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No Amazonas, parentes de doentes enfrentam filas para comprar cilindro de oxigênio

No Amazonas, parentes de doentes enfrentam filas para comprar cilindro de oxigênio

No Amazonas, parentes de doentes enfrentam filas para comprar cilindro de oxigênio

A capital do Amazonas está expondo ao Brasil e ao mundo as consequências do descontrole da pandemia do coronavírus. Os hospitais de Manaus racionando um produto básico, vital, o oxigênio, e cidadãos com parentes internados fazem fila para comprar o próprio cilindro.

Dentro da ambulância, na entrada da emergência do Hospital 28 de Agosto, uma senhora de 57 anos agoniza com falta de ar.

“Eles não aceitaram minha mãe, eles não querem, querem que leve para outro hospital, não tem condições, pelo amor de Deus, não tem condições”.

Segundo o hospital, por causa do racionamento de oxigênio, pacientes precisam aguardar nas ambulâncias.

O pastor Valquimar Batista passou nove horas percorrendo hospitais até conseguir a internação para um amigo. Mas a vaga veio com uma condição.

“E aí no final, no quinto hospital, que foi o Platão, o aceitaram perguntando se nós aceitávamos a condição que era ele dividir oxigênio com outras pessoas de dez em dez minutos, e nós aceitamos”.

O fotógrafo Telson Ferreira perdeu o pai - mais uma vítima da falta de oxigênio.

“O oxigênio já tinha faltado ontem. Aí ele conseguiu sobreviver um pouco porque, infelizmente, um outro paciente tinha falecido. Aí pegaram esse cilindro e colocaram nele. Acabou e, mediante isso, meu Deus, meu pai, infelizmente, está aguardando a volta de Cristo”.

Os relatos não param.

“O pessoal que morreu aqui foi tudo por falta de oxigênio. Não tem. Se não abastecer, não tem. Vão morrer. Está saindo aqui gente morrendo porque não tem. Até para comprar está difícil”, disse a operadora de caixa Lídia Nascimento.

Comprar significa enfrentar um cenário de gente aglomerada numa disputa por cilindros de oxigênio. Cada cilindro tem nome e uma vida a ser salva.

O universitário Eduardo Gouveia foi comprar a terceira carga de oxigênio para o pai, que está em casa.

“Tem que estar 24 horas com o cilindro, se não, ele não consegue”.

A assistente social Alana Menezes sabe como é isso. Sem leito para a mãe, ela vive o drama de precisar de oxigênio em casa.

“O problema é que, quem está em casa, não está por escolha, está por falta de leito nos hospitais. Nós somos apenas pessoas comuns, acompanhando seus familiares e vendo o sufoco, vendo a agonia, vendo a falta de ar, vendo a queda de pressão. Eu peço pelo amor de Deus que isso seja revisto”.

O problema vai além do oxigênio. À GloboNews, o presidente do Conselho Regional de Enfermagem do Amazonas, Sandro André, disse que também faltam equipamentos.

“Faltam monitores, faltam oxímetros, faltam ventiladores, os serviços de pronto-atendimento, que são os SPAs, estão superlotados”, contou.

A Secretaria de Saúde do Amazonas afirmou que trabalha com apoio do governo federal no transporte de oxigênio para as unidades de saúde em Manaus. A Força Aérea já levou para a cidade 386 cilindros de oxigênio. A secretaria só não informou quanto tempo deve durar essa remessa de oxigênio.

O governo do estado chegou a cogitar a transferência de 61 bebês prematuros que estão em UTIs. Mas o Ministério da Saúde encaminhou cilindros extras de oxigênio para atender a esses bebês. Essa ajuda deve durar só por mais 48 horas. O governo do Amazonas afirmou que vai continuar monitorando a situação dos bebês e tentando conseguir mais oxigênio para que os prematuros não precisem de transferência para outros estados.

O governo do Amazonas já deu início à transferência de pacientes com Covid para outros estados. Nove seguiram na manhã desta sexta-feira (15) para Teresina. Outros 15 saíram no início da noite com destino ao Maranhão. No total, são 235 pacientes do Amazonas que vão ser transferidos para sete estados e para o Distrito Federal.

Num trabalho integrado entre estado, governo federal e Forças Armadas, começou a construção de uma enfermaria de campanha com capacidade para 60 leitos, que deve ser entregue na próxima semana.

A empresa White Martins, responsável pela maior parte do fornecimento de oxigênio aos hospitais de Manaus, afirmou que recebeu autorização da Anvisa para reduzir temporariamente o percentual mínimo de pureza do oxigênio medicinal produzido no Amazonas, o que aumenta a capacidade de produção de oxigênio, e que remanejou equipamentos, funcionários e oxigênio de outras fábricas para Manaus.


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