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Número de trabalhadores por conta própria no país é recorde

Número de trabalhadores por conta própria no país é recorde, diz IBGE

Número de trabalhadores por conta própria no país é recorde, diz IBGE

A taxa de desemprego recuou, mas o país ainda tem mais de 14 milhões de brasileiros que buscam uma vaga. Dos postos criados, a maioria é na informalidade.

Ser motorista de aplicativo é o que vem pagando as contas de Clotilde Grado Gomes Lima, desempregada desde o início da pandemia.

“Carro é alugado. Rodo 12 horas por dia para conseguir pagar tanto o aluguel quanto as contas quanto o combustível que eu gasto diariamente. Rodo só no álcool, porque gasolina infelizmente não tem como pagar”, conta.

Em um ano, o número de trabalhadores informais aumentou em quase 5 milhões. São brasileiros sem carteira assinada ou CNPJ. Bruno foi mandado embora de uma loja de roupas. Ele passou a trabalhar por conta própria e hoje vende comida congelada pela internet.

“Sou eu, minha esposa e meu filho. Tenho um filho pequeno de 2 anos. Eu já pensei em usar a minha tristeza a favor, o susto a favor. Está dando certo, graças a Deus”, diz o vendedor Bruno Piragibe.

Bruno faz parte de um recorde. O número de trabalhadores por conta própria no segundo trimestre deste ano é o maior desde o início da série histórica, em 2012. São quase 25 milhões de pessoas nessa situação. De cada 10 postos criados no país no último ano, sete foram por conta própria. A maior parte deles, informal.

O economista Fernando de Holanda Barbosa Filho, da Fundação Getúlio Vargas, explica que o mercado de trabalho foi reaquecido com o avanço da vacinação e a abertura gradual da economia.

“O trabalhador por conta própria, quando ele vê que as coisas estão melhorando, ele vai à luta. Ele vai à luta porque ele precisa trazer o salário dele para casa. A renda dele”, afirma o economista.

Por causa disso, o desemprego recuou, mas ainda atinge mais de 14 milhões de brasileiros. Há também 7,5 milhões de pessoas que trabalham menos horas do que gostariam por falta de oportunidade. Esse número também é recorde.

“A dinâmica na volta do mercado formal de trabalho é um pouco mais demorada, porque os custos de contratação e demissão são mais altos. Então, esse setor ainda deve estar esperando a resolução da pandemia. Ou seja, ainda existe um maior cuidado de uma empresa formal na hora de contratar, porque ela não sabe se a pandemia pode ter mais uma onda em que a atividade volte a parar”, explica Fernando de Holanda Barbosa Filho.

Clotilde não vê a hora de voltar a trabalhar na produção de eventos esportivos com carteira assinada. Enquanto isso não acontece, está perto de cumprir a meta de 10 mil viagens como motorista de aplicativo.

“Não é o emprego que tudo mundo sonha, mas é o que está dando para salvar as contas, as dívidas, tudo o que aparece”, diz.


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