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Dólar tem leve alta e caminha para queda semanal, cotado a R$ 5,53 - Notícias - R7 Economia

O dólar passava a subir frente ao real nesta sexta-feira (14), mas caminha para encerrar a semana em baixa, em linha com as perdas registradas pela moeda no exterior nos últimos dias devido à redução de temores sobre os rumos dos juros nos Estados Unidos.

Às 10h20 (de Brasília), a moeda norte-americana à vista avançava 0,1%, a R$ 5,5343 na venda. Na B3, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,07%, a R$ 5,5520.

Na semana, a moeda caminha para uma queda de 1,7%, depois de fechar a última sexta-feira em R$ 5,6318 na venda.

O dólar também estava a caminho de perdas semanais no exterior, depois que seu índice frente a uma cesta de pares fortes recuou nos últimos três pregões. Nesta manhã, o índice rondava a estabilidade, mas chegou a cair para uma mínima desde novembro do ano passado mais cedo.

As perdas recentes do dólar refletem a percepção de investidores de que a maior parte da guinada mais dura na conduta da política monetária do banco central dos Estados Unidos --— que geralmente é fator de apoio para o dólar — já foi precificada. Recentemente, várias autoridades do Banco Central dos EUA defenderam que o primeiro aumento de juros nos EUA desde o início da pandemia aconteça já em março deste ano.

A expectativa predominante nos mercados é de que, depois da alta das taxas de empréstimo em março, o banco central aumente os juros mais duas vezes neste ano. Mas apostas mais agressivas, de que o Fed promoveria mais de três aumentos em 2022, perderam força nesta semana após dados de inflação norte-americanos em linha com as expectativas.

No Brasil, a cautela em torno da saúde das contas públicas permanecia elevada, após representantes de auditores fiscais que se reuniram com o ministro da Economia, Paulo Guedes, na quinta-feira, deixarem o encontro frustrados com a não apresentação de uma solução sobre o pagamento do bônus de eficiência reivindicado pela categoria, falando em acirramento de seu movimento de protesto.

A pressão de várias categorias do funcionalismo por reajustes salariais tem preocupado agentes dos mercados nas últimas semanas, com a percepção de que mais despesas do governo neste ano poderiam minar ainda mais a credibilidade fiscal do Brasil. Em 2021, ela foi abalada pela promulgação da PEC dos Precatórios, que alterou a regra do teto de gastos da União.

"Se o Brasil mostrar que não tem controle das contas públicas (o investidor estrangeiro) não vai querer alocar recursos nesse país" em meio à alta dos juros nos Estados Unidos, disse à Reuters Gilvan Bueno, gerente educacional da Órama Investimentos.

Ele chamou a atenção para o atual ciclo de aperto monetário do Banco Central do Brasil, que, embora aumente a atratividade do mercado doméstico de renda fixa, eleva a dificuldade de pagamento da dívida pública nacional, fator observado de perto por agentes internacionais para suas decisões de investimento. A taxa Selic está atualmente em 9,25% ao ano.

E pode haver mais riscos no horizonte com a aproximação das eleições presidenciais de outubro deste ano, segundo o especialista. "Historicamente, o câmbio, a inflação e a bolsa oscilam muito em anos eleitorais. Se o candidato que crescer nas pesquisas tiver um perfil mais gastador, a tendência é de piora dos ativos locais."

O dólar negociado no mercado interbancário fechou a última sessão em baixa de 0,13%, a R$ 5,5286 na venda, menor valor desde 17 de novembro do ano passado (R$ 5,5264).

Neste pregão, o Banco Central fará leilão de até 17 mil contratos de swap cambial tradicional para fins de rolagem do vencimento de 2 de março de 2022.

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