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Substância encontrada em petiscos em MG pode matar cães em horas - Notícias - R7 Minas Gerais

O etilenoglicol, substância química tóxica encontrada em um petisco para animais em Minas Gerais, é capaz de matar cães de pequeno porte em horas. A avaliação é de Eutálio Luiz Mariani Pimenta, médico veterinário e chefe do setor de emergência do Hospital Veterinário da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

Pimenta explica que o nível de intoxicação do produto também conhecido como monoetilenoglicol depende da quantidade ingerida. No caso dos cães, a ingestão de 4 a 6 ml/kg é considerada letal.

Segundo o especialista, que também é professor da UFMG, mesmo após o consumo da substância tóxica, há chances de sobrevivência dos animais. Para isto, é preciso correr contra o tempo para o início do tratamento mais adequado.

"A literatura científica fala em até oito horas após a ingestão, mas o período vai variar com o volume da substância ingerida presente no organismo do paciente", explica.

Pimenta orienta que os tutores de animais possivelmente vítimas da intoxicação devem procurar um veterinário logo após o início dos sintomas, que incluem prostração, diarreia, vômito e falhas renais.

Segundo o médico veterinário, um possível tratamento é a infusão de etanol no cão para neutralizar as substâncias tóxicas presentes no organismo ou a realização de hemodiálise. "O melhor tratamento vai ser avaliado pelo profissional, de caso a caso", explica. 

Tutores de parte dos cães com morte investigada pela Polícia Civil de Minas Gerais relatam que o início dos sintomas aconteceu pouco após o consumo. Alguns deles ficaram internados durante alguns dias, mas morreram em seguida.

Até este sábado (3), ao menos nove óbitos em Minas Gerais e em São Paulo eram investigados. Segundo a delegada Danúbia Quadros, também há relatos de supostas intoxicações no Distrito Federal, no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul, no Paraná, em Santa Catarina, em Alagoas, em Sergipe e em Goiás.

Produtos recolhidos

Nesta sexta-feira (2), o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) determinou a interdição da fábrica da Bassar Pet Food, em Guarulhos, na Grande São Paulo. O órgão federal também determinou o recolhimento de todos os petiscos das linhas Every Day e Dental Care.

A decisão foi tomada após um laudo da Polícia Civil de Minas Gerais confirmar a presença de monoetilenoglicol em um dos pacotes avaliados pela perícia. O material havia sido fornecido por tutores de um dos cães mortos.

Na última semana, um laudo inicial da UFMG também sugeriu a presença da substância no organismo de um animal que teve o material biológico avaliado na universidade após morrer.

Resposta

A Bassar Pet Food, que tem distribuição de produtos em todo o Brasil, afirma que iniciou o recolhimento dos lotes suspeitos desde o início das investigações. A rede de lojas de artigos para animais de estimação Petz, que tem um produto de marca própria fabricado pela Bassar (Snack Cuidado Oral), informou que o retirou voluntariamente das prateleiras assim que tomou conhecimento do caso.

A Bassar afirma que não usa o monoetilenoglicol em seu processo de produção. "A empresa enviou amostras de produtos para institutos de referência nacional para atestar a segurança e conformidade de seus produtos sob investigação", indica comunicado da companhia.

"Além disso, acionou todos os seus fornecedores para que façam o rastreamento dos insumos utilizados para afastarem a hipótese de algum tipo de contaminação", completa o texto.


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