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'Gêmeas do futebol': irmãs criam campanha para realizar sonho de jogar em Portugal

Maria Clara e Maria Eduarda são negras, com cabelo black e usam camisas regata de cor preta e azul
Maria Clara e Maria Eduarda são negras, com cabelo black e usam camisas regata de cor preta e azul
Foto: Arquivo pessoal / Alma Preta

'Vamos em busca da concretização desse sonho', é assim que as irmãs Maria Clara e Maria Eduarda, de 18 anos, planejam a chegada em Portugal, país que escolheram para apostar em uma carreira internacional no futebol.

Nascidas no bairro de Narandiba, periferia de Salvador, as 'gêmeas do futebol', como são conhecidas, são apaixonadas pelo esporte desde os sete anos de idade e começaram a praticá-lo anos depois, quando tinham 13 anos.

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Com passagens pelos times de base feminino do Esporte Clube Vitória, Bahia e Lusaca, as irmãs agora têm o sonho de jogar fora do país, em Portugal, e criaram uma campanha para realizar a viagem em busca do primeiro passo para investir em uma oportunidade internacional.

Lançada no ano passado, a campanha já conta com mais de 30 apoiadores e a expectativa é arrecadar R$ 12 mil para arcar com os custos de deslocamento e demais despesas. A previsão é que a viagem aconteça em março deste ano.

Em entrevista à Alma Preta Jornalismo, Maria Clara diz que o objetivo da campanha também é fortalecer o apoio e a visibilidade do futebol feminino como forma de inspirar outras meninas apaixonadas pelo esporte. "Assim como está dando visibilidade para nós, também estamos dando mais visibilidade para a modalidade", define a atleta.

Irmãs buscam fortalecer o futebol feminino como forma de inspirar outras meninas | Foto: Divulgação

O sonho de jogar fora do país surgiu em 2020, quando as irmãs conseguiram bolsas parciais para jogar em universidades nos Estados Unidos. No entanto, sem recursos financeiros e com a chegada da pandemia de Covid-19, Maria Clara e Maria Eduarda tiveram que alterar os planos e adiar o projeto. Foi um tio que mora em Portugal que deu a ideia de elas olharem para o país como uma oportunidade de tentar de novo.

Em um esporte historicamente marcado pelo machismo, as gêmeas relatam que passaram por situações preconceituosas. Para elas, o apoio da família foi e tem sido essencial para superar barreiras e dá o suporte necessário para lidar com possíveis situações de discriminação, como o racismo.

"Meu pai sempre dizia pra levantar a cabeça e não deixar eles passarem por cima da gente. Em relação ao racismo, foi algo que não passamos no futebol, mas nós estamos sempre cientes que pode acontecer no futuro", pontua Maria Eduarda.

Inspiradas pelas jogadoras Ludmila Silva, Formiga e Marta, as 'Marias' também esperam que a história de vida delas inspire outras meninas.

'Apesar dos obstáculos que nós mulheres passamos para conquistar o que queremos, nunca desistam dos seus sonhos e que cada dia mais possamos fortalecer essa rede de apoio para ajudar mais meninas em busca desse sonho!", finalizam Maria Clara e Maria Eduarda.

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