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Comitê do Capitólio diz que Trump intimidou funcionários para alterar resultados das eleições - Notícias - R7 Internacional

O comitê legislativo que investiga o ataque ao Capitólio informou nesta terça-feira (21) que o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump intimidou funcionários e trabalhadores eleitorais de vários estados para alterar o resultado das eleições de 2020.

Vários funcionários estaduais testemunharam perante o comitê hoje e garantiram que receberam ameaças de morte de apoiadores de Trump, que os assinalaram publicamente por não quererem alterar os resultados das eleições presidenciais de novembro de 2020.

Uma das testemunhas foi o secretário de Estado da Geórgia, Brad Raffensperger, a quem Trump exigiu que encontrasse votos suficientes para anular o resultado das eleições naquele estado, alegando sem provas que os democratas cometeram fraude.

Raffensperger disse que sua equipe investigou "todas as alegações" de fraude eleitoral feitas por Trump e concluiu que não ocorreu nenhuma irregularidade.

Questionado pelo congressista democrata Adam Schiff se as alegações de Trump de que na Geórgia havia 5.000 votos de pessoas que morreram haviam sido investigadas, Raffensperger respondeu que "na verdade, em suas queixas, eles alegavam 10.315 mortes".

"Encontramos dois falecidos quando escrevi minha carta ao Congresso, datada de 6 de janeiro, e logo em seguida encontramos mais dois, ou seja, uma, duas, três, quatro pessoas, não 4.000, apenas um total de quatro. Não são nem 5.000, nem 10 mil", destacou.

Raffensperger acrescentou que os números "não mentem" e que revisaram todos os dados eleitorais após alegações de Trump e seu então advogado pessoal, Rudy Giuliani, de que cerca de 66 mil eleitores menores de idade votaram nas eleições de 2020.

"Descobrimos que havia zero" eleitores menores de idade, disse o secretário de Estado da Geórgia.

Por não seguir os ditames de Trump e Giuliani, Raffensperger se tornou alvo da ira do então presidente, que insinuou que o funcionário poderia ser responsabilizado criminalmente por rejeitar suas acusações, sem provas, de fraude eleitoral.

O secretário de Estado da Geórgia explicou que sua esposa recebeu ameaças sexuais e que seu próprio número de celular e endereço de e-mail foram publicados na internet, o que o levou também a receber ameaças.

Por sua vez, Gabriel Sterling, responsável pela implementação do sistema de votação nas eleições de 2020 na Geórgia, explicou como os trabalhadores eleitorais foram ameaçados após essas eleições.

Sterling disse ao comitê que ficou muito chateado quando descobriu que um terceirizado que trabalhava para a Dominion Systems, a empresa que fabrica as máquinas de contagem de votos, estava recebendo ameaças de morte de seguidores do QAnon, um movimento conspiratório.

A testemunha lembrou de uma ligação que recebeu do gerente de projeto da Dominion Systems, que lhe disse que um de seus funcionários foi ameaçado em um vídeo postado por apoiadores do QAnon.

Após a ligação, Sterling indicou que pesquisou no Twitter e encontrou o nome do terceirizado, que foi acusado de ter cometido traição.

"Esta foi a gota d'água", comentou Sterling, que deu uma entrevista coletiva em dezembro, um mês após a eleição, onde alertou que as acusações de Trump poderiam gerar violência.

Também participou da audiência desta terça-feira outra vítima das acusações de Trump, Shaye Moss, uma pesquisadora da Geórgia que contou ao comitê a campanha de assédio que enfrentou depois de se tornar alvo de Trump e seus aliados.

Moss e sua mãe, Ruby Freeman, também funcionária eleitoral, foram acusadas ​​pelo presidente, que não apresentou provas, de terem manipulado cédulas falsas em favor de Biden durante a noite das eleições. Em consequência, ambas as mulheres receberam ameaças de morte e racistas via Facebook.

"Muitas ameaças me desejando a morte, me dizendo que eu acabaria na cadeia com minha mãe e dizendo coisas como 'fique feliz por ser 2020 e não 1920'", lembrou Moss.

Um vídeo do depoimento gravado de Freeman foi exibido na sessão, no qual ela disse que havia perdido sua reputação por causa das acusações infundadas de Trump e que teve que se mudar de casa após a eleição, depois que o FBI lhe disse que não seria seguro ficar ali até pelo menos a posse de Biden em janeiro de 2021.

Mesmo assim, Freeman ressaltou que até hoje ela não se sente segura em lugar nenhum.


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