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Tradição que virou moda: empresa maranhense aposta nas redes sociais como aliada e vendas no digital chegam a mais de 50%

A empresária Tatiana Targino, de 29 anos, revolucionou o negócio familiar com a adesão dele as redes sociais — Foto: Rafaelle Fróes/g1 MA

A empresária Tatiana Targino, de 29 anos, revolucionou o negócio familiar com a adesão dele as redes sociais — Foto: Rafaelle Fróes/g1 MA

O avanço das chamadas novas tecnologias mudou a forma de comunicação e interação entre as pessoas. Com a pandemia de Covid-19, houve uma necessidade de remodelação nas formas de contato entre os seres humanos, principalmente, com o setor de serviços e os consumidores.

Neste período, muitas empresas perceberam a necessidade da mudança de abordagem nas novas formas de vendas de produtos, em especial, no meio digital, em uma tentativa de se tornarem menos obsoletas e complexas em meio às transformações.

E foi isso que aconteceu com a empresa gerida pela empresária Tatiana Targino, de 29 anos. Há 36 anos, a marca é referência no setor de vestuário em São Luís, sendo uma das primeiras implementadas na cidade neste segmento.

Entretanto, mesmo sendo uma empresa pioneira neste sentido, o posicionamento da marca no meio digital, foi por algum tempo sinônimo de conflito entre ela e a mãe, que é fundadora da empresa, Ana Suely Compasso, de 60 anos.

Ao g1, Tatiana Targino, que é formada em Economia pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), explica que desde a época de universitária, sempre participou de forma singela da administração do negócio, dando dicas para a mãe e ajudando com as vendas. Ela conta que sempre enxergou a necessidade do negócio se posicionar em outros meios, mas a forma tradicional de gerir os negócios por parte da mãe, atrasou esse processo.

“Nós somos uma empresa familiar. No começo, eu fiquei nos bastidores ajudando naquilo que podia, eu precisava respeitar a hierarquia. Minha mãe é uma empreendedora nata e uma líder. Só que chegou um momento em que a empresa precisava trilhar novos caminhos e ela precisava entender isso. No começo ela ficou preocupada, mas hoje em dia, tudo relacionado a essa parte ela deixa comigo”, conta.

A empresária Tatiana Targino, a mãe Ana Suely Compasso, fundadora da empresa e o irmão.— Foto: Reprodução/Redes sociais

A empresária Tatiana Targino, a mãe Ana Suely Compasso, fundadora da empresa e o irmão. — Foto: Reprodução/Redes sociais

Virada de chave

A mudança de chave aconteceu na pandemia de Covid-19. Por ser idosa, Ana Suely Compasso precisou se isolar do trabalho que realizava na malharia e em seu lugar, assumiu a filha, Tatiana. A empresa fechou as portas por cinco meses, os funcionários precisaram ficar em casa e a foi necessária a ajuda de auxílios do governo federal para manter o quadro.

Em meio a tanta incerteza, a empresária teve uma ideia: iniciar a produção de máscaras de algodão contra a Covid-19, matéria-prima que é um dos símbolos da empresa. Na época, o acesso a este item era escasso e tinha grande procura, mas sem mercado disponível para atender a demanda.

Segundo a empresária, a empresa já tinha um perfil em uma rede social que não era atualizado. Foi aí, que Tatiana Targino enxergou nas redes sociais, uma forma de divulgar a produção de máscaras.

“Decidi produzir 100 máscaras, metade seria vendida e a outra metade seria doada. Fui até o Instagram e decidi contar um pouco do que estava acontecendo e anunciar as vendas. Primeiro fiz isso no meu perfil, depois fiz no da empresa. Vendemos tudo em algumas horas”, conta.

Parte do time de costureiras que trabalha na empresa que existe há 36 anos. — Foto: Rafaelle Fróes/g1 MA

Parte do time de costureiras que trabalha na empresa que existe há 36 anos. — Foto: Rafaelle Fróes/g1 MA

O sucesso foi instantâneo e a procura por máscaras de algodão confeccionadas pela empresa cresceu em dias. O perfil da marca que antes tinha poucos seguidores, começou a crescer. De forma simples, a empresária começou a divulgar os produtos pela rede social da empresa e aos poucos, os pedidos aumentaram.

Dezenas de pedidos de máscaras, aventais, camisas corporativas personalizadas chegavam todos os dias pelas redes sociais, que viraram o principal aliado da marca. Após uma conversa com a mãe, Tatiana decidiu investir ainda mais no posicionamento da marca pelas redes sociais.

“O Instagram virou um diário na pandemia. Eu via que tinha muita gente passando pela mesma coisa, gente que tinha um potencial melhor que o meu, e todo mundo começou a se ajudar. Nunca imaginei que pudesse pegar um telefone, fazer vídeos e publicar nas redes sociais fosse dar em algo. Foi aí que virou a chave. Aí que eu descobri de verdade o poder das redes sociais e eu me encantei pelo marketing”, diz.

Todo o gerenciamento de marketing e vendas da empresa é realizado pela empresária Tatiana Targino, de 29 anos. — Foto: Rafaelle Fróes/g1 MA

Todo o gerenciamento de marketing e vendas da empresa é realizado pela empresária Tatiana Targino, de 29 anos. — Foto: Rafaelle Fróes/g1 MA

Atualmente, a rede social da empresa já conta com mais de 11 mil seguidores, onze vezes a mais do número que ela tinha, logo no início da pandemia. Ao g1, Tatiana diz que mais de 50% das vendas de produtos da empresa são feitas pelas redes sociais e no site da empresa e, reforça que grande parte das pessoas que visitam a loja física, são atraídas pelo marketing feito nas redes sociais.

Com o aumento da procura pelos serviços por meios digitais e o aval da mãe, Tatiana Targino decidiu investir a fundo no marketing digital da empresa, com foco nas redes sociais. Para isso, contratou um time de especialistas com foco em um conteúdo autêntico e diversificado, tudo sob coordenação dela.

“O empreendedorismo é muito solitário, é muita renúncia e muita dedicação em cima de tudo. Eu não ganhei esse tanto de seguidores de uma hora para outra. Eu estava ali lutando, batalhando, migalha por migalha, eu acho que as pessoas precisam entender que nada vem fácil, não vem do dia para o outro e as pessoas acalmar o coração delas e se dedicar”, ressalta.

Um dos principais desafios durante o processo, foi a falta de suporte local para a produção de determinados produtos digitais como, por exemplo, o website que foi produzido em outro estado. Segundo a empresária, mesmo com esse problema, a empresa continua focada na contratação de serviços, profissionais e matéria prima local, por acreditar no potencial do Maranhão.

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Autenticidade

A empresa agora investe na produção de linhas próprias de roupas — Foto: Rafaelle Fróes/g1 MA

A empresa agora investe na produção de linhas próprias de roupas — Foto: Rafaelle Fróes/g1 MA

Agora, a empresa enfrenta um novo processo de transformação, desta vez, para se tornar uma marca. A marca está focada na produção de peças exclusivas do seu catálogo, com matéria prima local e investindo nos clientes como as ‘rostos’ da empresa.

A ideia tem criado uma rede de seguidoras e apaixonadas pelas peças. A publicação dos clientes ganha destaque nas redes sociais da marca, gerando uma espécie de rede coletiva de suporte, que a cada dia, ganha novos adeptos.

Tatiana Targino diz que ficha dela vai caindo aos poucos sobre o que a empresa se transformou. E mesmo assim, acelerar o processo para buscar novos horizontes, não está nos seus planos.

“A gente está caminhando para um lugar bem legal. Quando eu vejo as pessoas falando, aí que me cai na ficha. Eu sempre sou muito pé no chão e sinto que as pessoas têm muita urgência nas coisas. A empresa se sustentou todo esse tempo foi porque a gente nunca teve pressa. Se agora a gente tá tendo essa virada de chave gigantesca, porque eu vou ter pressa para fazer tudo o que eu sonho logo no ano que vem?”, questiona.

Busca por posicionamento nas redes

 — Foto: Solen Feyissa/ Unsplash

— Foto: Solen Feyissa/ Unsplash

A busca pela transformação digital e a maior presença de empresas nas redes sociais, assim como o caso da empresa de Tatiana Targino, teve um crescimento exponencial nos últimos dois anos no Maranhão.

Ao g1, Marina Lavareda, Gerente de Atendimento e Relacionamento com o Cliente do Sebrae Maranhão, afirma que a procura por consultoria de inovação e tecnologia dobrou, o que demonstra que os empreendedores estão com os olhares atentos para o futuro. Os empreendedores podem ter acesso ao serviço nas sedes regionais do Sebrae espalhadas em mais de 100 cidades maranhenses.

"As demandas voltadas para consultoria de inovação e tecnologia elas mais que dobraram. Desde o início da pandemia se instaurou, nós tivemos uma crescente demanda nos atendimentos do Sebrae, nos mais diversos formatos e oficinas, mas principalmente de consultoria para que as empresas migrassem para o meio digital", explica.

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Entre os principais serviços procurados pelos empreendedores estão a divulgação de produtos em mídias sociais, como obter maior presença na internet, atendimento de clientes e venda pelas redes sociais e aplicativos de mensagens, estruturação de delivery, construção de sites e o e-commerce.

Marina Lavareda explica ainda que mesmo com a estabilização de alguns traços do setor, a procura por esse tipo de consultoria ainda tende a crescer no estado, já que os empreendedores entenderam a importância do posicionamento em meios digitais.

"As empresas começaram a usufruir bastante desse tipo de serviço, é uma demanda que não chegou a se estabilizar, ainda há uma crescente procura de muitas empresas que entenderam que para estar no ambiente físico, elas precisam estar no digital. Seja divulgando seus produtos ou serviços, mas exercendo a comercialização via digital", finalizou.

Além da consultoria presencial nas sedes presenciais do Sebrae, empreendedores que buscam se profissionalizar para entender o mercado do marketing digital e as redes sociais, podem ter acesso a cursos gratuitos ofertados pela instituição na internet.


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