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"Meu objetivo é a verdade", diz Johnny Depp durante julgamento

O ator Johnny Depp declarou nesta terça-feira (19) em testemunho que nunca bateu em sua ex-mulher Amber Heard, e que está contestando as acusações em um caso de difamação de US$ 50 milhões em parte para proteger seus filhos de informações falsas sobre seu comportamento.

“Meu objetivo é a verdade”, falou no início de sua fala, de forma suave e lenta, em um tribunal da Virgínia. O ator disse que foi um “choque completo” há cerca de seis anos quando Heard “fez algumas alegações bastante hediondas e perturbadoras” de que ele se tornou violento durante o relacionamento.

“Eu mesmo nunca cheguei ao ponto de bater na Sra. Heard de forma alguma, nem nunca bati em qualquer mulher na minha vida”, disse Depp, que usava um terno escuro com o cabelo preso em um rabo de cavalo.

“Senti que era minha responsabilidade defender não apenas a mim mesmo, mas também defender meus filhos”, continuou. Seus dois filhos de um casamento anterior estavam no ensino médio na época, afirmou.

“É muito estranho quando um dia você é Cinderela, por assim dizer, e em menos de 1 segundo você é Quasimodo”, acrescentou Depp.

Depp, 58, alega que Heard, 35, o difamou quando escreveu um artigo de opinião em dezembro de 2018 no “Washington Post” sobre ser uma sobrevivente de abuso doméstico. Ele entrou com uma ação de US$ 50 milhões contra Heard em 2018.

O artigo nunca mencionou Depp pelo nome, mas o advogado de Depp, Benjamin Chew, disse aos jurados há uma semana que estava claro que Heard estava se referindo ao protagonista de Hollywood.

Os advogados de Heard argumentaram que ela disse a verdade e que sua opinião foi protegida como liberdade de expressão pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA.

Um juiz do tribunal estadual do condado de Fairfax, na Virgínia, está supervisionando o julgamento, que começou na última segunda-feira (11) e deve durar seis semanas.

Testemunhas chamadas pelos advogados de Depp incluíram amigos do astro de “Piratas do Caribe” e um médico e uma enfermeira que disseram que o trataram por abuso de substâncias. As testemunhas disseram que estavam cientes das discussões entre o casal, mas não testemunharam abuso físico de Depp contra Heard.

Menos de dois anos atrás, Depp perdeu um caso de difamação contra o “The Sun”, um tabloide britânico que o rotulou de “espancador de esposas”.

No caso dos EUA, Depp e Heard apresentaram longas listas de testemunhas em potencial que poderiam depor.

A lista de Heard inclui seu ex-namorado e CEO da Tesla, Elon Musk, com quem ela mandou uma mensagem sobre Depp. Também na lista de potenciais testemunhas está o ator James Franco.

O “Washington Post” não é réu no caso. Os advogados de Depp disseram que abriram o caso no condado de Fairfax, fora do distrito de Columbia, porque o jornal é impresso em uma instalação de lá.

Os Estados Unidos são um fórum difícil para autores de difamação, especialmente figuras públicas como Depp, que devem provar por evidências claras e convincentes que Heard fez alegações falsas conscientemente.

Depp e Heard se conheceram enquanto faziam o filme de 2011 “Diário de um Jornalista Bêbado” e se casaram quatro anos depois. Heard acusou Depp de abuso doméstico depois de pedir o divórcio em 2016.

Heard, conhecida por papéis em “Aquaman” e “Liga da Justiça”, apresentou sua própria acusação de difamação contra Depp, dizendo que ele a difamou chamando-a de mentirosa.

A reconvenção de Heard será decidida como parte do julgamento. Heard está pedindo US$ 100 milhões em danos de Depp, de acordo com documentos judiciais.

Após a decisão de novembro de 2020 no julgamento por difamação de Londres, Depp foi substituído pelo ator dinamarquês Mads Mikkelsen no terceiro filme da franquia “Animais Fantásticos”, um spin-off dos livros e filmes de “Harry Potter”.


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