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Com a nova taxa de juros, veja quando a poupança vale a pena - Notícias - R7 Economia

A nova taxa básica de juros, de 13,75% ao ano, divulgada nesta quarta-feira (03) após o encerramento da reunião do Copom, o Comitê de Política Monetária do BC (Banco Central), influencia diretamente as operações de crédito e investimentos. Com o aumento de 0,5 ponto percentual da Selic, a poupança passa a ser um investimento mais vantajoso que fundos e outras aplicações em renda fixa em duas situações, diferentemente do que acontece normalmente, quando apresenta rendimento menor.

Entretanto, os fundos de investimento não perderam atratividade, explica Miguel José Ribeiro de Oliveira, diretor executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade). "Eles ganham da poupança na maioria das situações. As cadernetas de poupança só ficam mais interessantes sobre fundos cujas taxas de administração são superiores a 2,50% ao ano", diz.

Isso acontece porque a o rendimento da poupança (TR + 6,17% ao ano), além de ser garantido por lei, não sofre qualquer tributação. A TR é a Taxa Referencial, calculada pelo BC usando a média ponderada e ajustada dos juros pagos por títulos públicos atrelados à taxa Selic. O cálculo é um pouco complicado, mas pode ser feito com a Calculadora do Cidadão, no site do Banco Central.

Ao contrário da poupança, os rendimentos dos fundos de renda fixa sofrem tributação do imposto de renda. "Essa tributação é maior quanto menor for o prazo de seu resgate, e também existe uma taxa de administração cobrada pelos bancos", fala Oliveira. Ele explica que o custo dessa taxa fica entre 0,50% e 3% ao ano, o que é um padrão no sistema financeiro.

Quanto menor for o prazo de resgate da aplicação, se a taxa de administração cobrada pelo banco for alta (superior a 2,50% ao ano), maior vantagem vai ter a poupança frente aos fundos. "A poupança perde para os fundos com taxas de administração inferiores a 2,50% ao ano", analisa o diretor da Anefac.

Para chegar a essa conclusão, Oliveira fez uma simulação, em que compara o rendimento líquido mensal de um fundo de renda fixa e o da poupança. Ele considera a taxa de juros de 13,75% ao ano, o Imposto de Renda calculado de acordo com o prazo de resgate da aplicação, e a cobrança das taxas de administração do banco. Também leva em conta os seguintes períodos em que o dinheiro fica aplicado: até 6 meses; entre 6 meses e 1 ano; entre 1 ano e 2 anos; e acima de 2 anos. 

Com a Selic de 13,75% ao ano, as contas da poupança terão um rendimento mensal de 0,62% ao mês, correspondente a 6,17% ao ano + TR.

Em relação aos fundos de investimentos, se a taxa de administração do banco estiver entre 0,5% e menos de 2,50%, a poupança não vale a pena, porque o rendimento mensal do fundo sempre vai ser maior que 0,62%, independentemente do período em que o dinheiro ficar investido.

Quando a taxa for de 2,50%, apenas os investimentos com resgates realizados em até 6 meses terão o rendimento do fundo igual ao da poupança, de 0,62% ao mês. 

Se taxa de administração cobrada pelo banco for de 3,0%, as poupanças com prazos de resgate de até 6 meses e de 6 meses a 1 ano se mostram mais vantajosas. Nessas duas situações, os fundos teriam rendimentos mais baixos, de 0,57% e 0,60%, respectivamente. 

Para facilitar a compreensão, Oliveira mostra como ficaria uma aplicação financeira de R$ 10 mil em um prazo de 12 meses, considerando a Selic estável em 13,75% ao ano:

Investimento/taxa de adm.          juros/ano         rendimento          valor final

Poupança/ 0%                                     7,70%      -           R$ 770        -      R$ 10.770

Fundo/ 0,5% ao ano                        10,43%      -           R$ 1.043       -      R$ 11.043

Fundo/ 1% ao ano                             9,77%       -          R$ 977         -       R$ 10.977

Fundo/ 1,5% ao ano                          9,25%       -          R$ 925         -       R$ 10.925

Fundo/ 2% ao ano                             8,60%       -          R$ 860         -       R$ 10.860

Fundo/ 2,5% ao ano                          7,96%       -          R$ 796         -       R$ 10.796

Fundo/ 3% ao ano                             7,44%       -          R$ 744         -       R$ 10.744

Como pode ser visto acima, o investimento na poupança teria rendimento de 7,70% ao ano, acumulando R$ 770, o que totalizaria R$ 10.770 aplicados em 12 meses.

Em um fundo de investimentos com taxa de administração de 0,5% ao ano, o investidor teria rendimento de 10,43%, acumulando um valor de R$ 1.043, atingindo um total de R$ 11.043 no mesmo período.

Se a taxa do fundo de investimentos for de 1% ao ano, o rendimento cai um pouco, passa para 9,77% ao ano, o que dá um valor acumulado de R$ 977, e R$ 10.977 no total, ao fim dos 12 meses. Com taxa de administração de 1,5%, o rendimento acumulado seria de R$ 925 (9,25% ao ano), totalizando R$ 10.925. 

Já um fundo de investimentos com taxa de administração de 2% proporcionaria ao investidor rendimento no valor de R$ 860 (8,60% ao ano), com aplicação total de R$ 10.860. Por fim, se a taxa de administração cobrada pelo banco for de 3% ao ano, o rendimento acumulado fica em R$ 744 (7,44% ao ano), totalizando R$ 10.744.

Assim, a poupança, com rendimento de 7,70% ao ano, apresenta vantagem em relação ao fundo de investimentos com taxa de administração de 3%, que renderia 7,44% ao ano.

"Considerando uma aplicação em CDB, o investidor teria que obter uma taxa de juros de cerca de 85% do CDI para atingir o mesmo ganho da poupança, já que as aplicações em CDB pagam IR, de acordo com o prazo de resgate da aplicação", diz Oliveira.


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