Carregando...

Boeing 787 Dreamliner enfrenta novo problema de fabricação

A fabricante americana Boeing confirmou nesta quinta-feira (14) que detectou um defeito de fabricação no 787 Dreamliner de longa distância, um modelo já afetado por problemas técnicos.

Peças de titânio da aeronave não respondem às normas de resistência exigidas para os 787 construídos nos últimos três anos.

"Recebemos uma notificação de um fornecedor sobre algumas peças que não foram construídas corretamente", disse um porta-voz da Boeing à AFP.

"Uma investigação está em curso, mas determinamos que não há perigo imediato para a segurança da frota de aviões em serviço", completou.

O primeiro Boeing 787 Dreamliner aterissa em no aeroporto de Tóquio — Foto: AFP

O primeiro Boeing 787 Dreamliner aterissa em no aeroporto de Tóquio — Foto: AFP

"As aeronaves que ainda não foram entregues serão reorganizadas de maneira correta antes da entrega aos clientes", afirmou o porta-voz.

Histórico de problemas

Este não é o primeiro incidente com o 787 Dreamliner, que fez seu primeiro voo comercial em 2011 –após três anos de atraso causados por problemas técnicos, mas então considerado o jato comercial 'mais moderno do mundo'.

Outros problemas de fabricação foram detectados no ano passado em uma parte da fuselagem e no estabilizador horizontal. Em meados de julho, a Boeing anunciou que encontrou outra falha no nariz da aeronave, o que obrigou a empresa a suspender as entregas e reduzir a produção.

Em 2019, um ex-funcionário afirmou que os passageiros do 787 Dreamliner poderiam ficar sem oxigênio se a cabine sofresse uma descompressão repentina. Testes teriam indicado que até um quarto dos sistemas de oxigênio poderia estar com defeito e não funcionar quando necessário.

Ainda em 2013, a Agência Federal de Aviação (FAA) dos Estados Unidos chegou a suspender os voos com esse modelo de avião após incidentes com aeronaves similares de companhias aéreas japonesas.

Segurança questionada

A segurança dos aviões da Boeing é muito questionada desde os acidentes com dois modelos 737 MAX que deixaram 346 mortos em 2018 e 2019.

Em março de 2019, os 737 MAX foram obrigados a ficarem no chão depois que acidentes mataram 346 pessoas na Etiópia e na Indonésia, provocando ações judiciais, investigações do Congresso e do Departamento de Justiça e cortou uma fonte importante de renda da Boeing.

Um painel da Congresso dos Estados Unidos concluiu, após 18 meses de investigação, que os dois acidentes com o Boeing 737 MAX foram resultado de falhas da fabricante de aeronaves Boeing e da FAA. "Eles foram o terrível resultado de uma série de suposições técnicas incorretas dos engenheiros da Boeing, uma falta de transparência por parte da administração da Boeing e uma supervisão grosseiramente insuficiente da FAA", concluiu o relatório.

Quase dois anos depois, em novembro de 2020, a Administração Federal de Aviação (FAA) dos Estados Unidos autorizou que o modelo voasse novamente. O chefe da FAA, Steve Dickson, assinou uma ordem suspendendo a proibição de voos e a agência divulgou uma diretriz de aeronavegabilidade detalhando as mudanças necessárias.


Deixe uma resposta

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados*