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Próxima do fim, CPI não teve acesso a documentos da licitação do transporte público de BH

Caixas com processo de licitação de ônibus reaparecem e viram caso de polícia — Foto: Patrícia Fiúza/TV Globo

Caixas com processo de licitação de ônibus reaparecem e viram caso de polícia — Foto: Patrícia Fiúza/TV Globo

Próximo do fim do prazo da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da BHTrans, as oito caixas com documentos do processo de licitação do transporte público de 2008 ainda estão sob análise da Polícia Civil. Sem os papéis, que são peça-chave para a conclusão dos trabalhos, os parlamentares visitam, nesta quinta-feira (14), a empresa responsável por arquivar os documentos da BHTrans.

Os trabalhos da CPI terminariam nesta sexta-feira (15), mas, em audiência na quarta-feira (13), os vereadores decidiram prorrogar por mais 30 dias, marcando a entrega do relatório final para 15 de novembro.

Os documentos do processo de licitação foram solicitados pelos parlamentares à Prefeitura de Belo Horizonte ainda em 14 de junho, porque são considerados fundamentais para o encerramento das investigações.

No dia 10 de setembro, a CPI recebeu a informação de que as oito caixas que guardavam o processo sumiram, mas elas reapareceram três dias depois. Quem entregou a documentação, segundo o presidente da BHTrans, Diogo Prosdocimi, foi o gerente exonerado, Adilson Elpídio Daros, que também é investigado pela CPI.

Diogo Prosdocimi falou sobre o sumiço das caixas de licitação na delegacia — Foto: Reprodução/ TV Globo

Diogo Prosdocimi falou sobre o sumiço das caixas de licitação na delegacia — Foto: Reprodução/ TV Globo

Prosdocimi registrou um boletim de ocorrência no dia, e o caso, desde então, é investigado pela Polícia Civil.

O g1perguntou à Polícia Civil detalhes do caso e o prazo para conclusão do inquérito, mas a assessoria de imprensa da corporação informou que as diligências ainda estão sendo realizadas de forma sigilosa e que uma entrevista coletiva será marcada "em momento oportuno".

Oitivas

Na quarta-feira (13), os parlamentares ouviram o secretário de Governo da prefeitura, Adalclever Lopes. Ele negou que tenha tentado interferir contra a instalação e o andamento da CPI da BHTrans e que tenha buscado financiamento por meio de caixa 2 para campanha de deputado estadual.

  • Secretário de Governo da prefeitura nega interferência contra CPI da BHTrans

"Não houve interferência minha em hipótese nenhuma, nem com a presidente da Câmara nem com o relator (Reinaldo Gomes)", afirmou.

O secretário refutou as acusações feitas pelo ex-chefe de gabinete da prefeitura, Alberto Lage, de que poderia estar envolvido em um suposto esquema de financiamento eleitoral, por meio de caixa 2. Segundo Lage, a suspeita partiu após uma reunião realizada com empresários de ônibus, em julho, sobre as condições do fim da CPI da BHTrans.

Adalclever Lopes em depoimento à CPI da BHTrans — Foto: Câmara Municipal de Belo Horizonte/ Reprodução

Adalclever Lopes em depoimento à CPI da BHTrans — Foto: Câmara Municipal de Belo Horizonte/ Reprodução

Adalclever Lopes foi o 44º depoente a ser ouvido pelos parlamentares em quase 120 dias de trabalho. Quatro conseguiram habeas corpus para não comparecer. Entre eles, André Barra, dono da Tecnotran, e a filha dele, Renata Barra, apontados como autores das propostas das empresas na licitação de 2008.

Além deles, conseguiram suspender os depoimentos Roberto José Carvalho, proprietário da Rodopass, na capital, e de outras empresas no interior, e Cristiana Maria Fortini.

Ela foi procuradora-adjunta do município em 2011 – quando houve o último registro de movimentação dos documentos da licitação do transporte público no sistema da PBH – e atualmente é advogada do Sindicato das Empresas de Transporte (Setra).

Quebras de sigilo

Ao todo, foram pedidas 31 quebras de sigilo bancário, fiscal e telefônico de empresários de ônibus, de empresários de consultoria de trânsito e de servidores públicos, que atuaram tanto no processo de concessão do transporte quanto na licitação da auditoria realizada nas contas das empresas, em 2018.

Deste total, quase metade (15) conseguiu a suspensão por decisão da Justiça. São eles: Célio Bouzada, Renaldo Carvalho Moura, Roger Maciel de Oliveira, José Márcio de Morais Matos, José Braz Gomes Pereira Junior, Fernando de Aguiar Carvalho, Marcelo Carvalho, Eneide Carvalho Santos, Ana Paula Campos Carvalho, Romeu Aguiar Carvalho, Roberto José Carvalho, Humberto José Gomes Pereira, Guilherme Andrade Aquino, André Barra e Renata Barra.

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