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Hospitais de BH têm queda de internação por Covid, mas fila por cirurgias tem 31 mil pacientes

Imagem de arquivo Leito hospital Covid-19 Minas Gerais 2021 — Foto: Reprodução/TV Integração

Imagem de arquivo Leito hospital Covid-19 Minas Gerais 2021 — Foto: Reprodução/TV Integração

Com o avanço da vacinação contra a Covid-19, hospitais de Minas Gerais registram alívio nas taxas de ocupação: 21,13% dos leitos de UTI estão ocupados por pacientes com a doença. O desafio agora é manter parte da estrutura montada durante a pandemia para suprir a demanda por cirurgias eletivas, que já era reprimida e se agravou no último ano. Só em Belo Horizonte, há 31 mil pacientes na fila.

Desde março de 2020, segundo a Secretaria de Estado de Saúde, o número de leitos em Minas Gerais passou de 2.072 para 4.513. Belo Horizonte chegou a ter 1.177 leitos de UTI, em maio, sendo 570 de Covid e 607 não Covid. Hoje, são 977 leitos, sendo 181 para pacientes com coronavírus e 796 para as demais causas.

Enquanto 200 leitos deixaram o sistema, as cirurgias eletivas, que ficaram suspensas durante os piores momentos de contágio, foram retomadas em junho. A capital é referência para 500 municípios em 18 tipos de cirurgias diferentes. Até agora, 5.790 procedimentos foram realizados.

Cristiano de Sousa Ataídes, de 43 anos, ainda não teve esta sorte. Há quase dois meses, o g1mostrou que ele aguarda, desde março, para fazer uma cirurgia de retirada de pedra que se alojou no ureter. A primeira consulta pré-operatória foi feita no dia 30 de agosto. Mas a cirurgia ainda não tem data para acontecer.

“A cirurgia deve ser no ano que vem. O procedimento do SUS é por etapas. Fui lá, conversei com o urologista, fiz os exames. Marcou para eu conversar com anestesista. Agora marcou para dezembro para urologista de novo. Só aí é que vai marcar cirurgia”, disse.

Enquanto aguarda, a orientação dada pelo médico a Cristiano é procurar o Hospital Odilon Behrens se tiver crise aguda.

“O problema do SUS é este: não mata o problema no início. É muita gente que vai para o hospital, como eu, é medicado, volta pra casa. Depois, precisa passar pela triagem e vai para consultar. Neste momento, já tinha que fazer exames e matar o problema. O processo tem que ser melhorado”, falou.

Cristiano Ataídes perdeu 22 quilos em 4 meses; ele espera por uma cirurgia para retirada de cálculo renal — Foto: Arquivo pessoal

Cristiano Ataídes perdeu 22 quilos em 4 meses; ele espera por uma cirurgia para retirada de cálculo renal — Foto: Arquivo pessoal

O médico e especialista em gestão de saúde, Marcelo Ribeiro Lopes, lembra que o déficit de leitos já era anterior à pandemia, que só agravou o problema. “BH é responsável por 5 milhões de vidas. Antes da pandemia já tinha déficit de 180 leitos de terapia intensiva. A pandemia veio e só exacerbou”, disse.

Segundo Ribeiro, que trabalha no Hospital Luxemburgo, há cirurgiões disponíveis para fazer os procedimentos. O que falta é a liberação de recursos. “Os médicos hoje, os cirurgiões estão ociosos e ansiosos, estão querendo cirurgia. Dá para fazer mutirão cirúrgico. Precisa, agora, só bancar e pagar as cirurgias”, falou.

A Secretaria de Estado de Saúde não confirma o número de pacientes que aguardam por este tipo de procedimento em Minas Gerais. Mas anunciou que o secretário da pasta, Fábio Bacheretti, está a frente de uma articulação com o governo federal para manter 5 mil leitos de terapia intensiva criados durante o enfrentamento da pandemia em todo o país, sendo 800 em Minas Gerais.

A negociação, que envolve membros do legislativo federal, prevê que R$ 1,5 bilhão seja destinado ao custeio de UTIs criadas durante a pandemia, a partir da mudança de pagamento de precatórios que está em discussão no Congresso Nacional.

A prefeitura de Belo Horizonte disse que, "devido tendência de queda nas taxas de ocupação apresentada nos últimos dias, somado ao retorno gradual das cirurgias eletivas, tem sido feita a diminuição gradativa de leitos específicos para Covid-19 na rede SUS, sempre mantendo a segurança da população".

Informou, ainda, que a Secretaria de Saúde está realizando uma revisão da fila de espera, considerando a condição clínica dos pacientes. E que outra ação possível é a realização de mutirão. Neste momento, está em andamento mutirão de consultas oftalmológicas.

A prefeitura também estuda a viabilidade de adoção de incentivo financeiro para que prestadores ampliem a oferta dos procedimentos mais críticos.

A PBH também disse que orienta a retomada gradual das cirurgias eletivas em todos os estabelecimentos SUS, desde que ocorra "monitoramento detalhado dos estoques dos fármacos utilizados nos procedimentos de ventilação mecânica e manutenção da sedação dos pacientes, bem como da ocupação dos leitos de forma que possam ser rapidamente revertidos para atendimento à Covid- 19, caso necessário."

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