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Após retirada americana, afegãos buscam outros caminhos para deixar o país

Um dia após retirada americana, afegãos buscam outros caminhos para deixar o país

Um dia após retirada americana, afegãos buscam outros caminhos para deixar o país

Um dia depois da retirada americana, os afegãos passaram a buscar outros caminhos para deixar o país. A reportagem é de Pedro Bassan, Arthur Guimarães e André Maciel.

Os novos guardiões do aeroporto. Se é que ainda é possível chamar de aeroporto o cenário que sobrou da tragédia. Os americanos desarmaram e destruíram aviões e carros que deixaram para trás.

A multidão que estava nos portões não desapareceu de repente. Tomou outro rumo, para fugir do Talibã lenta e silenciosamente, a pé.

Mesmo antes da crise atual, 2,6 milhões afegãos já viviam espalhados pelo mundo. A grande maioria nos países vizinhos: 1,5 milhão no Paquistão e quase 800 mil no Irã.

O adversário foi embora, mas os vencedores ainda não encerraram o combate. No interior do Afeganistão, o enterro das potências ocidentais e da ONU mostrou que a bandeira do Talibã de agora em diante vai tremular solitária.

No Catar, um representante do Talibã se encontrou com o embaixador da Índia. Um gesto pequeno, mas simbólico. Foi a primeira reunião diplomática do grupo. Um sinal de que os guerreiros querem negociar.

Na pista do aeroporto, um porta-voz do Talibã disse que o Afeganistão quer ter boas relações diplomáticas com o mundo inteiro, até mesmo com os Estados Unidos.

Nas ruas de Cabul, o povo pede governo, qualquer governo.

“Precisamos de pão e água. O que vamos comer ou vestir se não temos salários?”, perguntou um afegão.

Quando ouvimos a voz desses homens de barba cerrada e roupas tradicionais, reconhecemos pedidos que podem fazer parte da vida de qualquer um de nós.

“Queremos que os bancos abram e que as pessoas voltem a trabalhar. Temos aluguel e conta de luz para pagar”, diz um outro afegão.

A cidade cansada de guerra quer vida normal. Espera que chegue o dia em que a principal notícia seja essa: hoje choveu em Cabul.

CORREÇÃO: Na reportagem, foi exibida a imagem de um ato de apoiadores do Talibã que fizeram um enterro simbólico. As bandeiras que cobriam os caixões eram de países do Ocidente e da Otan, a Aliança Militar do Ocidente, e não da ONU, a Organização das Nações Unidas, como foi dito na reportagem.


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