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Dioceses católicas da Espanha vão coletar acusações de abuso após reunião com Papa

A Igreja Católica da Espanha deve criar comissões locais para ouvir reclamações de vítimas de abuso depois de conversar com o Papa Francisco, nesta sexta-feira (14), sobre alegações de mais de oito décadas detalhadas em um jornal espanhol.

O El Pais publicou em dezembro os resultados de uma investigação de três anos, que revelou ter descoberto possíveis abusos de 251 padres e alguns membros de instituições religiosas contra pelo menos 1.237 vítimas entre 1943 e 2018.

Ele disse que seu correspondente entregou um dossiê de 385 páginas ao Papa em 2 de dezembro, enquanto a comitiva papal e os jornalistas estavam voando de Roma para Chipre.

O cardeal Juan José Omella, presidente da Conferência Episcopal da Espanha, discutiu questões de abuso sexual com ele no Vaticano e disse que cada diocese criaria uma comissão para receber acusações e depois investigar.

Eles “reunirão reclamações, apoiarão as pessoas que se sentem prejudicadas e impedirão que essas coisas aconteçam novamente”, disse Omella em entrevista coletiva após a reunião.

Os escândalos de abuso sexual na Igreja Católica global chegaram às manchetes pela primeira vez em 2002, quando o jornal americano Boston Globe escreveu uma série de artigos expondo o abuso de menores por clérigos e uma cultura generalizada de ocultação dentro da Igreja.

Em junho passado, o Papa disse que a crise de abuso sexual na Igreja Católica era uma “catástrofe” mundial. Desde sua eleição em 2013, ele tomou uma série de medidas destinadas a acabar com o abuso sexual de menores por clérigos.

A igreja espanhola rejeitou as sugestões de que criasse um órgão de investigação independente, como foi feito na França e recentemente anunciado em Portugal.

Omella disse que é melhor que as vítimas sejam tratadas pelas dioceses locais e que as comissões “esclareçam e realizem todos os processos necessários, conforme exigido pela Santa Sé e tribunais civis.


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