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Bolsa recua 1% com desempenho fraco da economia da China e cenário local; dólar cai

Diante do desempenho negativo da economia chinesa, com indicadores abaixo do esperado, a Bolsa brasileira (B3) seguiu o mau humor visto nos mercados europeus e asiático,para fechar em queda de 0,96%, aos 115.062,54 pontos nesta quarta-feira, 15. Além disso, novos sinais de tensão entre os Poderes também chamaram a atenção. No câmbio, porém, o dólar ficou alheio ao cenário de tensão e fechou com queda de 0,38%, a R$ 5,2375.

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Nesta quarta, os dados chineses se refletiram, mais uma vez, nos preços do minério de ferro, em queda superior a 4% no exterior, no menor nível desde outubro. Assim, a alta acima de 2% para o petróleo na sessão, foi insuficiente para que o Ibovespa evitasse correção perto de 1% na sessão. Na semana, o índice referência da B3 ainda avança 0,68%, com perdas no mês a 3,13% e, no ano, a 3,32%.

Entre as ações, Petrobras ON e PN tiveram altas de 1,09% e 1,74%, respectivamente, enquanto PetroRio subiu 7,44% e Bradespar, 5,23%. No entanto, o dia foi negativo para Vale ON, em baixa de 2,50%, e para o setor bancário. Hoje, Bradesco ON teve queda de 1,20%, Itaú, de 1,45% e Santander, de 2,09%.

Assim, o Ibovespa iniciou a semana buscando recuperar-se da anterior, "mas deu azar de pegar os mercados dos Estados Unidos no início de uma correção", diz Fernando Ferreira, head de research e estrategista-chefe da XP. Ontem, dados mais amenos da inflação americana fizeram investidores se preocuparem com uma chance de estagnação na economia do país.

"Além da antecipação do calendário eleitoral, que já se reflete nos preços dos ativos - algo que ficaria lá para fevereiro, março ou abril do ano que vem -, há um conjunto de outras incertezas, entre as quais, os preços das commodities, especialmente o minério de ferro, que acumula queda de 40% em um mês e meio, afetando a expectativa de lucros no setor", diz Ferreira.

Além dos Estados Unidos, a economia chinesa adicionou mais um pouco de tensão no mercado. "O varejo na China veio muito abaixo do esperado, em ritmo mais lento de crescimento, de 2,5%, frente a expectativa de 7%. Além do efeito sobre commodities, de que somos grandes exportadores, e levando em conta também que a China é um de nossos principais parceiros comerciais, foi o principal 'driver' para a queda do Ibovespa, em dia de alta no mercado americano", diz Flávio de Oliveira, head de renda variável da Zahl Investimentos.

"Os dados mais fracos na China prejudicaram a tomada de risco também em outros importantes mercados, como os da Europa, em dia no qual tivemos indicadores internos positivos, vale dizer, mas não o suficiente para segurar o Ibovespa", diz Rodrigo Franchini, sócio da Monte Bravo Investimentos, chamando atenção para o IBC-Br, considerado prévia do PIB, em alta de 0,6% em julho, acima da previsão de 0,4% para o mês. "Depois da leitura sobre a atividade de serviços, o resultado de hoje, importante, pode mostrar eventual aceleração do crescimento econômico para o último trimestre, principalmente", acrescenta.

No cenário político, permanece também no mercado certo ceticismo em relação a uma trégua na crise político-institucional, após a "carta à Nação" do presidente Jair Bolsonaro. Troca de farpas entre o presidente do STF, Luiz Fux, e o ministro da Economia, Paulo Guedes, em torno do imbróglio dos precatórios causou certo desconforto nas mesas de operação, embora não tenha tido grandes reflexos nas cotações.

Em evento virtual, Fux, em referência aos precatórios, disse: "Guedes é tão meu amigo que coloca no colo um filho que não é meu". O ministro respondeu ao gracejo dizendo que se tratava apenas de "um pedido desesperado de socorro" e que não estava depositando a responsabilidade no colo de Fux. "É que quando a gente está desesperado, pede proteção aos presidentes dos Poderes", afirmou Guedes.

A economista Cristiane Quartaroli, do Banco Ourinvest, observa que o mercado segue cauteloso porque vê com desconfiança a "aparente trégua político institucional" e eventuais dificuldades para o governo no Congresso. "Adicionalmente, o cenário econômico segue ruim, com várias casas revisando projeção de crescimento econômico para baixo, mesmo com os dados do IBC-Br um pouco acima do esperado", diz a economista.

Câmbio

Em sessão de liquidez reduzida, o dólar à vista oscilou entre estabilidade e leve baixa ao longo da tarde, em dia marcado por perdas da moeda americana frente a pares fortes e em relação à maioria das divisas de países emergentes e exportadores de commodities, em meio à cautela com o ambiente doméstico.

Segundo operadores, a postura mais cautelosa reflete, sobretudo, preocupações com as questões domésticas. "Temos um quadro de PIB pra baixo e inflação para cima, o que é bastante preocupante. Por isso, está difícil ver o dólar mais para baixo por enquanto", diz Cristiane, do Banco Ourinvest.

"O real continua sendo uma moeda muito desvalorizada. A expectativa de continuidade de alta de juros tende a atrair fluxo estrangeiro dos investidores com disposição para assumir um pouco mais de risco para ter prêmio maior, que são os juros do Brasil", diz a Viviane Vieira, operadora da B.Side Investimentos, escritório ligado ao BTG Pactual, que vê possibilidade de um dólar próximo de R$ 4,90 a R$ 5,00.

No exterior, o índice DXY - que mede o desempenho do dólar frente a seis moedas fortes - operou em queda durante toda a sessão. O dólar também caiu na comparação com as divisas emergentes, com exceção do rand sul-africano e da lira turca.


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