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A desinformação sobre as vacinas é uma ameaça à saúde de todos

O Brasil possui uma das mais avançadas estratégias de vacinação do planeta, capaz de oferecer à população de forma abrangente e gratuita um rol diversificado de imunizantes. Criado em 1973, o Programa Nacional de Imunização – PNI é uma referência internacional em distribuição eficiente de vacinas e realização de campanhas de conscientização. De acordo com o Ministério da Saúde, o PNI conta com mais de 45 mil salas de imunização espalhadas pelo país. Ao todo, são 18 imunizantes disponíveis no calendário nacional de vacinação. Estrutura que garantiu o controle e a erradicação no país de doenças contagiosas graves como o sarampo, a rubéola e a febre amarela, entre outras.

Indicadores em queda

Porém, o sucesso do PNI vem sendo ameaçado pela queda na taxa de cobertura das vacinas nos últimos anos, o que vem colocando em alerta os profissionais de saúde. “A redução dessa taxa abre possibilidades de reintrodução de doenças que já haviam sido erradicadas no país, como é o caso do sarampo que, recentemente, voltou a circular em algumas regiões”, lembra o médico-infectologista cooperado da Unimed-BH Adelino de Melo Freire Jr. Ele reforça que o fato de erradicar uma doença em um território não significa que a população daquele local esteja livre dela. “A rubéola, por exemplo, é uma doença que não circula mais no país por conta de uma campanha bem-sucedida. Só que a rubéola continua existindo no mundo e pode chegar ao Brasil, por exemplo, com um viajante e, a partir daí, ser reintroduzida no país caso as taxas de vacinação continuarem caindo”.

Falsa segurança

Hoje, a cobertura vacinal no Brasil não consegue se manter acima da taxa recomendada pela Organização Mundial de Saúde – OMS, que é de mais de 90%. De acordo com G1, no ano passado o Brasil não atingiu nenhuma das metas de cobertura das vacinas infantis, ficando em 75%. Belo Horizonte é um exemplo de queda na procura pelas vacinas. Na capital mineira, no último mês de setembro, a cobertura vacinal contra a influenza foi de apenas 62%. A de poliomielite não chegou aos 80% e a de sarampo estava em 88,7%. Para médico cooperado da Unimed-BH, Artur Oliveira Mendes, especialista em Medicina da Família e Comunidade, a baixa procura pelas vacinas é resultado de uma soma de fatores. “De forma paradoxal, um desses fatores é justamente o sucesso do programa de vacinação, que conseguiu controlar muitas doenças, o que acabou criando uma falsa sensação de segurança. As pessoas acreditam que as doenças não existam mais pelo fato de não verem ninguém mais doente”, explica.

Epidemia de desinformação

Os especialistas destacam outro problema que afeta as taxas de vacinação: a desinformação. A disseminação de “fake news” vem crescendo impulsionada pela facilidade de acesso aos mais variados canais de comunicação por meio da internet. A distribuição de notícias falsas tomou uma proporção ainda maior após o início da pandemia de Covid-19, justamente por conta da enorme quantidade de informações não verdadeiras que circularam sobre a doença e as vacinas. Mas o problema já era detectado antes. Em novembro de 2019, uma reportagem do Fantástico alertou sobre os efeitos negativos da disseminação de mentiras sobre a cobertura vacinal no Brasil. A matéria trouxe uma pesquisa do Ibope que destacou que de cada dez entrevistados, sete acreditaram em pelo menos uma notícia falsa sobre vacina. Segundo o levantamento, 57% dos que haviam se vacinado citaram um motivo relacionado à desinformação. “Isso reforça um discurso que vem crescendo, seguindo premissas falsas de insegurança e ineficácia, que é o do movimento antivacina, que afirma, entre outras coisas, que os imunizantes não funcionam. O que não é verdade. Se hoje, as pessoas adoecem menos, por certo as vacinas têm uma participação muito relevante no sucesso que temos na medicina”, lembra o Dr. Artur.

Zé Gotinha - webstories — Foto: Ministério da Saúde

Conscientização

Quem tem 30 anos ou mais, com certeza se lembra do famoso Zé Gotinha, o simpático personagem criado nos anos 1980, que contribuiu para no sucesso da campanha de vacinação que erradicou a poliomielite no Brasil. Mas os anos passaram, o Zé gotinha caiu no esquecimento e, infelizmente, a realidade atual é bastante diferente da época que o personagem ajudou a acabar com o medo e a desconfiança relacionadas às vacinas. Para os especialistas, os problemas enfrentados hoje com a vacinação no país reforçam a necessidade de investimento do poder público em campanhas de conscientização. “As campanhas são fundamentais para que as pessoas entendam a importância das vacinas, que elas contribuem para o cuidado e a segurança de todos e que não surgem de qualquer lugar, e sim de estudos e projetos científicos sérios”, explica o Dr. Artur.

Vacina contra fake news

Aqui no G1, você encontra o Fato ou Fake, uma plataforma criada para ajudar na identificação de notícias falsas. Além disso, é importante evitar compartilhar notícias duvidosas, checar sempre se as fontes são de credibilidade e verificar sempre se tal informação foi publicada por outros veículos de comunicação. Outra dica é desconfiar sempre das notícias que são boas demais para serem verdade. Seguindo essas orientações, você ajuda a combater a pandemia de desinformação.

SAIBA MAIS SOBRE IMUNIZAÇÃO NO BEM VIVER EM MINAS:

  • Você consegue imaginar como seria o mundo hoje sem as vacinas?

  • Papo com Especialistas: Imunização

  • QUIZ: Como anda seu conhecimento sobre as vacinas?


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