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Ex-assessor de Milton Ribeiro está entre presos em operação que investiga esquema de desvio de verbas na Educação

Ex-ministro da Educação, na gestão Bolsonaro, Milton Ribeiro é preso

Ex-ministro da Educação, na gestão Bolsonaro, Milton Ribeiro é preso

O advogado Luciano de Freitas Musse está entre os presos pela Polícia Federal nesta quarta-feira (22), na operação que investiga desvios de verbas no Ministério da Educação. Musse é ex-assessor de Milton Ribeiro, antigo chefe da pasta, que também foi detido.

Além de Milton Ribeiro, os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura também foram presos. O ex-ministro é investigado por corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e tráfico de influência por suposto envolvimento em um esquema para liberação de verbas do MEC.

Musse chegou a assumir a gerencia de Projetos da Secretaria-Executiva do ministério, em abril de 2021, mas foi exonerado em março deste ano, em meio às denúncias contra a pasta. A família do advogado não quis comentar o caso e o g1 tenta contato com a defesa dele.

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O advogado Daniel Bialski, que representa Milton Ribeiro, disse pela manhã que não vê "motivo concreto" para a prisão do ex-ministro da Educação. A defesa do pastor Arilton Moura informou que vai se pronunciar somente nos autos do processo. A TV Globo não teve resposta da defesa do pastor Gilmar Santos.

Os pastores são investigados por atuar informalmente junto a prefeitos para a liberação, por meio de concessão de propina, de recursos do Ministério da Educação. Pelo menos três prefeitos confirmaram na comissão de Educação a atuação de pastores no MEC.

Eles afirmaram que houve cobrança de propina de até R$ 40 mil, além de um quilo de ouro e compras de bíblias, em troca da articulação pela liberação das verbas do ministério. A comissão também ouviu o presidente do FNDE, Marcelo Lopes, que disse desconhecer o esquema.

Ele admitiu, entretanto, que teve encontros com os pastores em quatro ocasiões e que eles, apesar de não terem nenhum cargo no governo, ajudavam a organizar eventos do MEC.Milton Ribeiro deve ser levado para prestar depoimento em Brasília ainda nesta quarta.

Veja abaixo ao vídeo do momento em que ele é levado por agentes da Polícia Federal.

Vídeo mostra momento em que ex-ministro Milton Ribeiro é preso pela PF por volta das 7h

Vídeo mostra momento em que ex-ministro Milton Ribeiro é preso pela PF por volta das 7h

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Em áudio divulgado em março, Ribeiro afirma que o presidente Jair Bolsonaro pediu a ele que os municípios indicados pelos dois pastores recebessem prioridade na liberação de recursos. Prefeitos disseram em depoimento que eles exigiram propina.

Os policiais federais também fizeram buscas em endereços ligados aos investigados. Outro alvo de mandado de busca foi a sede do Ministério da Educação, em Brasília.

Investigação

A PF investiga Ribeiro por suposto favorecimento aos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura e a atuação informal deles na liberação de recursos do ministério. Há suspeita de cobrança de propina.

O inquérito foi aberto após o jornal "O Estado de S. Paulo" revelar, em março, a existência de um "gabinete paralelo" dentro do MEC controlado pelos pastores.

Dias depois, o jornal "Folha de S.Paulo" divulgou um áudio de uma reunião em que Ribeiro afirmou que, a pedido de Bolsonaro, repassava verbas para municípios indicados pelo pastor Gilmar Silva.

"Foi um pedido especial que o presidente da República fez para mim sobre a questão do [pastor] Gilmar", disse o ministro no áudio.

"Porque a minha prioridade é atender primeiro os municípios que mais precisam e, segundo, atender a todos os que são amigos do pastor Gilmar", complementou Ribeiro.

Após a revelação do áudio, Ribeiro deixou o comando do Ministério da Educação.

Em depoimento à PF no final de março, Ribeiro confirmou que recebeu o pastor Gilmar à pedido o presidente Jair Bolsonaro. No entanto, ele negou que tenha ocorrido qualquer tipo favorecimento.

Registros do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) apontam dezenas de acessos dos dois pastores a gabinetes do Palácio do Planalto.

Em vídeo, o presidente Jair Bolsonarochegou a dizer que botava "a cara no fogo" por Ribeiro e que as denúncias contra o ex-ministro eram "covardia".

Já nesta quarta, questionado sobre a prisão do ex-ministro pela PF, Bolsonaro afirmou que Ribeiro é quem deve responder por eventuais irregularidades à frente do MEC.

"Ele responde pelos atos dele", afirmou Bolsonaro em entrevista à rádio Itatiaia. O presidente disse ainda que "se a PF prendeu, tem motivo."

Bolsonaro: ‘Eu boto a minha cara no fogo pelo Milton’

Bolsonaro: ‘Eu boto a minha cara no fogo pelo Milton’

O caso envolve suspeitas de corrupção. Prefeitos denunciaram pedidos de propina – em dinheiro e em ouro – em troca da liberação de recursos para os municípios. Milton Ribeiro disse que pediu apuração dessas denúncia à Controladoria-Geral da União.

Tráfico de influência

De acordo com apuração da TV Globo, a operação deflagrada nesta quarta investiga a prática de tráfico de influência e corrupção na liberação de verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), ligado ao Ministério da Educação.

Quem é Milton Ribeiro?

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Foram cumpridos cinco mandados de prisão e 13 de busca e apreensão nos estados de Goiás, São Paulo, Pará e Distrito Federal.

O g1 ligou por volta das 8h para um telefone de Gilmar Santos, mas o número estava desligado.

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