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Total de jovens em idade escolar sem estudar no Brasil enche 69 estádios do Morumbi - Notícias - R7 Educação

A necessidade de trabalhar para ajudar a família, durante a pandemia, afastou da escola 39,1% dos estudantes brasileiros com idades entre 14 e 29 anos, segundo dados da Plataforma Juventude, Educação e Trabalho. Para piorar o cenário, três em cada dez jovens ouvidos pela pesquisa disseram que não pensam em voltar a estudar.

Estudantes do ensino médio estão entre os que mais abandonam as escolas, segundo Pesquisa e Avaliação da Fundação Roberto Marinho. “Quando olhamos a taxa de evasão ao longo das etapas de ensino, claramente observamos um aumento nos anos finais do ensino fundamental com um pico na entrada do ensino médio”, destaca Katcha Poloponsky, especialista da Assessoria de Pesquisa e Avaliação da Fundação Roberto Marinho.

A região Nordeste, que continha os maiores índices de abandono escolar, dessa vez, ficou atrás da região Sudeste (130.148 contra 103.203), segundo dados do Painel de desigualdades educacionais no Brasil. Ainda assim, Norte e Nordeste do país concentram os estados mais afetados pela evasão escolar nessa faixa etária. O melhor resultado é do estado de São Paulo, com 21,7% de jovens de 19 anos sem concluir o ensino médio, enquanto a média brasileira é de 36,5%.

Na realidade brasileira, o número de crianças e adolescentes fora das escolas subiu 12% nesse período de pandemia, segundo pesquisa do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), concluída em novembro de 2020. A pandemia conseguiu agravar um problema que já era crônico no país. Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o número de crianças e adolescentes sem estudar atinge cinco milhões. Considerando que um estádio do Morumbi, em São Paulo, comporta aproximadamente 72.039 pessoas, a quantidade de alunos fora das salas de aulas preenche cerca de 69 estádios como esse.

Longe dos livros, Maria de Fátima da Silva, 31 anos, faz parte desta triste estatística. Dividida entre trabalho e estudo, a paraibana concluiu o ensino médio com muito esforço, mas logo em seguida precisou procurar emprego para ajudar no sustento da casa. Hoje, sonha com o ensino superior, mas alega ainda não ter condições para investir na continuidade dos estudos. 
“Vejo a educação como algo muito importante. Infelizmente, tive que optar por trabalhar a estudar. Meus pais não eram aposentados por isso tive que trabalhar para ajudar nas despesas de casa. Minha mãe conseguiu se aposentar agora... Mesmo assim não poderei  continuar meus estudos. Queria muito, muito mesmo, tentei conseguir uma bolsa total pelo Enem mas não consegui. No momento, não tenho condições financeiras, tá muito difícil. Quem sabe um dia...”, sonha Maria de Fátima.

Principais motivos da evasão escolar no Brasil
Trabalho, falta de interesse e gravidez são os três principais motivos que fazem os jovens de 14 a 29 anos abandonarem as escolas ou não concluírem o ensino médio, de acordo com a Plataforma Juventude, Educação e Trabalho.

- Trabalho: 39,1% dos jovens brasileiros abandonam a escola para trabalhar, seja por pressão dos pais ou iniciativa própria para ajudar a família.
- Falta de interesse: 29,2% dos jovens ouvidos pela pesquisa revelaram não ter interesse em seguir com os estudos.
- Gravidez: 9,9% das jovens deixaram de ir à escola por motivo de gravidez. A gestação é vista nesse contexto como um evento não planejado ou fruto de violência e da ausência da educação sexual.

Iniciativas ajudam a reduzir a evasão escolar
Educadores, instituições de ensino e sociedade têm se mobilizado para manter os jovens na escola. Exemplo é o coletivo Negra Visão, idealizado pela atibaiana Silvana Cotrim. Com sua experiência como profissional de Recursos Humanos, Silvana vai às escolas do município para falar sobre a importância da educação e, principalmente, orientar jovens que estão em busca de oportunidades de trabalho.

Durante a pandemia, a estratégia migrou para as redes sociais do Coletivo Negra Visão, para continuar incentivando os estudos mesmo sem o contato presencial de antes. O alcance acabou repercutindo em mais pessoas. “A gente faz um trabalho de revalorização da história do estudante, dizendo que a única maneira que ele tem de crescer na vida é estudando. A gente consegue que eles voltem e consigam ajuda para superar as dificuldades”, pontua Cotrim.

A dificuldade financeira também assola entre os estudantes de escolas particulares. Com o aumento do desemprego entre os seus tutores, muitos estão recorrendo a iniciativas de instituições privadas para obtenção de bolsas de estudo parciais ou integrais. Além das iniciativas de escolas e faculdades, há ainda, programas privados de inclusão educacional que ofertam descontos em mensalidades em parceria com instituições de ensino em todo o país.

Outra iniciativa vem do Ministério da Educação (MEC), que em março desse ano lançou o Programa Brasil na Escola. O objetivo é combater a evasão escolar nos anos finais do ensino fundamental, bem como incentivar a permanência de estudantes entre o 6º e 9º ano. Com o programa, a expectativa é que as medidas de apoio técnico e financeiro às escolas e incentivo à inovação beneficiem um milhão de estudantes em cinco mil escolas do país.

Fonte: Agência Educa Mais Brasil


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