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Ativista saudita é condenada a 34 anos de prisão por publicações no Twitter

A ativista dos direitos das mulheres sauditas Salma al-Shehab foi condenada a 34 anos de prisão na segunda-feira (15) por suas atividades no Twitter, de acordo com documentos judiciais vistos pela CNN.

Al-Shehab, de 33 anos, também foi proibida de viajar para fora da Arábia Saudita por mais 34 anos.

A estudante de doutorado da Universidade de Leeds, no Reino Unido, havia sido presa em janeiro de 2021 e submetida a sessões de interrogatório por um período de 265 dias antes de ser levada ao Tribunal Criminal Especializado, segundo a organização independente de direitos humanos ALQST.

Ela recebeu inicialmente uma sentença de seis anos no final do ano passado – que foi aumentada para 34 anos depois que Al-Shehab entrou com um recurso, de acordo com os documentos.

As acusações apresentadas contra ela pelo Ministério Público incluíam “fornecer socorro àqueles que procuram perturbar a ordem pública e minar a segurança do público em geral e a estabilidade do estado, e publicar rumores falsos e tendenciosos no Twitter”, disse o ALQST.

Al Shehab disse ao tribunal que, sem aviso prévio, ela foi “impulsionada” para a investigação de meses, durante a qual foi mantida em confinamento solitário, de acordo com os documentos do tribunal.

A mãe de dois filhos também pediu ao tribunal que considerasse a necessidade de cuidar de seus filhos e da mãe doente, segundo os documentos.

A chefe de monitoramento e comunicações da ALQST, Lina Al-Hathloul, disse à CNN que al-Shehab foi presa por apoiar sua irmã Loujain al-Hathloul – uma ativista proeminente que passou mais de 1.000 dias na prisão após uma varredura em maio de 2018 que visava conhecidos opositores da lei rescindida do governo que proíbe as mulheres de dirigir – e outros posicionamentos no Twitter.

Lina Al-Hathloul disse na declaração do ALQST que a sentença de Al-Shehab “faz uma zombaria das reivindicações das autoridades sauditas de reforma para as mulheres e do sistema legal”, acrescentando que “mostra que eles continuam determinados a punir severamente qualquer um que expresse suas opiniões livremente.”

Eles pediram que o governo saudita libertasse Al-Shehab e exigiram que o governo protegesse a liberdade de expressão.

A conta do Twitter de Al-Shehab permanece online com um tweet fixado que diz: “Liberdade para prisioneiros de opinião e todos os oprimidos do mundo”.

O Departamento de Estado dos EUA disse na quarta-feira (17) que está “estudando” o caso.

“Mas posso dizer que isso é um assunto geral e posso dizer isso sem qualquer ressalva e resolutamente: o exercício da liberdade de expressão para defender os direitos das mulheres não deve ser criminalizado”, disse o porta-voz do Departamento de Estado Ned Price em uma entrevista com repórteres.

Questionado se a Arábia Saudita foi encorajada pelos recentes compromissos dos EUA com o país, Price respondeu que “nosso compromisso… deixou claro… que os direitos humanos são centrais em nossa agenda”.

Kylie Atwood, da CNN, contribuiu para esta reportagem.


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