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Haitiano que sobreviveu a terremoto no país, em 2010, relembra terror após novo tremor de terra: 'Pessoas estão traumatizadas'

Número de mortos em terremoto no Haiti passou de 700 neste domingo (15) — Foto: Joseph Odelyn/AP

Número de mortos em terremoto no Haiti passou de 700 neste domingo (15) — Foto: Joseph Odelyn/AP

Sobrevivente do terremoto que atingiu o Haiti, em 2010, o estudante de mestrado Jacky Mathieu, de 28 anos, sabe bem o "sentimento de terror e de desespero" que é enfrentar um terremoto no país de origem. O jovem vive em Brasília desde 2016 e, no último sábado (14), viu o Haiti ser novamente atingido por tremores de terra.

O fenômeno alcançou 7.2 de magnitude, maior que o registrado no terremoto há 11 anos, que teve intensidade 7 e matou mais de 200 mil pessoas.

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Dessa vez, a cidade de Les Cayes, perto do epicentro do terremoto, a cerca de 160 km da capital haitiana, Porto Príncipe, foi uma das mais atingidas. Até esta segunda-feira (16), autoridades locais confirmavam 1.297 mortos no país e quase seis mil feridos.

"As pessoas ficam em pânico. Muitas estão traumatizadas desde o último terremoto", contou o estudante ao G1.

Jacky Mathieu, de 28 anos — Foto: Arquivo pessoal

Jacky Mathieu, de 28 anos — Foto: Arquivo pessoal

Memórias

Quando houve o terremoto no Haiti, em 2010, Jacky estava na escola. As memórias, ainda vívidas, são compartilhadas por todos que sobreviveram à tragédia, conta.

"Em 2010 eu estava lá. Não me feri, mas foi traumatizante ver a terra tremendo assim. Parecia o fim do mundo", disse. À época, mãe e irmão do jovem também sobreviveram à destruição causada pelo tremor no país.

"Chegando na minha casa, parte tinha desabado. O que sobrou tinha fissuras, então, dormimos fora de casa pelo menos por quatro meses."

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VÍDEO: Veja imagens da destruição causada por terremoto no Haiti

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O estudante, formado em relações internacionais pela Universidade Brasília (UnB), contou que ainda tem familiares no Haiti. Tios e primos vivem na parte oeste do país e, segundo ele, sentiram o tremor, mas a região não sofreu danos.

Apesar disso, conterrâneos de Jacky relataram que, mesmo sem sofrerem impactos nas casas onde moram, o medo persiste.

"Muitas casas no Haiti ainda ainda têm as marcas do terremoto de 2010. Lembrando do último, muitos dormiram fora de casa dessa vez, embaixo de tendas."

Terremoto de 2010 fez do Haiti o país com mais mortos em desastres nos últimos 20 anos — Foto: AFP/arquivo

Terremoto de 2010 fez do Haiti o país com mais mortos em desastres nos últimos 20 anos — Foto: AFP/arquivo

O estudante também explica que, na última década, houve um "aumento gigantesco" no número de conversão de pessoas às igrejas. "O medo levou a isso", diz.

"Agora, depois da morte do presidente haitiano [veja mais abaixo], as pessoas já tiveram muitas profecias, então, está tendo um desespero, e a corrida para se direcionar a religiões deve voltar a aumentar".

"As pessoas se sentem impotentes frente a fenômenos naturais, isso deixa um desespero enorme. Lá, só temos a Deus, não temos estrutura militar capaz de ajudar, nem maquinários e nem um Corpo de Bombeiros com um número suficiente [de socorristas] para ajudar."

Terremoto de magnitude 7,2 afeta Haiti. — Foto: Fernanda Garrafiel / Arte G1

Terremoto de magnitude 7,2 afeta Haiti. — Foto: Fernanda Garrafiel / Arte G1

Terremoto

O terremoto mas recente foi sentido às 8h30 do dia 14 de agosto. O epicentro estava no sudoeste do país, na ponta da península Tiburon. Les Cayes e Jeremie foram as cidades mais atingidas. Ao todo, 130 mil pessoas vivem nessa área.

O epicentro do terremoto deste sábado fica na mesma falha geológica que causou o terremoto de 2010, onde se chocam as placas tectônicas da América do Norte e do Caribe. O tremor foi sentido em todas as ilhas do Caribe.

O editor do principal jornal do Haiti descreveu o fenômeno."Lentamente, fortemente, durante longos segundos, o Haiti tremeu", disse.

VÍDEO: presidente do Haiti é assassinado em ataque em casa

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Crise política e humanitária

O terremoto atinge o Haiti em um momento de forte crise política, que é anterior até mesmo ao assassinato do presidente Jovenel Moïse, em julho deste ano.

Moïse dissolveu o Parlamento e governava por decreto havia mais de um ano, após o país não conseguir realizar eleições legislativas, e queria promover uma polêmica reforma constitucional.

Depois do assassinato do presidente por um grupo de mercenários, um governo interino assumiu o controle do país até a realização de novas eleições. A nação mais pobre das Américas tem um longo histórico de ditaduras e golpes de Estado.

Nos últimos meses, o Haiti enfrentava também uma crescente crise humanitária, com escassez de alimentos e aumento nas taxas de violência.

O PIB per capita do país é de US$ 1,6 mil por ano (cerca de R$ 8,5 mil), e cerca de 60% da população vive com menos de US$ 2 por dia (pouco mais de R$ 10).

O Haiti tem 11,3 milhões de habitantes, faz fronteira com a República Dominicana na ilha Hispaniola, no Caribe, e tem um dos menores IDHs (Índice de Desenvolvimento Humano) do mundo: 0,51.

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