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Quem era Marcelo Pecci, promotor assassinado na Colômbia que investigava narcotráfico

O promotor Marcelo Pecci, assassinado na Colômbia na terça-feira (10), era uma figura reconhecida nacional e internacionalmente por seu trabalho na luta contra o tráfico de drogas.

De “procurador excepcional” a “servidor impecável”, os elogios se multiplicaram para este funcionário do Ministério Público do Paraguai que “começou de baixo”, segundo o procurador geral, e agora liderava casos de alto nível.

Pecci estava na Ilha Baru, perto de Cartagena, com sua esposa, a jornalista Claudia Aguilera, quando dois homens desceram de um jet ski e atiraram nele, disse o ministro do Interior do Paraguai, Federico Gonzalez, à CNN na terça-feira.

Recém-casados e esperando um filho

Marcelo Pecci havia se casado com a jornalista Claudia Aguilera há apenas alguns dias: o casamento aconteceu em 30 de abril, segundo informações que ela compartilhou em suas redes sociais.

Pouco antes da notícia de sua morte, Aguilera havia compartilhado na Instagram que eles seriam pais. A mensagem, que acompanhava uma foto com sapatos de bebê em primeiro plano e eles abraçando em segundo plano, dizia: “O melhor presente de casamento é… a vida aproximando você do mais belo testemunho de amor”.

Um promotor que “começou de baixo”

“Marcelo é um funcionário público muito antigo. Ele começou como datilógrafo, ele começou de baixo, geracionalmente estava em uma carreira consolidada”, disse a procuradora-geral do Paraguai, Sandra Quiñonez, que acrescentou que sua morte “não será em vão” e em seu nome avançará “com mais força contra as estruturas criminosas”.

A unidade especializada anti-narcóticos da Pecci foi criada em 2007, no Paraguai, para investigar crimes relacionados às drogas.

Entre outras coisas, sua função é desmantelar organizações envolvidas no tráfico internacional de drogas, venda de drogas em áreas urbanas, eliminar laboratórios clandestinos, destruir plantações de maconha e impedir a lavagem de dinheiro e mercadorias do tráfico de drogas.

A unidade, que Pecci coordenou nacional e internacionalmente, disse em uma declaração que Pecci era um “funcionário público impecável e altamente qualificado”. Ela também destacou sua “coragem e firmeza” na luta contra o tráfico de drogas.

Reconhecido internacionalmente

Marcelo Pecci era membro da Rede Ibero-Americana de Procuradores Antidrogas, formada por promotores de justiça de 20 países.

Em suas redes sociais, o grupo descreveu Pecci como “um promotor excepcional comprometido com seu trabalho como um serviço à sociedade paraguaia e como uma forma de contribuir para um mundo mais seguro”.

“Marcelo foi um exemplo para todos e agora nos deixa com um vazio e uma enorme dor”, escreveu o grupo.

A publicação também destaca seu “grande trabalho” como colaborador da agência da ONU dedicada à luta contra as drogas e a criminalidade.

O diretor geral da Polícia Nacional da Colômbia, Jorge Luis Vargas, disse em entrevista ao Monumental que sua morte foi “um golpe na luta global contra o terrorismo internacional e contra o tráfico de drogas no mundo inteiro”.

Casos com “condenações importantes”

Marcelo Pecci tinha estado envolvido em casos com “condenações importantes” que poderiam estar por trás do que aconteceu, segundo as autoridades locais.

Em entrevista à Rádio Monumental 1080 AM na quarta-feira, o Comissário Gilberto Fleitas, comandante da Polícia Nacional do Paraguai, disse que as autoridades locais presumem que os supostos perpetradores do crime começaram a segui-lo no Paraguai.

“Pensamos que o rastreamento poderia ter começado aqui. Pensa-se, presume-se que os casos que ele estava buscando, alguns deles com condenações importantes, alguns estrangeiros com penas importantes no país, poderiam ser a causa desta situação. Só vamos descobrir a tempo, quem poderia ser, de onde veio…”, disse Fleitas.

Funcionários do Paraguai, Colômbia e Estados Unidos estão participando da investigação do crime. Na terça-feira à tarde, o procurador geral da Colômbia, Francisco Barbosa, disse que havia enviado “investigadores com experiência em homicídios” para investigar o que aconteceu.

Pecci também esteve envolvido no caso do ex-astro do futebol Ronaldinho, que foi preso e investigado por usar documentos falsos para entrar no país em 2020.

*Com informações de Sanie López-Garelli, Fernando Ramos e Gabriela Frías, da CNN em Espanhol


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