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Queiroga diz na CPI que ainda não há vacina suficiente para imunizar toda população até o fim do ano

Queiroga diz na CPI que ainda não há vacina suficiente para imunizar toda população até o fim do ano

Queiroga diz na CPI que ainda não há vacina suficiente para imunizar toda população até o fim do ano

A CPI da Covid ouviu nesta terça-feira (8), pela segunda vez, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Ele admitiu que o Brasil ainda não tem vacina suficiente para imunizar toda a população até o fim do ano.

Na abertura da sessão, o ministro Marcelo Queiroga repetiu que a prioridade dele é vacinar toda a população e que o cenário da pandemia no país é preocupante.

A partir daí, o relator da CPI, senador Renan Calheiros, do MDB, passou a fazer perguntas dando prioridade a duas questões: os perigos de a pandemia se agravar com a realização da Copa América no Brasil e as supostas interferências políticas no ministério que minam a autonomia de Queiroga.

Renan lembrou que no primeiro depoimento à CPI, no início de maio, Queiroga falou que a chegada dele ao ministério representava uma mudança de posicionamento do governo federal no combate à pandemia.

Mas, em um vídeo, o relator mostrou que o presidente Jair Bolsonaro continua adotando posturas contrárias à orientação do próprio ministro sobre o uso de máscara e que provocam aglomerações.

Ele perguntou se Queiroga conversou com o presidente sobre este comportamento dele.

"O presidente da República não conversou comigo acerca da atitude dele. Sou ministro da Saúde. Eu não sou um censor do presidente da República. Eu faço parte de um governo. O presidente da República não é julgado pelo ministro da Saúde. As recomendações sanitárias estão postas. Cabe a todos aderir a essas recomendações", disse Queiroga.

Renan: Vossa excelência não o orienta?

Queiroga: É evidente que, sim, senador. É evidente que sim.

Renan: E ele não segue suas orientações?

Queiroga: Mas isso é um ato individual, senador. As imagens, elas falam por si só. Eu estou aqui como ministro da Saúde para ajudar o meu país. É esse o meu objetivo e não vou fazer juízo de valor a respeito da conduta do presidente da República.

Omar Aziz, presidente da CPI: Mas é constrangedor o senhor, como ministro, orientar a população toda a ter os cuidados necessários, e o chefe maior da nação, que deveria ouvir o seu ministro de Saúde, não ouve. Então, é isto que nós queremos saber: como é que pode se fazer uma política, dentro do Ministério da Saúde, se o principal, a principal personalidade do Brasil não lhe ouve? Como é que o senhor pode convencer os outros se não consegue convencer a pessoa que teria de ser convencida primeiramente porque o nomeou?

Queiroga: Senador, eu procuro fazer a minha parte.

Depois, o relator da CPI questionou Queiroga sobre a realização da Copa América no Brasil, no momento em que especialistas falam no risco de uma terceira onda de Covid no país.

Disse que não foi consultado sobre a realização do torneio, mas defendeu o evento e afirmou que a realização da Copa não vai aumentar os riscos de contágio no Brasil.

Queiroga: Então, a minha função, nesse episódio, não foi dar aval para acontecer ou não a Copa América no Brasil, porque isso não é a função do Ministério da Saúde. O que o presidente me pediu foi que avaliasse os protocolos, e nós avaliamos os protocolos da CBF e da Conmebol, e são protocolos que permitem a segurança para a ocorrência dos jogos no Brasil.

Renan: Vossa excelência está assegurando que não há risco, não é?

Queiroga: Não estou assegurando que não há risco. Estou dizendo que não existe risco adicional.

Ao defender que o evento não representava risco, Queiroga chegou a dizer que no Campeonato Brasileiro apenas uma pessoa foi infectada.

O serviço de checagem do G1, Fato ou Fake, mostrou que a afirmação está errada. Na verdade, foram mais de 300 casos positivos.

Na sequência, Queiroga foi questionado sobre o número de infectologistas em cargos decisórios no Ministério da Saúde.

Queiroga: Senador, o Ministério da Saúde, ao longo do tempo, tem perdido quadros. Nós não temos, no Ministério da Saúde, médicos infectologistas.

Renan: Não temos?

Renan passou, então, a perguntar sobre suposta interferência da ala ideológica do governo no Ministério da Saúde. Ele citou o caso da médica Luana Araújo - convidada por ele a ocupar o cargo de secretária extraordinária de Enfrentamento à Covid, e, dez dias depois, desconvidada.

No depoimento que prestou à Comissão, na semana passada, Luana afirmou que ouviu do ministro que o nome dela não foi aprovado pela Secretaria de Governo da Presidência da República. O próprio ministro, em uma audiência no mês passado, disse que Luana não ficou no cargo porque não teve validação política.

“Nós encaminhamos. Ela não foi nomeada. Nós vivemos num regime presidencialista, eu fui indicado por quem? Por quem de direito, o presidente da República. E é necessário que exista validação técnica e que exista também validação política para todos os cargos”, disse Queiroga no dia 26 de maio.

Nesta terça-feira, Queiroga mudou de versão e disse que a decisão foi dele.

“Eu desisti do nome da doutora Luana, porque eu vi que o nome dela não estava suscitando o consenso que eu desejava. Não é restrição, eu mudei a minha decisão. Eu não falei que era o Palácio. Se a doutora Luana entendeu dessa forma, é questão de entendimento dela”, afirmou Queiroga.

Para senadores da CPI, o episódio mostra que Queiroga não tem autonomia para tocar as políticas do Ministério da Saúde e criticaram o ministro por tentar maquiar a situação.

Perguntado se teve independência para montar sua equipe técnica, Queiroga rebateu:

“O presidente me deu autonomia para eu conduzir o Ministério da Saúde. Isso não significa uma carta branca para fazer tudo que quer, não existe isso. O regime é presidencialista. Até o momento, não houve nenhum ponto que me fizesse sentir desprestigiado à frente do Ministério da Saúde. Se isso acontecer, se eu achar que não posso trabalhar e cumprir a minha missão, eu vou agradecer a Sua Excelência e volto para o meu estado, senador”.

Governistas voltaram a falar sobre a presença ou não de infectologistas no Ministério e tentaram ajudar o ministro.

Marcos Rogério: O Ministério da Saúde tem, pelo menos, sete infectologistas, sete.

Aziz: Não, o ministro disse que não tem nenhum.

Heinze: Tem.

Renan: Não tem nenhum.

Heinze: Tem, sim, senhor.

Renan: Então, o ministro está mentindo? Respeita o ministro.

Heinze: Tem sete.

Pela primeira vez na CPI, o ministro Marcelo Queiroga foi enfático ao condenar o uso de medicamentos, que não tem eficácia científica comprovada, como a cloroquina, no tratamento precoce.

Em seu primeiro depoimento à CPI, ele preferiu não se posicionar. Nesta terça-feira, diante da insistência de senadores, Queiroga foi explícito.

Renan: Qual é a sua opinião técnica como médico sobre o tratamento precoce da Covid-19? Especialmente sobre a utilização da cloroquina, hidroxicloroquina e ivermectina.

Queiroga: Essas medicações não têm eficácia comprovada, não têm eficácia comprovada.

Renan, então, perguntou por que ele não revogou a nota técnica do Ministério da Saúde que ainda hoje orienta sobre o uso da cloroquina.

Queiroga: A nota informativa perdeu o seu objeto.

Renan: O que impede o ministério de revogar essa nota informativa?

Queiroga: A nota não é um protocolo, a nota é apenas uma informação de dose. Ela perdeu o objeto, porquanto a Conitec está elaborando o protocolo.

Renan: Você não vai retirar?

Queiroga: Não, ela faz parte da história. Ela não é um ato administrativo. Portanto, não cabe revogação.

Renan: Ao se manter lá, ela ajuda que a dúvida persista, ministro. O senhor sabe disso.

Queiroga: Não, não sei disso.

A discussão terminou com Queiroga repetindo que nenhum infectologista ocupa função de destaque no ministério.

Senadores da tropa de choque não fizeram muitas perguntas. Preferiram reforçar a defesa do governo.

O senador Eduardo Girão (Podemos-CE) disse que enquanto falava na CPI, o ministro estava deixando de trabalhar:

“Chamou o senhor, colocou o senhor para vir aqui, tirando-o do front, tirando vossa excelência do front. Quanto é que representa, senador Marcos do Val, um dia de trabalho do ministro da Saúde no momento grave, gravíssimo, que a gente vive, podendo estar ampliando a campanha de vacinação, podendo estar visitando estados e municípios junto com a equipe? O senhor simplesmente vem aqui mais uma vez para esclarecer coisas que já tinha esclarecido, mas a Copa América te trouxe aqui.”

Outro ponto considerado fundamental pela CPI é o de metas de vacinação. O ministro repetiu a promessa de que todos os brasileiros acima de 18 anos serão vacinados até o fim do ano.

Mas o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues, da Rede, ressaltou que, com o atual ritmo lento de imunização, o Brasil não vai atingir o objetivo, e Queiroga admitiu que pode haver dificuldades nos próximos meses.

Randolfe: Qual a média de vacinação nossa hoje? Parece-me que a média de vacinação está em 500 mil, 600 mil. Para nós alcançarmos essa meta em outubro ou em novembro, nós precisaremos aumentar a média de imunização para 2,5 milhões por dia.

Queiroga: Esse é o objetivo, desde que haja doses suficientes. Neste mês de junho, há uma programação de se distribuírem 40 milhões de doses. Nós vamos ter alguma dificuldade em julho e em agosto, mas o Ministério da Saúde já tem um acerto com a AstraZeneca para fornecer IFA suficiente para produzir 50 milhões de doses de vacinas, até que o instituto, a Fundação Oswaldo Cruz, possa produzir com o IFA nacional.

Randolfe: E quando nós chegaremos a essa média de 2,5 milhões?

Queiroga: A previsão é de, em outubro, já produzir vacinas suficientes com IFA nacional.

O ministro da Saúde fez várias vezes ao longo do depoimento um apelo para que quem já se tomou a primeira dose da vacina contra a Covid não deixe de tomar a segunda dose. Ele defendeu também que todos se vacinem contra a gripe.


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