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Talibã obriga companhia aérea do Paquistão a baixar preço de passagem - Prisma - R7 Luiz Fara Monteiro

As cenas da multidão que invadiu o aeroporto de Cabul desesperada para deixar o país após a retomada do controle do país pelo Talibã no último 16 de agosto ainda não foram esquecidas.

Dois meses depois do pesadelo, em que até se viu passageiro cair de um C-17A da Força Aérea Americana após a decolagem, a situção do transporte aéreo no Afeganistão ainda está longe de ser normalizada.

Nesta quinta-feira a Pakistan International Airlines (PIA) anunciou a suspensão das operações no país vizinho. A medida extrema foi tomada depois que o governo Talibã ordenou a PIA, única companhia que operava regularmente na capital afegã, a reduzir o preço das passagens.

"Nossos voos frequentemente enfrentavam atrasos indevidos por causa da atitude pouco profissional das autoridades da aviação de Cabul", reclamou Abdullah Hafeez Khan, o porta-voz da PIA à agência de notícias AFP.

E acrescentou que as operações da PIA permanecerão suspensas em Cabul até que a situação se torne propícia.

Uma fonte da companhia aérea informou que homens a serviço do Talibã chegaram a maltratar fisicamente um funcionário da PIA.

As passagens para voos para a capital do Paquistão, Islamabad, estão sendo vendidas por até US $ 2.500 na PIA, de acordo com agentes de viagens em Cabul, em comparação com US $ 120- $ 150 anteriores.

A PIA, que opera voos fretados para Cabul em vez de serviços comerciais regulares, disse que manteve os voos por motivos humanitários e pagou mais de US $ 400.000 como prêmio de seguro, “o que só seria possível se 300 passageiros estivessem disponíveis”, explicou o porta-voz Hafeez Khan.

Abdullah, um funcionário de 26 anos de uma empresa farmacêutica, disse que os voos da PIA têm sido "uma janela minúscula" para os afegãos que tentam deixar o país.

"Precisamos muito desses voos. As fronteiras estão fechadas, agora se o aeroporto for fechado, é como se estivéssemos todos em uma gaiola ", disse ele à agência de notícias Reuters.

A companhia reforça as denúncias sobre ameaças e intimidação:

De acordo com seus funcionários, desde que o novo governo do Taleban foi formado, sua equipe em Cabul enfrentou mudanças de última hora nos regulamentos e permissões de voo e comportamento intimidador dos comandantes do Talibã.

A agência disse que seu representante no país foi mantido sob a mira de uma arma por horas em um incidente e só foi libertado depois que a embaixada do Paquistão em Cabul interveio.

A rede Al Jazeera informa que, com a crescente crise econômica aumentando as preocupações sobre o futuro do Afeganistão sob o Taleban, tem havido uma forte demanda por voos, agravada pelos repetidos problemas nas travessias da fronteira terrestre para o Paquistão.

O principal escritório de passaportes em Cabul tem sido cercado por pessoas que tentam obter documentos de viagem desde sua reabertura neste mês.


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