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CPI da Covid de BH pede indiciamento de infectologistas - Notícias - R7 Minas Gerais

O relatório final da CPI da Covid, criada pela Câmara Municipal de Belo Horizonte para investigar as ações da prefeitura no combate à pandemia, vai pedir o indiciamento de dois médicos infectologistas que atuaram no Comitê de Enfrentamento à Covid-19.

Além deles, o documento também pede o indiciamento do secretário de Fazenda, João Antônio Fleury Teixeira, do ex-presidente da BHTrans, Célio Bouzada, e do ex-diretor da entidade, Daniel Marx Couto.

O relatório também pede que o Ministério Público de Minas Gerais investigue o prefeito Alexandre Kalil (PSD) pelo repasse de R$ 220 milhões a empresas de ônibus como forma de adiantamento da compra de vale-transporte. 

Infectologistas

Na lista de pedidos de indiciamento no relatório assinado pelo vereador Irlan Melo, consta os nomes dos médicos infectologistas Carlos Starling e Estevão Urbano. Os dois integraram, junto ao também infectologista Unaí Tupinambás, o Comitê de Enfrentamento à Covid-19 vinculado à Prefeitura de Belo Horizonte. 

O órgão colegiado se reunia periodicamente para analisar os indicadores da pandemia e sugerir ao Executivo medidas de isolamento social para conter o avanço da covid-19 em Belo Horizonte. 

De acordo com o relatório do parlamentar, ambos integram os quadros da Ameci (Associação Mineira de Epidemiologia e Controle de Infecções), que "prestou consultoria especializada a escolas particulares durante o enfrentamento a Covid 19, de forma a se adequarem aos novos protocolos e métricas de distanciamento estabelecidas".

Segundo o relatório, a presença dos infectologistas na entidade causa "conflito de interesses". O documento não aponta, no entanto, valores que teriam sido cobrados pelas consultorias. 

Dos dois médicos, apenas Carlos Starling prestou depoimento à CPI da Covid-19. Ele confirmou que pertence aos quadros da Ameci, como membro acadêmico, mas que não recebe qualquer remuneração pela atividade e que não prestou qualquer serviço de consultoria a escolas particulares. Já Estevão Urbano sequer foi chamado para prestar depoimento à CPI da Covid-19.  

Respostas

A reportagem entrou em contato com Starling e Urbano, que negaram não só terem tido algum lucro como terem realizado qualquer consultoria. 

De acordo com o Carlos Starling, a acusação é "absurda, caluniosa e de caráter político". 

— Jamais aferimos lucro algum com o trabalho realizado de forma absolutamente voluntária a convite da prefeitura. Quem acusa, tem que provar, se não, trata-se de calúnia e difamação, que é crime. Estamos inteiramente disponíveis e abertos a qualquer tipo de esclarecimento

Urbano disse que foi surpreendido com o relatório. 

— Para mim é até uma surpresa. Ser indiciado em uma CPI sem sequer ter sido ouvido..."

Ele confirmou que, como Starling faz parte dos quadros da Ameci, que é uma associação sem fins lucrativos e desconhece se a entidade realizou alguma consultoria direcionada a escolas particulares. 

 — O objetivo [da associação] é fomentar ensino, pesquisa, aprendizado e conhecimento. Ela não tem fins lucrativos e nunca terá. 

Confira a relação de pedidos de indiciamento

- Célio Bouzada (ex-presidente da BHTrans): advocacia administrativa, falsidade ideológica
- João Antônio Fleury Teixeira (secretário municipal de Fazenda): falsidade ideológica
- Daniel Marx Couto (ex-diretor da BHTrans): falsidade ideológica
- Carlos Starling e Estevão Urbano (infectologistas membros do Comitê de Enfrentamento à Covid): improbidade administrativa por enriquecimento ilícito


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