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Justiça do Rio quebra sigilo bancário e fiscal do vereador Carlos Bolsonaro

Justiça do Rio quebra sigilo bancário e fiscal do vereador Carlos Bolsonaro

Justiça do Rio quebra sigilo bancário e fiscal do vereador Carlos Bolsonaro

A Justiça do Rio quebrou o sigilo bancário e fiscal do vereador Carlos Bolsonaro, do Republicanos. O Ministério Público do Rio, que apura a contratação de funcionários fantasmas no gabinete dele, agora investiga também a prática de rachadinha. A reportagem é de Marcelo Gomes e Ricardo Abreu.

Carlos Bolsonaro é um dos 27 investigados que tiveram o sigilo bancário e fiscal quebrado. Em 20 anos como vereador, ele já nomeou dezenas de pessoas para seu gabinete. Mas o Ministério Público afirma ter indícios de que diversos assessores podem ser considerados funcionários fantasmas.

A investigação foi aberta em julho de 2019. Agora, o MP pediu a quebra do sigilo para saber se a contratação desses funcionários foi um instrumento utilizado pelo vereador para desviar salários. Pela primeira vez, os promotores falam na possibilidade da prática e rachadinha, quando o parlamentar embolsa parte do salário dos assessores.

No documento, os investigadores relembram que o modus operandi da rachadinha também foi detectado no gabinete do então deputado estadual do Rio Flávio Bolsonaro, que também teve o sigilo bancário e fiscal quebrado, mas conseguiu anular a decisão no Superior Tribunal de Justiça.

O Ministério Público afirmou que Carlos Bolsonaro guardou e utilizou grandes quantias de dinheiro vivo ao longo dos mandatos na Câmara de Vereadores do Rio. E destacou pelo menos três episódios.

Em 2003, Carlos pagou R$ 150 mil em espécie na compra de um apartamento na Tijuca, na Zona Norte do Rio.

Em 2009, o vereador entregou R$ 15,5 mil também em espécie para cobrir prejuízos na Bolsa de Valores.

E, no ano passado, durante a campanha à reeleição, Carlos declarou ao Tribunal Superior Eleitoral ter R$ 20 mil em espécie guardados em casa.

Os investigadores também revelam que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf, informou operações financeiras suspeitas envolvendo Carlos.

Uma das comunicações indica a movimentação de um total de R$ 1,7 milhão, entre 2007 e 2019, na conta de Rogéria Nantes Bolsonaro, mãe do vereador. Ele foi citado no relatório do conselho por ser sócio de uma empresa junto com a mãe.

Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher de Jair Bolsonaro e mãe do quarto filho do presidente, Jair Renan, também foi alvo da comunicação do Coaf. Ela foi chefe de gabinete de Carlos entre 2001 e abril de 2008.

O documento revela que neste período Ana Cristina recebeu depósito de elevadas quantias de dinheiro em espécie em sua conta bancária. Como, por exemplo, um depósito de mais de R$ 191 mil em março de 2011 e outro de mais de R$ 341 mil em julho do mesmo ano.

O pedido de quebra de sigilo destaca ainda que Ana Cristina tinha um saldo de R$ 602 mil, que, segundo o Coaf, seria incompatível com a renda dela. E uma movimentação acima da capacidade financeira cadastrada, além de transferências atípicas, que, segundo o documento, podem configurar indícios do crime de lavagem de dinheiro em conta de Ana Cristina.

Segundo o Coaf, Ana Cristina também recebeu um repasse de R$ 30 mil de uma tia, que na época ocupava cargo comissionado no gabinete de Flávio Bolsonaro quando era deputado. Para o MP, a operação sugere a prática de rachadinha.

Os investigadores dizem que a elevada movimentação em espécie sugere que Ana Cristina Siqueira Valle seja destinatária dos salários pagos a parentes dela, que foram indicados para trabalhar no gabinete de Carlos Bolsonaro e que sequer moravam ou trabalhavam na cidade onde Carlos Bolsonaro tem cargo.

Os promotores afirmam que só depois da quebra dos sigilos será possível quantificar com precisão o volume de recursos desviados dos cofres públicos - pelos crimes de peculato, materializados no esquema das rachadinhas - e seguir o destino do dinheiro público desviado.

A defesa de Carlos Bolsonaro afirmou que o imóvel na Tijuca já foi objeto de análise do Ministério Público e o procedimento foi arquivado, depois da apresentação de informações que demonstravam a compatibilidade com rendimentos à época; que a quantia utilizada em 2009, para pagamento de uma despesa pessoal, é compatível com os rendimentos do vereador, assim como os valores declarados à Justiça Eleitoral em 2020. Disse ainda que não teve acesso às informações do relatório do Coaf, mas que permanece à disposição das autoridades.

A defesa de Flávio Bolsonaro declarou que todas as informações pertinentes foram e serão prestadas nos autos; e que o senador desconhece supostas irregularidades que possam ter sido praticadas por ex-servidores da Assembleia Legislativa do Rio.

A defesa de Ana Cristina Siqueira Valle afirmou que só se manifestará nos autos do processo.

Rogéria Nantes Braga Bolsonaro não respondeu o contato do Jornal Nacional.


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