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Crítica: "Top Gun: Maverick" decola com Tom Cruise em um voo empolgante

Misturando com maestria nostalgia e ação, “Top Gun: Maverick” voa mais alto do que tem direito. Constrói uma sequência fantástica 36 anos depois do primeiro filme (incluindo um atraso no lançamento por causa da pandemia da Covid-19). No entanto, o resultado é um filme bom, mas não ótimo, o que pode não ser suficiente para tirar o fôlego do espectador – mas chega perto.

O filme original, de 1986, apresentava Tom Cruise no início de seu estrelato no cinema, mas agora ele demonstra que, mesmo sendo um cara mais velho, ainda há muito para mostrar.

Mais velho, mas não necessariamente mais sábio, a história descreve Pete Mitchell de Cruise, também conhecido como Maverick, o temerário piloto da Marinha cuja carreira não correspondeu às suas habilidades de voo – em grande parte porque ele tem o mau hábito de não obedecer ordens e desrespeitar autoridade.

“Estou onde pertenço”, diz Maverick, quando perguntado por que ele ainda é um capitão depois de todos esses anos, após uma introdução à música “Danger Zone”, de Kenny Loggins, apenas para mostrar o clima.

À beira de pagar o preço por isso, ele tem a última chance, ao ser chamado de volta ao Top Gun para treinar pilotos para uma missão ultra-secreta, entre eles Rooster (Miles Teller), filho do parceiro que Maverick perdeu no primeiro filme.

Há mais do que isso, incluindo uma oportunidade de se reconectar com o velho amigo Iceman (Val Kilmer, cujos problemas de saúde fora da tela estão bem entrelaçados na história); batendo de frente com o comandante (Jon Hamm); e uma velha paixão (Jennifer Connelly).

E sim, o filme replica a disputa competitiva entre esses pilotos exigentes, embora a história tenha sido expandida para envolver mais diversidade, inclusive uma mulher (Monica Barbaro).

Cruise se reúne com o diretor de “Oblivion”, Joseph Kosinski, trabalhando a partir de um roteiro creditado a um trio de escritores, entre eles o colaborador frequente do astro, Christopher McQuarrie.

De alguma forma, o filme consegue, nas décadas seguintes, pintar o retrato de um cara cuja “necessidade de velocidade” o impulsionou para frente e o reteve, especialmente em termos de compromisso e desenraizamento.

Mesmo o enredo aparentemente cansado de Maverick carregando culpa por Goose todos esses anos, e se preocupando com o seu filho, funciona inesperadamente bem. Parte disso tem a ver com as amarras emocionais do filme, que são sentimentais sem se tornar melosas. (Uma dedicatória ao falecido Tony Scott, que dirigiu o original,  que dá um toque agradável.)

Ainda assim, é chamado de “Top Gun” por um motivo, e as sequências aéreas são viscerais e eficazes, transmitindo a adrenalina e o custo físico de se estar no céu, bem como a mentalidade necessária para enfrentar ansiosamente esses riscos.

De alguma forma, o filme “Maverick” consegue reciclar esses temas – com um elenco excepcional de novos pilotos – e ainda se sentir contemporâneo, ao mesmo tempo que se aproxima das virtudes antiquadas do tipo de filme que floresceu nos anos 1980, mas que encontrou um universo consideravelmente menos amigável ​​nos últimos anos.

A Paramount esperou muito tempo para lançar “Top Gun” nos cinemas, e essa aposta parece ter dado certo. Porque enquanto você pode assistir ao heroísmo de Maverick no conforto de casa, como o homem disse, a tela grande é onde ele pertence.

O filme estreia nos cinemas brasileiros no dia 26 de maio.


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