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Biden defende de forma incisiva retirada de todos os militares do Afeganistão

Biden defende de forma incisiva retirada de todos os militares do Afeganistão

Biden defende de forma incisiva retirada de todos os militares do Afeganistão

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, fez nesta terça-feira (31) o primeiro pronunciamento desde a retirada completa das tropas americanas do Afeganistão.

Biden afirmou que, quando chegou à Casa Branca, o grupo extremista Talibã já controlava quase metade do Afeganistão e estava no momento mais fortalecido desde 2001, quando a guerra começou.

Tudo por causa de um acordo fechado no ano passado pelo ex-presidente Donald Trump, que permitiu que os extremistas libertassem milhares de prisioneiros e avançassem pelo país.

“Minha escolha era simples: deixar o Afeganistão ou ampliar a presença militar americana no país. Eu não ia estender essa guerra sem fim", disse Biden.

Biden explicou que consultou os secretários de Defesa e de Estado e todos os comandantes militares do alto escalão, inclusive aqueles baseados no Afeganistão. E todos foram unânimes em recomendar a retirada das tropas.

Respondendo às críticas sobre a saída caótica do aeroporto de Cabul, Biden afirmou que seria mais arriscado ter antecipado a operação e tentar retirar milhares de pessoas em meio a uma guerra civil.

Segundo o presidente, 98% dos americanos que queriam deixar o Afeganistão foram resgatados. Sobre o que levou os Estados Unidos à guerra, Biden lembrou:

“Fomos atacados por Osama bin Laden. Não tínhamos interesse no Afeganistão, a não ser prevenir um ataque contra os Estados Unidos. Em 2011, Bin Laden foi executado e a Al-Qaeda foi dizimada. Alcançamos o sucesso uma década atrás e ficamos mais uma década no Afeganistão. Era hora de acabar com a guerra."

Biden afirmou que as ameaças terroristas mudaram, se espalharam por outros países, e as estratégias para combater o terrorismo também precisavam mudar. E lembrou que a segurança dos Estados Unidos hoje também é ameaçada pela competição com a China, os ataques de hackers da Rússia e a proliferação de armas nucleares.

“Não há nada que China e Rússia queiram mais do que ver os Estados Unidos ocupados no Afeganistão por mais uma década".

O presidente defendeu que futuras missões americanas tenham objetivos claros e não inalcançáveis: “A era das operações militares para reconstruir outras nações acabou."

Um discurso forte para justificar a decisão de encerrar a guerra mais longa da história dos Estados Unidos. Ainda é cedo para dizer se Joe Biden vai convencer a opinião pública americana. Por enquanto, as imagens dos últimos dias no aeroporto de Cabul são mais fortes do que qualquer palavra vinda da Casa Branca.

O último soldado americano embarcou nesta segunda (30) pouco antes da meia-noite no Afeganistão. E a imagem dele já entrou para a história. Um retrato do fracasso da operação no país .

O cientista político Ian Bremmer, diretor do grupo Eurasia, diz que a maioria dos americanos queria o fim da guerra, mas não com esse desfecho.

Segundo Bremmer, o custo mais alto será dos afegãos:

“Nesses anos, Cabul ganhou infraestrutura, educação de nível internacional e uma sociedade civil robusta, com oportunidades para milhões de afegãos. E tudo isso deve se perder completamente sob o domínio do Talibã. É muito triste."


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