me vê, pode ter gostado ou não da cobertura, concordado ou discordado, achado um exagero, um circo, o que for... Pode até não ir com a minha cara. O que não pode é desrespeitar alguém que acorda, todo santo dia, às 2h30 da manhã pra trabalhar.

Eu, realmente, fiquei impressionado com tanta gente tóxica, ruim e amargurada que surgiu aos montes. Alguns internautas disseram que fariam muito pior comigo. O que poderia ser pior do que jogar ovo em alguém? Arremessar pedras? Tijolo? Água quente? Sim, teve gente afirmando que me expulsaria com um banho.

Teve gente mandando eu trabalhar, como se o que eu estivesse fazendo, ali, não fosse trabalho. Outras pessoas perguntaram o motivo pelo qual a gente não pisava na Cracolândia pra mostrar a situação. Essas, certamente, não assistem à Record, não me conhecem nem me seguem. Conheço aquela região melhor do que muito paulistano da gema. Isso não é mérito nenhum. É só o meu trabalho.

Ser jornalista, principalmente de uns poucos anos pra cá, virou profissão de risco. A gente sai na rua e não sabe se vai voltar. Não é exagero nem vitimismo. Os que jogam ovos podem fazer coisa pior. Os que apoiam são, igualmente, selvagens. Não dá pra viver num País em que colegas repórteres precisam andar sem a identificação da emissora para qual trabalham com medo de serem agredidos. Não dá pra achar correto alguém sair do esgoto virtual das redes sociais e encher seu perfil de ofensas, acusações e deméritos.

Não é sobre não aceitar o contraditório nem as críticas ao nosso ofício. Não é isso. É, apenas, exigir respeito. Opinião cada um tem a sua. Mas a liberdade de pensar e de se expressar não pode cruzar a linha do razoável e do bom senso. Perde a razão quem não sabe se manifestar.

Desejo luz aos corações odiosos de quem transborda, covardemente, o que é na essência. Fico com as críticas construtivas, com as opiniões coerentes, com o carinho dos meus amigos, familiares, namorada, colegas de trabalho e pessoas que gostam de mim, gratuitamente. Ando preferindo ter paz e não posso deixar que qualquer um a tire de mim.


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