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Escola do Texas onde ocorreu massacre com 21 mortes em maio será demolida

A escola primária em Uvalde, no Texas, Estados Unidos, onde um atirador matou 19 crianças e dois professores no mês passado, será demolida, disse o prefeito da cidade nesta terça-feira (21).

O anúncio vem horas depois de um alto funcionário do governo estadual dizer que a resposta da polícia ao tiroteio na Robb Elementary School foi “um fracasso abjeto”, no qual um comandante colocou a vida dos policiais acima das crianças.

O prefeito de Uvalde, Don McLaughlin, não deu um prazo para quando o local será demolido, mas afirmou em uma reunião do conselho: “Você nunca pode pedir a uma criança ou a um professor que volte para aquela escola“.

Em uma audiência separada no Senado do estado do Texas sobre o tiroteio de 24 de maio, o diretor do Departamento de Segurança Pública (DPS) do Texas, Steven McCraw, pontuou que o comandante no local tomou “decisões terríveis” e os policiais não tinham treinamento suficiente, custando tempo valioso durante o qual vidas poderiam ter sido salvas.

“Há evidências convincentes de que a resposta da polícia ao ataque na Robb Elementary foi um fracasso abjeto e antitético a tudo o que aprendemos”, destacou McCraw.

Muitos pais e parentes das crianças e funcionários expressaram profunda raiva pela ação das forças de segurança depois que o rapaz começou o ataque na Robb Elementary School.

Segundo McCraw, um dos motivos do atraso para a resposta ao tiroteio foi a busca por uma chave para a sala de aula onde ele ocorria. O diretor observou que a porta não estava trancada e não havia evidências de que os oficiais tentaram verificar se estava trancada enquanto outros procuravam por uma chave.

“Não há como… o sujeito trancar a porta por dentro”, disse McCraw.

Dias após o ataque, o DPS do Texas informou que 19 policiais esperaram por mais de uma hora em um corredor do lado de fora das salas de aula 111 e 112 antes de uma equipe tática liderada pela Patrulha de Fronteira finalmente entrar no local. McCraw reiterou isso na audiência desta terça-feira.

“Os oficiais tinham armas, as crianças não. Os oficiais tinham coletes à prova de balas, as crianças não. Os oficiais tinham treinamento, o sujeito não tinha. Uma hora, 14 minutos e oito segundos: foi o tempo que as crianças e os professores esperaram na sala 111 para serem socorridos“, pontuou o diretor do DPS.

“Três minutos depois que o sujeito entrou no prédio oeste, havia um número suficiente de policiais armados vestindo proteções para isolar, distrair e neutralizar o sujeito”, acrescentou McCraw.

“A única coisa que impediu um corredor de oficiais dedicados de entrar na sala 111 e 112 foi o comandante no local, que decidiu colocar a vida dos policiais antes da vida das crianças”, acrescentou o diretor na audiência.

McCraw disse que o comandante, o chefe de polícia das escolas de Uvalde, Pete Arredondo, “esperou por rádio, rifles, escudos e pela SWAT. Por fim, esperou por uma chave que nunca foi necessária”.

Arredondo não esteve em nenhuma das duas audiências.

No início deste mês, ele afirmou nunca se considerar um comandante no incidente e que não ordenou que a polícia não invadisse o prédio.

Na reunião do conselho da cidade na noite desta terça-feira, o prefeito McLaughlin acusou McCraw de desviar a culpa da polícia estadual.

“A cada briefing ele deixa de fora o número de seus próprios oficiais e guardas florestais que estavam no local naquele dia”, acusou. “O coronel McCraw tem uma agenda, que é não apresentar um relatório completo sobre o que aconteceu e dar respostas factuais às famílias desta comunidade”, adicionou.

McLaughlin disse ainda que as autoridades estaduais estavam deixando a cidade e seus moradores no escuro.

Greg Abbott, governador do Texas, pediu em comunicado que todos os fatos sobre o tiroteio sejam divulgados às famílias das vítimas e ao público o mais rápido possível.

A Câmara Municipal de Uvalde votou por unanimidade na noite de terça-feira para negar uma licença para Arredondo como membro do conselho. O chefe de polícias das escolas do município ganhou a eleição para o conselho pouco antes do tiroteio, mas não compareceu às duas reuniões feitas desde então. Negar-lhe uma licença configura sua saída potencial como membro se ele perder uma terceira reunião consecutiva.

Arredondo disse ao Texas Tribune que deixou seus dois rádios do lado de fora da escola porque queria ter as mãos livres para segurar sua arma. Ele pontuou ainda que pediu equipamento tático, um franco-atirador e chaves para entrar, mantendo-se afastado das portas por 40 minutos para evitar provocar rajadas de tiros.

Membros da comunidade, juntamente com os pais das vítimas, pediram a Arredondo que renuncie durante uma reunião do conselho escolar na segunda-feira, informou a ABC News.


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